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Márcia Pontes: A segurança no trânsito não tira férias

Final de ano as pessoas relaxam mais, bebem mais, arriscam mais e levam isso para dentro de seus veículos. Muitos que estão de férias viajam para outras cidades e estados e mesmo quem fica na cidade busca refresco nos parques aquáticos de Blumenau e municípios vizinhos. Nas rodovias federais as últimas atuações da Polícia Rodoviária Federal são preocupantes porque referem-se a pais e outros adultos que transportavam crianças sem o dispositivo de segurança adequado.

Quando caem na fiscalização ou envolvem-se em acidentes constata-se que muitos motoristas praticam superlotação levando mais pessoas do que o permitido no veículo e as crianças viajam desprotegidas no colo de adultos ou de outras crianças. Nas rodovias salve-se quem puder!

Costume

Um dos exemplos mais emblemáticos é o do cinto de segurança que evoluiu do desuso até um hábito dos motoristas. Se antes tinha-se lembranças de um tempo em que pessoas viajavam amontoadas em kombis ou no “buraco” atrás dos bancos traseiros dos Fuscas aos poucos as pessoas foram se adaptando ao cinto e fazendo dele um ato quase impensado de afivelá-lo assim que entram em seus veículos. 

A pergunta é: quando será que as pessoas mudarão os hábitos inseguros no trânsito da mesma forma que a maioria passou a usar o cinto de segurança?

Será que vai ocorrer o mesmo com a combinação perigosa de bebida e direção?

Assim como se constatou a importância do cinto de segurança para adultos e se acostumou com ele vai ocorrer o mesmo com o bebê conforto, a cadeirinha e o assento de elevação?

Imprudência rola solta

Não é só a imprudência que rola solta, a negligência também. Um motorista que sabe que a velocidade permitida na via é de 80km/h e acelera bem acima disso está sendo imprudente; se dirige sem cinto está sendo negligente com a própria segurança. 

A crença limitante de que acidentes só acontecem com os outros ou com os filhos dos outros é que tem feito muita gente ir embora cedo demais seja porque descuidou da própria segurança e pagou por isso ou os inocentes que eles mataram é que pagaram. 

Rodovias

Dirigir em rodovias neste final de ano ficou um pouco mais complicado do ponto de vista da segurança, da imprudência e da negligência ainda mais com as ocorrências de chuvas, deslizamentos de terra e interdição do Morro do Boi e do Morro dos Cavalos. 

Nas rodovias que levam os gaúchos ao litoral catarinense e vice-versa o que mais se vê são imprudências de todos os tipos de circunstâncias e de usuários das vias. 

Motociclistas que durante a chuva tentam se “abrigar” conduzindo a moto colada na traseira de carretas para “aproveitar o vácuo”. Basta uma frenagem repentina do motorista dos veículos de 4 rodas e mais uma vida de motociclista é ceifada. 

Os estressadinhos que transitam e até ultrapassam pelo acostamento ignoram a importância desse espaço livre para que pedestres e ciclistas que moram em áreas lindeiras às rodovias possam ir e vir. Ignoram que é por ali que os veículos de socorro e emergência transitarão até o local do acidente para salvar uma vida e liberar logo a via. 

Veículos com lâmpadas queimadas e farol apagado em trechos onde são obrigatórios durante o dia ou mesmo durante a noite. 

Veículos maiores cujos motoristas deveriam cuidar e proteger dos veículos menores trafegam carregados, pesados e em alta velocidade chegando a empurrar os outros para o acostamento. 

As áreas de marcas de canalização que tem aquele “zebrado” pintado na via nunca são respeitadas o que faz com que em trechos específicos da BR-116 muitos fiquem com os veículos pendurados em cima das muretas de proteção.

Para piorar muitos motoristas que reclamam do comportamento dos outros são aqueles que mudam de faixa sem dar seta, ultrapassam em locais proibidos pela sinalização, em subidas, em curvas e em outros locais sem visibilidade. 

Tudo isso não é novidade para quem dirige porque se vê o tempo todo, mas o risco maior é de se naturalizar o errado. 

Superlotação

Imagina, a cascata é aqui pertinho e não vai ter guarda, então pegam-se as crianças, atafulham-nas dentro do carro e o menor senta no colo do maior. Cinto? Coloca três pequenos num cinto só que dá. 

Quantas pessoas fazem isso e quantas notícias envolvendo a morte de crianças por cabeça fraca dos adultos que deveriam cuidar delas!

Quanta gente bem vivida de cabelos brancos bobeando na hora de colocar o cinto, dirigir sóbrio e maneirar o pezinho no acelerador!

O que esperar

O que esperar para o trânsito mais seguro em 2023? Aquilo que esperamos ao longo das demais viradas de calendário e nunca chega: comprometimento. Dos gestores do trânsito, das pessoas, da iniciativa privada, das parcerias que só surgem perto de Maio Amarelo ou Semana do Trânsito e depois se desfazem.

Justamente onde falta segurança é que se deve ser mais prudente porque prudência e segurança não tiram férias. 

Enquanto isso no trânsito das falácias cotidianas salve-se quem puder!

Texto escrito por MÁRCIA PONTES

Márcia Pontes é escritora, colunista e digital influencer no segmento de formação de condutores, com três livros publicados. Graduada em Segurança no Trânsito pela Unisul, especialista em Direito de Trânsito pela Escola Superior Verbo Jurídico, especialista em Planejamento e Gestão do Trânsito pela Unicesumar. Consultora em projetos de segurança no trânsito e professora de condutas preventivas no trânsito. Vencedora do Prêmio Denatran 2013 na categoria Cidadania e vencedora do Prêmio Fenabrave 2016 em duas categorias.

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