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Trânsito: mulheres se envolvem 3 vezes menos em acidentes do que os homens, por Márcia Pontes

Uma pesquisa feita pela Unicamp entre junho de 2021 e junho de 2022 aponta que as mulheres se envolvem 3 vezes menos em acidentes do que os homens. Os dados fazem parte de uma pesquisa sobre o comportamento das pessoas no trânsito realizada pela Zignet, em parceria com a UNICAMP, baseada em dados de órgãos governamentais como a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), Detrans estaduais e o IBGE.

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Dados

A pesquisa demonstrou que são quase 200% a mais de ocorrências de sinistros de trânsito com homens do que com mulheres. Quando o quesito foi colisões traseiras os homens ao volante provocaram mais de 123 mil enquanto as mulheres se envolveram em cerca de 40 mil ocorrências.

Segundo os dados levantados na pesquisa o Brasil tem cerca de 26 milhões de motoristas mulheres, o equivalente a 35% do total de CNH´s no país. Santa Catarina é o 6º estado com mais mulheres habilitadas: 1 milhão e 400 mil.

Para quem pensa que a única explicação estaria no fato de que existem mais homens habilitados do que mulheres engana-se! Mesmo quando selecionam-se dados para amostras com mesma quantidade de homens e mulheres motoristas elas provocam 30% a menos de acidentes. 

Por conta do perfil mais cuidadoso das mulheres no trânsito o valor do seguro costuma ser menor para elas, por exemplo.

O que explica

Em um primeiro momento, naturalmente como se tem mais homens habilitados no país do que mulheres o número da sinistralidade acompanha proporcionalmente. Só que quando se considera o mesmo número de homens e mulheres numa amostra para comparação ainda assim as mulheres se envolvem 3 vezes menos do que os homens em acidentes de trânsito.

Como a sinistralidade costuma ser de até 30% menos entre as mulheres do que entre os homens isso acaba refletindo em um preço menor do seguro. O que essa e outras pesquisas vem revelando através de diferentes períodos é que as mulheres tem um perfil mais cuidadoso de quem arrisca menos no trânsito.

As colisões de maior gravidade tem sido provocadas por homens demonstrando um comportamento mais arriscado ao volante.

Assume menos riscos

De modo geral as mulheres costumam ser mais cuidadosas quando dirigem: fazem menos ultrapassagens perigosas ou proibidas, pisam mais leve no acelerador, se arriscam menos e não estão predispostas a atitudes mais agressivas ao volante.

Entre 18 e 24 anos até a faixa etária entre 40 e 49 anos os homens disparam na sinistralidade nas vias. Mulheres quando se envolvem em acidentes conduzindo um veículo são os de menor gravidade.

Cotidiano

No cotidiano os homens utilizam mais os veículos para o trabalho. Muitas vezes o casal dirige, mas como o marido utiliza o carro ou moto para trabalhar a mulher passa a dirigir menos. Nas famílias de maior poder aquisitivo homem, mulher e até os filhos costumam ter seus veículos próprios.

Existem as mulheres com medo ou dificuldades para dirigir que fazem percursos menores pelos bairros, mas mesmo tendo menos prática na direção dos que os homens  elas se acidentam menos.

O que faz a diferença

Os dados da pesquisa são relevantes porque mostram um recorte da realidade do comportamento e da violência no trânsito por sexo e faixa etária. Mas, o que vai fazer mesmo a diferença e proporcionar mais segurança a todos é antecipar-se aos riscos da via, identificá-los e gerenciá-los para evitar acidentes.

Homens e mulheres têm características próprias ao dirigir, mas fazendo isso com segurança, evitando assumir riscos, aumentando os comportamentos seguros mudam-se, com certeza, as práticas sociais ao volante.

Muitas das suas perguntas sobre os resultados da pesquisa Zignet/Unicamp podem ser respondidas acessando os resultados.

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Texto escrito por MÁRCIA PONTES

Márcia Pontes é escritora, colunista e digital influencer no segmento de formação de condutores, com três livros publicados. Graduada em Segurança no Trânsito pela Unisul, especialista em Direito de Trânsito pela Escola Superior Verbo Jurídico, especialista em Planejamento e Gestão do Trânsito pela Unicesumar. Consultora em projetos de segurança no trânsito e professora de condutas preventivas no trânsito. Vencedora do Prêmio Denatran 2013 na categoria Cidadania e vencedora do Prêmio Fenabrave 2016 em duas categorias.

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