InícioEmerson LuisEsporte: Uma bandeira que por aqui não tem peso. Por Emerson Luis

Esporte: Uma bandeira que por aqui não tem peso. Por Emerson Luis

O esporte blumenauense (e da região) foi um dos grandes perdedores na eleição.

Não emplacou em Florianópolis e muito menos em Brasília ninguém que colocou o tema como prioridade.

Alguém para aprovar projetos, trazer recursos, seguir brigando pela classe.

Campanha alcançou seu objetivo de certa forma. Arte: Reprodução/Internet

O resultado das urnas é um atestado de obviedades.

Na hora H, o esporte sempre foi deixado à margem, à mingua.

Com raríssimas exceções.

Rodolfo Sestrem em 1978. Foto: Marilene Lider

Como Rodolfo Sestrem.

Que por meio de seu trabalho na televisão e no rádio se tornou vereador por três mandatos – o primeiro em 1972.

Quando tentou uma nova reeleição, não conseguiu permanecer no Legislativo.

Sérgio Galdino foi marchador olímpico. Foto: Reprodução/Câmara de Blumenau

Nas duas vezes em que foi presidente da Fundação Municipal de Desportos (FMD), Sérgio Galdino se candidatou a vereador (PSDB).

2012: 1.647 votos.

2016: 2.452 votos.

As três Olimpíadas que disputou (Barcelona-1992, Atlanta-1996 e Atenas-2004) e o convívio com atletas e treinadores não sensibilizaram a turma.

Desistiu de concorrer.

Desde então faz parte do Conselho Estadual de Esporte (CDE) em Florianópolis.

Vereador Egídio Beckhauser. Foto: Denner Ovídio

O exemplo factual é o de Egídio Beckhauser.

A derrota foi uma surpresa para muitos.

Afinal, seu nome era bastante especulado e paparicado.

Parecia uma unanimidade entre os esportistas.

Quando presidente da Secretaria Municipal do Esporte (SME) lutou por melhores condições para todos, ajudou as modalidades, fez aproximações.

Até entendo que a maioria dos atletas, técnicos, boleiros, patototeiros abraçou seu projeto.

O homem não parou um segundo durante a campanha.

Mesmo assim, não deu.

O presidente da Câmara e também técnico de futsal e futebol precisava de cerca de 20 mil votos.

Fez 16.123 – 10.587 em Blumenau.

Terminou como segundo suplente do Republicanos – são três no total.

Egídio também é técnico de futsal e futebol. Foto: Reprodução/Internet

A lista que segue tem nomes de blumenauenses ligados de alguma forma ao esporte (ninguém com tamanho envolvimento como Egídio), mas com público e estratégias diferentes.

Ninguém chegou também.

Adriano Pereira (PT): 8.271 votos em Blumenau /10.988 em Santa Catarina.

Professor Gilson (Patriota): 7.477 / 8.322.

Almir Vieira (PP): 4.978 / 9.390.

Jeferson Schmidt (Patriota): 1.791 / 4.444.

João Natel (PDT): 1.259 / 1.787.

Professor Hahne (PL): 886 / 1.332.

Fábio Campos (Patriota): 467 / 1.156.

Aqui tem a relação completa dos candidatos (não só os de Blumenau) e seus respectivos desempenhos.

Os quatro deputados estaduais de Blumenau eleitos. Foto: Reprodução/Portal Alexandre José

Blumenau aumentou sua participação na capital.

Mesmo assim, poderia ser maior.

Se em 2018 eram três deputados (Ricardo Alba, Ismael dos Santos e Ivan Naatz), agora teremos quatro representantes.

Três caras novas.

Delegado Egídio Ferrari que recebeu 34.912 votos no estado (22.806 em Blumenau, o mais votado no município).

Napoleão Bernardes: 36.923 / 18.250.

Marcos da Rosa: 25.845 / 9.466.

E Naatz que se reelegeu: 45.304 / 20.786.

Os dois deputados federais eleitos. Foto: Reprodução/Portal Alexandre José

Para federal, Rogério Mendonça, o Peninha, de Ituporanga, decidiu não concorrer.

Era a “nossa voz” em Brasília.

A partir do ano que vem serão dois políticos daqui.

Ana Paula Lima (PT), que acumulou 148.781 votos (24.501 em Blumenau).

E Ismael dos Santos (PSD), que fez 110.531 votos (14.666 em Blumenau).

Uma curiosidade que explica algumas coisas:

Gilson Marques (Novo) que é de Rio do Sul e se elegeu deputado federal, arrancou em Blumenau 17.237 votos. No estado: 87.894.

Pouco menos do que os 19.561 que Ricardo Alba (União) ganhou na cidade – somou 48.904 votos em Santa Catarina e ainda terminou como suplente.

Porém, bem mais do que os 9.900 votos de André Espezim (Podemos) que totalizou 15.345 votos.

E muito além dos 6.456 votos do também suplente Sylvio Zimmermann (PSDB) que em todo o território catarinense conseguiu 7.506 votos.

Tem os 4.545 votos de Zeca Bombeiro (Patriota) que fechou em 6.514 votos.

Não dá para ignorar os 3.100 votos do ex-presidente da Fesporte Rui Godinho (PTB), identificado com o jiu-jitsu e com a polícia civil, que no final, angariou 6.397 votos.

Tivemos outros sete postulantes às 40 vagas.

Nesse link tem a lista completa e os votos depositados (ou desperdiçados) pelos nossos democráticos eleitores.

Brasileiros voltam às urnas dia 30. Foto: Reprodução/Internet

Insisto em Egídio.

Fez em Blumenau 10.587 votos.

É muito.

É pouco.

O maior expoente do esporte blumenauense recebeu apenas 5,54% das intenções de voto.

Não chegou a 10% – percentual que o elegeria.

É inevitável comparar.

Embora as propostas e universos sejam totalmente desconexos, independentemente do que ela prega, Ana Campagnolo “arrebentou” de alguma forma com os blumenauenses.

A jovem de 31 anos de Itajaí se reelegeu com a maior votação do estado: 196.571 votos

E dentro de Blumenau fez mais votos do que o próprio Egídio, por exemplo: 11.553.

O arrastão, bom que se diga, foi estadual.

Em Joinville, no nosso maior colégio eleitoral, a antifeminista recebeu 21.153 votos.

Ana Campagnolo do PL. Foto: Alesc

Ao mesmo tempo Beckhauser teve desempenho superior a Marcos da Rosa, seu companheiro na Câmara, que se elegeu.

10.587 votos contra 9.466.

A política é maluca (ou seria injusta) demais.

Tem deputado federal que entrou como suplente ao receber 114 votos.

Defendi o esporte e seus personagens envolvidos, mas nesse catálogo temos professores, médicos, enfermeiros, policiais, missionários, gente com papel, em tese, muito mais relevante, que teve votação risível.

O esporte não é a única vítima do sistema.

Governador Carlos Moisés não conseguiu se reeleger. Foto: Divulgação

Mesmo diante das indignações e lamentações, é preciso respeitar a democracia.

O livre-arbítrio.

Perder faz parte do processo.

Do jogo.

Uma derrota indica que alguma coisa não deu certo.

Na tática.

No time.

No otimismo exagerado.

Cada um vota em quem quiser.

Só que as escolhas demonstraram mais uma vez que o grande problema do Brasil é o brasileiro.

Seja qual for a região que habita.

Jorginho Melo e Décio Lima brigam pelo governo do Estado. Fotos: Reprodução/Portal Alexandre José

No fundo, além dos interesses individuais (em detrimento ao coletivo), existem as divisões internas, as habituais trairagens.

Sei de gente que cresceu politicamente por meio do esporte, que foi beneficiado, promovido e que trabalhou para candidato (a) com pouca ou quase nenhuma identificação com o tema e o colégio eleitoral.

Cada um olha para seu umbigo.

No fundo, os protagonistas desse ardiloso terreno sempre souberam o quão coadjuvante o esporte é na ordem do dia.

Defender ampla e exclusivamente sua bandeira é um convite ao desapontamento e ao fracasso.

O bom é que passa rápido.

Apresenta alternativas de novos caminhos, de opções, de negociações, e defesa de bandeiras e polêmicas.

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