InícioEmerson LuisEsporte: Eu vejo o futuro. Ele é passado. Por Emerson Luis

Esporte: Eu vejo o futuro. Ele é passado. Por Emerson Luis

Como admirador que sou de sua obra, “furtei” parte do título desta coluna do quarto álbum solo de Marcelo Nova, icônico vocalista do Camisa de Vênus, intitulado “Eu vi o futuro, Baby. Ele é passado”, de 1998.

Tudo porque não consigo, ao menos nesse momento, vislumbrar perspectivas para o futebol profissional de Blumenau.

Caso o Metropolitano tivesse confirmado toda a expectativa criada em cima do seu badalado elenco, o sentimento seria outro.

Série A.

Volta para casa (talvez no segundo semestre de 2023 em uma Copa Santa Catarina).

Motivação redobrada do torcerdor…

Foi frustrante.

Broxante.

Irritante.

Metropolitano se despediu após derrota para o Atlético Catarinense. Foto: Divulgação/CA Metropolitano

Tento me desligar depois de sexta-feira, quando a coluna é publicada, mas não tem jeito.

A cabeça no domingo já está martelando.

Pensando no próximo tema a ser abordado.

O assunto da semana foi Copa do Brasil.

Seria bem mais cômodo destacar as semifinais.

Fluminense e Corinthians se enfrentaram no Maracanã. Foto: Reprodução/Internet

Mesmo assim, no primeiro momento, fiz anotações, consultas, pesquisas, salvei fotos…

Assunto?

A fusão dos clubes de Blumenau.

Ou acabar com os dois.

Criar um novo.

Foi o que sugeriram algumas pessoas.

Assunto desgastante.

Complexo.

Desisti.

Até porque acredito que isso não irá acontecer.

Chapecoense perdeu para o Sport na Ilha. Foto: reprodução/Internet

Revendo o VT na NDTV/Record de Sport 1 x 0 Chapecoense, fui tomado por uma ótima lembrança.

Dos tempos de rádio.

Exatamente no dia 24 de agosto de 1994.

Jorge Aragão e eu fomos para Recife.

Acompanhamos pela Rádio Clube AM, Sport 1 x 1 Criciúma.

Série A do Campeonato Brasileiro.

Estádio Ilha do Retiro em Recife. Foto: Reprodução/Internet

Entrevistar Juninho Pernambucano foi interessante – ele era o destaque do time pernambucano, tanto é que depois assinou com o Vasco.

Foi o autor do bonito gol no empate.

Como pode ser visto no vídeo abaixo.

Gols de Sport 1 x 1 Criciúma em 1994. Reprodução/Youtube

Fazer jogos em estádio grande, com equipes tradicionais, de camisa, é o desejo de todo profissional da comunicação.

Imagina para um moleque que tinha começado na profissão há quatro anos.

Só que o bom mesmo aconteceu fora de campo.

Foi minha primeira viagem de avião.

Navegantes/Guarulhos.

Com escala em Porto Seguro na Bahia.

Estava entorpecido de felicidade.

Juninho Pernambucano começou a jogar no Sport. Foto: Reprodução/Internet

Me marcou bastante a recepção amistosa dos recifenses no estádio.

Conto até hoje que foi o único lugar no país que não fui xingado por conta da enorme cabeleira que sustentava.

Os caras não estavam nem aí.

Assim como eu que também nunca me preocupei com impropérios e vômitos verbais de alguns torcedores (ofender minha mãe sempre foi uma exceção).

O foco era fazer um trabalho bem feito.

Estar na frente da concorrência.

Cabeludo no Aderbal justamente em 1994: Foto: Arquivo pessoal

Aliás, a foto que vem a seguir, me fez voltar nesse mesmo tempo.

Quando Blumenau chegou a ter, na década de 90, cinco emissoras de rádio, simultaneamente, transmitindo os jogos do BEC.

Dando ampla cobertura nos Jogos Abertos.

Clube, Nereu, Unisul, Blumenau e Menina.

O pau roncava.

Na última quarta-feira (24), a Rádio Cidade de Criciúma fez a dobradinha entre os narradores Dante Bragatto Neto e Mário Lima.

No jogo Criciúma 3 x 1 Nação.

Que ratificou o acesso.

A volta do Tigre para a primeira divisão do futebol catarinense.

Criciúma venceu o Nação e voltou à Série A. Foto: Celso da Luz/CEC

Lembro que em 1992, na Clube daqui, Jorge Aragão e Rodolfo Sestrem fizeram o mesmo expediente.

Cada um narrou um tempo do jogo.

Não recordo da partida.

Recorri ao Alexandre José, que fazia parte do nosso time, mas também não se lembrou.

Sestrem foi um ícone do rádio blumenauense. Foto: Reprodução/Portal Alexandre José

Isso é o de menos.

O rádio blumenauense era forte.

Referência estadual.

E até nacional.

Afinal, tínhamos em uma mesma partida brigando pela liderança Rodolfo Sestrem, Aldo Pires de Godoi, Edemar Annuseck, Mario Gieland e Jorge Aragão.

Sem contar que os comentários eram feitos por Nilson Fabeni, Peninha, Bolinha, Danilo Gomes e Luiz Carioca.

Era muita qualidade na “latinha”.

Jorge Aragão (ao fundo) junto com Alcione, Schmitt e Alexandre José. Foto: Facebook/Alexandre José

Hoje não temos uma rádio sequer, AM ou FM, acompanhando o esporte blumenauense.

Isso vale para qualquer circunstância.

A falta de uma Imprensa atuante e independente é o sonho de todo dirigente/governante.

Oxalá, a parceria entre o comunicador Alexandre José e a Rádio Clube FM 89,1, por meio do programa jornalístico que vai ao ar diariamente das 6h30 até às 9h, possa resgatar essa necessidade.

Empresário Edélcio Vieira e Alexandre José. Foto: Alexandre José

Por esse motivo tenho de cumprimentar a Rádio Blu Esportes que correu atrás de Metropolitano e Blumenau na segundona.

Que acompanha ainda o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e o futsal.

Mesmo de uma forma que não seja a tradicional – no entanto, normal nos tempos atuais – a rádio web encabeçada por Marciano Regis (fundada em agosto de 2019) e com a colaboração de Clodoaldo Pereira, Robson Cidral, Jerry de Oliveira e Edmilson Luiz, não deixou a chama se apagar.

Edmilson Luiz e Marciano Régis da Rádio Blu Esportes. Foto: Marciano Regis

A perda dessas figuras notáveis do rádio citadas há pouco (dos cinco narradores só Jorge Aragão e Edemar Annuseck estão vivos, mas morando respectivamente nos Estados Unidos e Curitiba PR) teve substancial peso nessa fase decadente.

Contudo, a derrocada do futebol blumenauense também passa pela ausência da mídia como um todo no dia-a-dia dos times.

No debate diário nos programas.

Na expectativa criada antes dos jogos.

Na cobrança depois do apito.

Na insatisfação do torcedor.

Rádio Blu Esportes no Estádio Ervin Blaese em Indaial. Foto: Marciano Regis

Nada é por acaso.

Não há culpados.

Não há inocentes.

Todo mundo foi ou é conivente com esse cenário.

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