InícioMárcia PontesTrânsito: para entender as rotatórias de Blumenau sem mistério, por Márcia Pontes

Trânsito: para entender as rotatórias de Blumenau sem mistério, por Márcia Pontes

Desde que uma rotatória substituiu um trevo nas proximidades da antiga Cristais Hering, em Blumenau, o modo dos motoristas se deslocarem foi alterado e muita gente naturalmente estranhou. O modo como fazíamos sempre as coisas naquela via passou a ser diferente.

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Desde que um condutor passou direto pela rotatória, subiu a calçada e colidiu contra um poste, mais parece que as rotatórias foram parar no banco dos réus. Há quem diga que a nova rotatória é feia, que parece um ovo e estreitou tanto a passagem que chega a formar um cotovelo. Nesse post a coluna traz o que diz o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) sobre normas de circulação, conduta e preferência em rotatórias sinalizadas e não sinalizadas.

Cristais Hering x Rua Bahia

A modificação no cruzamento entre a Cristais Hering e a rua Bahia requer agora que os condutores deem a preferência para os veículos que saem de uma transversal, fazendo quem vem da rua Bahia aguardar a vez de seguir. A pista no sentido bairro foi duplicada acentuando mais a curva.

A maneira de trafegar neste local requer mais atenção e velocidade ainda mais baixa que a habitual para fazer o contorno da rotatória. Se antes os motoristas seguiam em velocidade constante pela rua Bahia sem necessidade de diminuir a velocidade agora se tornou necessário seja para reduzir ao passar pela rotatória seja para quem vem da rua transversal não fique esperando tanto.

Naquele local a rotatória também serve de retorno. As conversões à esquerda agora são proibidas. Além da rotatória no trevo entre a Cristais Hering e a rua Bahia, o projeto viário comporta outras duas: nas esquinas com a Gustav Salinger e Benjamin Constant.

Gustavo Salinger

A implantação de novas rotatórias também modificou os deslocamentos pela rua Gustavo Salinger. Neste local deve-se observar a sinalização de placa, de solo e as mudanças. Quem circula sentido bairro entra na rua Caramuru, que é a primeira à esquerda, é faixa dupla.

Conforme a sinalização o motorista deve ir até a nova rotatória e fazer o retorno, coisa que poucos fazem, preferem arriscar e depois reclamam.

Preferência na rotatória

Existem dois tipos de rotatória: a não sinalizada, mais comum, e a sinalizada, aquela que recebe uma ou mais placas R1 (PARE) ou R2 (Dê a preferência). O objetivo de ambos os tipos é garantir a fluidez do tráfego.

Quando a rotatória é não sinalizada a preferência é do motorista que já começou a circular por ela. A conduta chave para evitar colisões em rotatória é a negociação entre motoristas e compreender que quem já iniciou o trajeto pela rotatória é que tem a vez.

Quando a rotatória é sinalizada ela passa a receber placa R1 (PARE) e R2 (Dê a Preferência). Mas, é preciso que os motoristas estejam atentos também à sinalização de solo geralmente combinando: linha de retenção (faixa brancas pintada no chão) linhas tracejadas, inscrição de PARE no asfalto, tachões e um triângulo branco pintado no pavimento que tem a mesma mensagem da placa R2: dê a preferência.

Infração e multa

O motorista que não respeitar a sinalização de preferência em rotatórias comete infração de trânsito ao artigo 215 do CTB, letra “a”. É infração grave, 5 pontos, multa no calor de R$ 195,23.

Art. 215. Deixar de dar preferência de passagem:

a) a veículo que estiver circulando por rodovia ou rotatória;

    Infração – grave;

    Penalidade – multa.

Velocidade nas rotatórias

Um erro de muitos condutores é cometer o equívoco de pensar que se ele trafega em uma via de 60 km/h deve passar pela rotatória nessa mesma velocidade. Talvez isso em algum momento explique o entendimento equivocado de quem provoca colisões em rotatórias.

Não há necessidade de placas para saber que ao passar por uma rotatória os condutores devem diminuir a velocidade. Regra básica: sempre que um veículo sai da trajetória em linha reta se o motorista não diminui a velocidade ele sobe a calçada e bate.

Ao trafegar em qualquer condição no trânsito é preciso estar atento à sinalização e às normas de circulação e conduta que todo habilitado deveria conhecer, mas não conhece. Ou ignora.

O condutor deverá, a todo momento, ter domínio de seu veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito. (Art. 28, CTB)

O condutor que queira executar uma manobra deverá certificar-se de que pode executá-la sem perigo para os demais usuários da via que o seguem, precedem ou vão cruzar com ele, considerando sua posição, sua direção e sua velocidade. (Art. 34, CTB).

Ao aproximar-se de qualquer tipo de cruzamento, o condutor do veículo deve demonstrar prudência especial, transitando em velocidade moderada, de forma que possa deter seu veículo com segurança para dar passagem a pedestre e a veículos que tenham o direito de preferência. (Art. 44, CTB).

Rotatória ou semáforo?

Tecnicamente a função das rotatórias é proporcionar fluidez no trânsito de modo que todos circulem sem as paradas em semáforos que acabam formando ainda mais filas. Forçam a redução de velocidade dos veículos, ordenam as conversões e facilitam o deslocamento dos pedestres.

Onde há rotatórias e os motoristas respeitam a sinalização diminui o tempo de viagem em relação ao tempo que se espera nos semáforos e eliminam-se as colisões. Quando ocorrem são apenas danos materiais leves.

As rotatórias em Blumenau são um fato e tudo indica que é uma medida tida como necessária em busca de fluidez para o trânsito composto por uma frota que não pára de crescer e circula por uma malha viária que não têm para onde crescer.

Independente de gostar ou não das rotatórias elas estão lá sem perspectiva de serem removidas. Resta aos condutores pelo bem da fluidez conhecerem e respeitarem a sinalização para não dar mais ruim ainda.  

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Texto escrito por MÁRCIA PONTES

Márcia Pontes é escritora, colunista e digital influencer no segmento de formação de condutores, com três livros publicados. Graduada em Segurança no Trânsito pela Unisul, especialista em Direito de Trânsito pela Escola Superior Verbo Jurídico, especialista em Planejamento e Gestão do Trânsito pela Unicesumar. Consultora em projetos de segurança no trânsito e professora de condutas preventivas no trânsito. Vencedora do Prêmio Denatran 2013 na categoria Cidadania e vencedora do Prêmio Fenabrave 2016 em duas categorias.

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