InícioHistóriaHistória: Gespensterstrasse, o fantasma na Ângelo Dias, por André Bonomini

História: Gespensterstrasse, o fantasma na Ângelo Dias, por André Bonomini

Hoje em dia é meio “modinha” no YouTube aqueles canais de equipes de investigação paranormal. Basta alguns equipamentos, um pouco de curiosidade acima da loucura e bora investigar algum espaço abandonado por este rincão sem fim. Se as aparições e contatos são reais, cabe a consciência de cada um julgar para tanto. Mas talvez, lá pelos anos 1920 e 1930, nem era preciso muito invencionismo para se ver ou contar ao mundo sobre fantasmas.

Hoje, as noites da Blumenau pouco lembram as de tempos passados, é fato. Com os agitos dos pubs e o perigo dos assaltos em cada esquina, nem sempre andar na penumbra do Centro é motivo de paz e sossego. No entanto, houve um período na vida citadina em que andar a noite era algo prazeroso, sobretudo aproveitando o silêncio que beirava o sepulcral após das 22h. E foi por conta deste clima entre o assombrado e o silencioso que nasceu um dos causos mais pitorescos da antiga cidade, e em uma das vias mais conhecidas e pouco notadas da região central: A Rua Ângelo Dias.

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Batizada em homenagem ao canoeiro itajaiense que conduziu Dr. Blumenau e seu sócio, Ferdinand Hackradt, rumo as terras da colônia, a via é conhecida por ligar a Rua 7 a Rua XV ou a Rua Dr. Luiz de Freitas Melro a Rua 7. É endereço de rádio, tem estacionamentos na via e fora dela e, assim como a irmã maior – a Rua Nereu Ramos – vira um pandemônio em período de saída de escolares da Barão nos horários de pico. Clássicos blumenauenses do cotidiano da região central, eu diria.

A Rua Ângelo Dias, no seu tempo de via residencial | Foto: Antigamente em Blumenau

Mas, em tempos bem menos agitados que os de hoje, a Ângelo Dias já foi rua residencial. Casarões magníficos e ipês amarelos davam o colorido da paisagem na ainda pequena menina Blumenau. No entanto, era de noite que aquela graça provinciana dava lugar a um clima tétrico, especialmente nas altas horas da penumbra. Um ambiente favorável para a aparição de qualquer forma estranha que lembrasse, até mesmo, um idílico fantasma ou qualquer outro tipo de fenômeno paranormal sem explicação naquelas décadas antigas.

Anteriormente chamada de Travessa 4 de Fevereiro, o conto de uma assombração em capa preta rondando a via na noite fez a passagem ser conhecida pelos residentes como a Gespensterstrasse, ou “Rua do Fantasma“, se jogarmos no bom português. E quem contou a lenda há muito tempo foi, ninguém menos do que o “Cid Moreira” blumenauense, o jornalista e escritor Carlos Braga Mueller, em relato há muito contado no blog do mentor e historiador Adalberto Day.

Contos de fantasmas eram algo corriqueiro naquele tempo com poucas fontes de informação e onde o boca-a-boca era uma das principais fontes de notícias da mocidade e da velha guarda. E não eram poucas as histórias contadas ou criadas para assustar crianças levadas. Mas a mais marcante foi, sem dúvida, a do fantasma que vagava nas altas horas da noite por aquela travessa. Moradores afirmavam ver passar por ali por aquele horário um vulto em pesadas roupas escuras, em passo calmo e sempre com o mesmo destino: uma casa naquela região.

O contador original da história: jornalista Carlos Braga Mueller | Foto: Arquivo Pessoal

Só que, também naqueles tempos, para comprovar uma “fake news” a turma se munia de coragem para enfrentar o “desconhecido” e conhecer a verdade. E foi ai que um grupo engoliu em seco, planejou e resolveu montar tocaia para aguardar a assombração em uma de suas caminhadas. Nada de violência ou uma destas escandalosas gritarias de descarrego, apenas um papinho informal para matar a curiosidade.

E nestas, descobriu-se então que a figura era, simplesmente, um sacerdote franciscano, talvez um dos tantos que residiam na então Igreja Matriz São Paulo Apóstolo. Conta-se que, naquele horário, ele saia para visitar uma pessoa muito estimada (amigo ou amiga, nunca se soube) e cruzava a Travessa no caminho. Argumentou ainda que fazia este percurso sempre naquele mesmo horário para não causar “escândalos”, escondendo-se na penumbra e aproveitando o vazio das ruas. Quanto a capa preta, era a túnica marrom escuro característica dos franciscanos, com o capuz que cobria quase toda a cabeça.

No entanto, ninguém sabe dizer, nem mesmo o próprio Braga, quem era esse sacerdote. Ninguém queria, ao menos, pronunciar o nome dele pois, segundo o jornalista, era uma pessoa muito “importante” à época, e muito menos, salvando-se as jocosas piadas e suposições, ninguém saberia dizer o que ele ia fazer naquele endereço e naquele horário. Mas, como toda lenda, o causo do fantasma da Ângelo Dias perdeu informações no espaço e, tão somente, virou história sem maiores registros, quem sabe para o bem até mesmo do cidadão tachado de fantasma.

Frei Brás Reuter (ao centro) junto de sacerdotes de seu tempo. A vestimenta marrom de Frei Brás ainda vinha acompanhada de um grande capuz, o mesmo do dito “fantasma” da Travessa | Foto: Antigamente em Blumenau

E como toda lenda, fica a pergunta no ar: a história era verdade ou foi apenas fantasia da fértil imaginação do blumenauense? Seja tal como for, a Rua Ângelo Dias guarda muito mais que história, prédios comerciais e estacionamentos, mas também uma lenda de gelar as espinhas dos mais sensíveis, perdida para sempre naquele pequeno trecho da região central e deixada a sorte para qualquer youtuber pesquisador paranormal se jogar em busca de “contato”.

Mas você que lê esse conto, conhece alguma outra história de assombração em Blumenau? Deixa nos comentários do Facebook ou do Instagram aqui do Portal Alexandre José. Vamos nos divertir um pouco, ou arrepiar a espinha com algum fantasma ainda desconhecido.

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Texto escrito por ANDRÉ BONOMINI

André Luiz Bonomini (o Boina), “filho do Progresso, Reino do Garcia”. Jornalista graduado pela Unisociesc, atua desde 2013 no mundo da notícia. Apaixonado por história e poeta “de fim de semana”, teve passagens no rádio pela 98FM (Massaranduba), Radio Clube de Blumenau, PG2 (Timbó) e atua como programador musical da União FM (96.5), de Blumenau. Boina também é “escritor de fim de semana”, blogueiro e colunista.

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