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Trânsito: o trânsito que temos, o que queremos e não fazemos, por Márcia Pontes

No mês em que se planejam tantas atividades com o objetivo de chamar a atenção para as consequências da violência no trânsito, é mais que oportuno observar o trânsito que temos, o que queremos e o que não fazemos. Tendemos a cobrar dos outros atitudes e comportamentos dos quais não temos muito do que nos orgulhar quando estamos desempenhando qualquer papel em via pública.

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Parece que a culpa é sempre do outro e para as nossas pequenas grandes transgressões do dia a dia sempre existe uma desculpa. Alheios aos apelos por segurança no trânsito os seus usuários tomam decisões de momento baseadas em suas necessidades de deslocamento rápido. Bora refletir?

Hipocrisia

O cidadão ao volante segue pela faixa de tráfego em que não deveria estar e em cima da hora faz o papel e fura fila: nem sempre dando seta ele corta a frente do outro veículo e converge onde existe linha de canalização. Para o motorista era uma necessidade e uma manobra que ele calculou, entendeu que ia dar tempo e foi. Para o CTB é uma infração gravíssima x3 (R$ 880,41) e para o agente de trânsito é a obrigação legal de autuar.

Quase sempre o mesmo motorista que reclama do outro que não deu seta é quem vai confiar nas habilidades que tem ou que pensa que tem e vai fazer aquilo que critica o tempo todo: mudar de faixa sem dar seta.

O celular é um vício digital que muitos carregam para trás do volante. Parece que basta olhar para o lado e ver um motorista com os olhos pregados na telinha. O sinal abre e ele demora para sair, tem dificuldades para dar seta porque enquanto uma mão fica ocupada com o telefone a outra segura o volante.

Ladrões de mobilidade

O que dizer então das vagas de idosos e deficientes! Ah, são as preferidas dos ladrões de mobilidade, aqueles que não se encaixam em nenhuma das condições acima, mas as ocupam porque é rapidinho. Enquanto isso o idoso e a pessoa que precisa armar a cadeira de rodas se batem atrás de espaço.

Roleta russa

Com tantos atropelamentos, inclusive com feridos e mortos, o pedestre reclama que os motoristas não respeitam a travessia deles… mas quando estão atravessando muitos pedestres se distraem, não olham no corredor entre os carros, tentam atravessar na frente dos carros que não param na faixa ou fora da faixa quando ela existe por perto.

Isso é fazer roleta russa com a própria vida, porque tanto pedestres quanto os motoristas, ciclistas ou qualquer outro usuário do trânsito já sabem bem daquilo que reclamam. Não pode dar mole! Independente de quem esteja certo ou errado é dever de cada um cuidar da própria segurança e da do outro no trânsito.

Ações por calendário

Quando chega Maio Amarelo e Semana Nacional de Trânsito a gente se pergunta: onde estava toda essa gente que se engaja nos meses de maio e setembro ao longo do ano todo quando também é necessário se falar e chamar à atenção sobre segurança no trânsito?

Um dos maiores desafios para se entender a falta de segurança e tentar freá-la é orquestrar as ações conjuntas entre a sociedade organizada. Poder público precisa abraçar segurança no trânsito e investimento para isso como compromisso e prioridade, o que nem sempre acontece.

Mas o poder público sozinho não vai resolver o problema por mais releases que se solte para tentar visibilidade a uma pequena parte do todo, que é bem maior!

As empresas precisam engajar os seus funcionários dentro de programas internos de prevenção que vão além das palestras sobre trânsito na programação da Sipat. É prioridade aderir aos programas ISSO, OHSAS e tantos outros, mas incluir o compromisso de qualidade com a segurança no trânsito para os funcionários deve ter a mesma preocupação.

Terceiro setor, fundações, associações, os cidadãos, profissionais liberais atuantes em causas sociais, todos precisam estar alinhados o ano todo. Afinal, o trânsito é a rede social mais antiga do mundo e onde se reproduzem o que existe de bom e de ruim no virtual.

Anodinia

Infelizmente nesses tempos difíceis em que falta cada vez mais paciência, tolerância, educação e sobra agressividade no modo de se comportar em via pública reina a anodinia.

É aquele sentimento de anestesiamento com o sofrimento alheio que mais tarde pode ser o seu. É naturalizar os acidentes de trânsito com o discurso de que não foi o primeiro e nem o último. É se distrair no trânsito sem prestar atenção no que acontece à sua volta porque o foco está em chegar logo ao destino.

Na verdade, todos sabem o que precisa ser feito para que o trânsito se transforme em um lugar menos perigoso para todos e se não o fazem é por algum motivo pessoal. Não adianta reclamar que o outro não faz se não fazemos a nossa parte já que somos sujeitos ativos no trânsito o tempo todo.

Um exemplo é o que tornou Brasília conhecida por ser a capital em que mais se respeita os pedestres na faixa. Trabalho de uma ação conjunta entre sociedade que se organizou e fez parcerias para a segurança no trânsito.

A fiscalização teve um papel importante e de equilíbrio para despertar a responsividade nas pessoas que se deslocam diariamente. Não é impossível. Pode ser que seja lento e em Blumenau estamos atrasados faz tempo!

É preciso muito mais do que reclamar do que permitimos ou das ações efusivas de maio e setembro. É preciso nos mobilizarmos para construirmos juntos o trânsito que queremos.

Texto escrito por MÁRCIA PONTES

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