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(500) Dias com ela: uma análise única do romance contemporâneo

Por Luiz Guilherme Hostert Pereira

Todos os gêneros cinematográficos possuem seus próprios clichês e fórmulas específicas. Tais costumes condicionam o expectador conscientemente ou não, a prever como filmes se desenrolam. Os filmes mais marcantes, portanto, são os que subvertem as expectativas da audiência, e quando se trata de comédias românticas, talvez nenhuma obra tenha feito isso com tamanha maestria e impacto quanto a dirigida por Mark Webb e lançada em 2009. É fato que há décadas comédias românticas foram subestimadas e tratadas com maior desdém do que outros gêneros populares como a ação e o terror.

Isso se deve ao hábito social de se taxar como “boba” ou “infantil” toda forma de mídia que tem como seu principal público meninas e jovens mulheres. Tal fenômeno ocorre na música com as famosas “boybands”, na literatura, com romances “água com açúcar” e no cinema com comédias românticas. Filmes dessa área tem seus clichês ainda mais estabelecidos do que os de outros tipos, pois boa parte do público não os consome e só possui uma noção pré-determinada das fórmulas mais caricatas destes romances.

Para muitos, o termo “comédia romântica” invoca as mesmas imagens: duas mãos tocando-se ao ajuntar um objeto do chão, dois rostos encontrando-se de lados opostos de uma prateleira, uma moça romântica, insegura, em busca do amor verdadeiro… um homem que reúne características superficialmente atraentes, mas se recusa a crer no amor até ser conquistado pela protagonista feminina, e o par muitas vezes correndo o risco de ser comprometido por tramas mirabolantes como uma ex-namorada maluca, uma gravidez inesperada ou uma proposta de trabalho irrecusável em outro país.

(500) Dias com ela” tira proveito dos pré-conceitos presentes entre os expectadores e entrega uma história de amor que, na superfície possui todas as características de uma comédia romântica fofa, engraçada e obviamente fictícia, mas que em seu desenvolvimento revela-se uma dolorosa, realista e, incrivelmente madura jornada de um relacionamento amoroso. Já em sua premissa o narrador deixa claro que esta não é uma história de amor convencional pois após um período de alguns meses o casal sofreu um amargo término.

Todavia as fórmulas plantadas em nossos subconscientes de como um filme do tipo deve acabar nos faz ainda sim crer que no desfecho da história o casal irá resolver seus problemas e terminar “feliz para sempre”. Mas esse não é o caso, e por esta razão muitos descrevem a obra como tendo uma visão “pessimista” do amor. Contudo ao analisar o filme mais a fundo suas intenções e sua mensagem são claras e inspiradoras. O roteiro não trata o relacionamento entre os protagonistas, Tom e Summer como um erro, e sim como o caminho certo que foi corretamente traçado para que ambas as partes pudessem evoluir e chegar aonde deveriam estar. Sendo assim, é mais apropriado dizer que o filme na verdade possui uma filosofia muito otimista, porém ao mesmo tempo, duramente realista.

Foto: Divulgação/ Reprodução

É refrescante observar que o filme trata seus personagens com muito respeito, sem a clássica caracterização vilanesca ou a romantização irreal muito presentes no gênero. Aqui, clichês românticos e os associados as relações masculino/feminino são deixados de lado. Tom é um romântico nato que acredita que ele e Summer são destinados a passar e eternidade juntos, enquanto Summer é uma mulher extremamente prática que não trata suas relações com muito romantismo. Pelo fato de o filme ser narrado por Tom, muitos trataram Summer como a vilã da história por não corresponder às expectativas que Tom nos fez criar. Porém quem cometeu este erro perdeu completamente a essência da obra.

Summer não é uma mulher idealizada pronta para ser conquistada e viver feliz para sempre com nosso narrador. Ela possui suas próprias vontades defeitos e interpretações da relação que não são fornecidas a nós, e com isso julgar a personagem com base nas expectativas irreais de Tom é irrevogavelmente injusto. Ao fim do filme devemos sair com a lição de que não é correto esperar que o outro corresponda a imagem que você pintou deste.

De muitas formas Tom representa o expectador do filme, que ao se deparar com o ambiente de um mundo idealizado e ao encontrar uma garota com quem primeiramente vive um romance mágico, não se conforma com sua inevitável ruptura. Essa visão romântica e mágica, contudo, foi amplificada pela cabeça de Tom, assim como a rejeição de Summer, a qual ele inicialmente percebe como uma grande traição, mas eventualmente
amadurece e percebe que se tratou de uma consequência natural. Esta mesma maturidade deve florescer dentro do público ao decorrer de “(500) Dias com ela”.

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