InícioEmerson LuisEsporte: Futebol é momento, persistência e assessoria eficiente, por Emerson Luis

Esporte: Futebol é momento, persistência e assessoria eficiente, por Emerson Luis

Quando um atacante foi anunciado em março como o mais novo reforço do Internacional fiquei extremamente surpreso.

Aquele mesmo que despontou no Metropolitano?

Foi a primeira reação ao repassar a informação para dois torcedores que integram a patota onde bato uma bolinha todas as quintas-feiras.

Alemão é apresentado no Inter pelo vice de Futebol, Emílio Zin. Foto: Reprodução/Internet

Nosso espanto tinha como referência as raras oportunidades que teve no time titular e sua rotatividade nos gramados.

Afinal, não conseguia se firmar em lugar nenhum.

Foram sete clubes diferentes (antes do colorado) em um espaço de seis anos.

Alemão nos tempos do Metropolitano. Foto: Arquivo pessoal

Alemão sempre foi um jogador forte e raçudo.

De explosão e velocidade.

A entrega e a disposição nas partidas muitas vezes ofuscavam sua habilidade.

A qualidade técnica estava escondida em algum lugar.

Faltava ser descoberta.

Trabalhada.

Orientada.

Profissionalmente.

Alexandre começou a jogar no Tupi de Gaspar. Foto: Arquivo pessoal

Alexandre Zurawski nasceu no dia 1º de abril de 1998.

Em Campo Erê.

A família se mudou de Anchieta, na mesma região Oeste, para Gaspar quando tinha dois anos de idade.

Foi no Tupi onde tudo começou.

Jogou no Carlos Barbosa Fontes dos 6 aos 15 anos.

Mais um moleque lapidado pelo bruxo Celço Nicodemos.

Celço Nicodemus e seu trabalho de base no Tupi. Foto: Reprodução/internet

Por conta das dificuldades para se manter em atividade, parou de treinar.

Foi trabalhar como estampador em uma indústria têxtil.

Por seis meses.

Havia praticamente desistido da carreira.

É a partir daqui que entra em sua vida, de forma mais intensa, a figura de Cláudia Carpeggiani.

Que se mudou de Anchieta para Gaspar aos 15 anos de idade.

Aos 23, foi trabalhar no Paraná, como gerente de RH.

Voltou em 2014.

No ano seguinte se formou em Direito, em Blumenau.

Se especializou em Direito Desportivo e Negócios no Esporte.

Participou e continua participando de diversos cursos de gestão de Futebol.

Aprimorou seus conhecimentos como coach.

Virou empresária.

Momentos de Cláudia Carpeggiani com Alemão. Foto: Instagram/Carpeggiani Sports

A relação vai além do profissionalismo.

A mãe de Alemão e o pai de Cláudia são primos.

Os pais dela e do Alemão jogaram bola juntos.

Pais do atacante no Beira Rio. Foto: Arquivo Pessoal

Naquele período, Neimar, o marido de Cláudia, participou de uma pelada no fim de semana.

E convidou Alemão para jogar.

Após o desempenho, mesmo parado há quase um ano, ele motivou o jovem a retomar o sonho de ser jogador.

Foi então que Cláudia se comprometeu a cuidar da vida e da carreira dele.

Seu primeiro trabalho foi levá-lo para uma peneira do Grêmio em Campos Novos.

Alemão passou.

Foi para Porto Alegre.

Mas em desvantagem física, pelo tempo que ficou parado, pela falta de ritmo de jogo, não conseguiu a vaga como atacante.

Alemão, ao lado de Cláudia, treinando em Gaspar, dias após passar na peneira do Grêmio. Foto: Arquivo pessoal

O próximo passo foi a Copa Maravilha.

Lá, chamou a atenção da Chapecoense.

Foi aprovado.

Porém teve dificuldades para ganhar espaço entre atletas que vinham de grandes clubes.

Alemão junto com o elenco da base da Chapecoense. Foto: Arquivo pessoal

Cláudia foi aconselhada por um diretor a levar o atacante para uma equipe com menos concorrência, onde poderia ter mais oportunidade.

Foi quando veio para o Metropolitano.

Em sua apresentação no Metropolitano. Foto: CA Metropolitano

Só havia vaga para volante.

Alemão não hesitou.

Se adaptou.

“Era o primeiro a chegar e o último a sair”, lembra Cláudia.

Foram quase dois anos na reserva.

Outros jovens de beirada de campo tinham prioridade.

Eram as apostas da diretoria para futuros negócios.

Só que boleiro conhece quem pode ajudar.

Com a orientação de alguns jogadores, Alemão foi inserido no elenco adulto.

E profissionalizado.

Começava uma nova saga na carreira.

Alemão e o presidente do Metropolitano Saulo Raitz. Foto: CA Metropolitano

Mais uma vez, um clube de Blumenau se desfez de um jogador sem ganhar nada.

Entenda por quê.

2017 – O primeiro contrato é assinado com o Metropolitano.

2018 – É emprestado sem custo (com opção de compra) para o Kyoto Sanga da segunda divisão do Japão.

Alemão no futebol japonês. Foto: Instagram/Carpeggiani Sports

2018 – Seis meses depois volta para Blumenau.

2019 – Em janeiro fecha por três anos com o Criciúma.

Alemão sendo apresentado no Criciúma. Foto: Reproduyção/Internet

O Metrô refaz a proposta e pede o retorno em um ano.

A experiência no sul do estado dura menos de três meses.

2019 – Em setembro é cedido para o Fluminense de Joinville.

2019 – Volta em dezembro.

Momento em que finaliza o contrato com o Metropolitano.

Fique livre no mercado.

Vai embora de graça.

Atacante jogou no Fluminense de Joinville. Foto: Reprodução/Internet

2020 – Chega inicialmente para o time B do Avaí.

Alemão em campo com a camisa do Avaí. Foto: Reprodução/Internet

2021 – Em fevereiro se apresenta no Juventus de Jaraguá do Sul.

Alemão em treino do Juventus de Jaraguá do Sul. Foto: Reprodução/Internet

2021 – Em maio retorna para a capital.

2022 – Com a mudança de diretoria fica fora dos planos para o estadual.

Em janeiro é emprestado para o Novo Hamburgo.

2022 – Se torna o principal destaque do Noia.

Dois gols.

Três assistências.

68% de acerto nos passes.

1 cartão amarelo.

Em sete jogos.

Todos como titular.

Atuando de centroavante.

1.82 de altura.

Alemão sendo apresentado no Novo Hamburgo. Foto: Reprodução/Internet

2022 – Em março assina com o Internacional em definitivo.

Na assinatura de contrato com o Inter. Foto: Instagram/Carpeggiani Sports

Dois anos de contrato.

Com possibilidade de renovação automática por mais um ano, caso atinja a meta de 65% dos jogos nesse período.

O Avaí mantém 30% dos direitos econômicos.

O Inter se compromete a ceder um ou dois atletas, para atingir o valor de R$ 300 mil.

Caso não cheguem a um acordo, o clube catarinense recebe esse percentual.

Em entrevista para o Canal do Inter. Foto: Reprodução/Internet

O Metropolitano não tem certificado formador.

Muito menos o Tupi.

No futuro, o time blumenauense poderá ser beneficiado com o mecanismo de solidariedade da FIFA.

Com os 5% que são divididos por todos os clubes que auxiliaram o atleta até completar 23 anos.

O Tupi funciona como escolinha.

Portanto, não recebe nada, já que não está ativo na FCF ou CBF como profissional.

Uma pena porque é impressionante o que o Índio gasparense revela de jogador.

A lei mudou em 2020.

Antes, os clubes só recebiam em transações internacionais.

Enfrentando o Inter com as cores do Novo Hamburgo. Foto: Reprodução/Internet

Que história!

Como se não bastasse as inúmeras provações, Alemão ainda conviveu com lesões.

A mais séria foi no Avaí.

Problema no metatarso.

Recuperado foi para o Juventus, como já foi dito.

Nova lesão.

Mais uma vez no pé.

Fosse outro, teria largado tudo novamente.

Nessas horas é que entram a assistência profissional e o apoio incondicional da família.

Não é à toa que muita gente desiste.

Alemão vibrando com gol marcado pelo Avaí. Foto: Reprodução/Internet

Alexandre Alemão viveu um dia mágico na despedida de D’Alessandro.

A disparada do banco e o abraço do argentino no garoto de Campo Erê após marcar o gol da vitória foi daqueles momentos únicos e insubstituíveis.

Nada está acontecendo por acaso.

Alemão sempre se doou em campo.

Sempre “comeu” a grama.

A vida está retribuindo essa entrega.

Empresária Cláudia Carpeggiani. Foto: Instragram/Carpeggiani Sports

O mesmo vale para Cláudia Carpeggiani.

Que está há seis anos no ramo.

Sua empresa assessora 17 atletas (três estrangeiros).

Oito profissionais.

Nove da base.

Muitos conhecidos das torcidas do Metropolitano e até do Blumenau.

Como é o caso do volante Eduardo, que jogou nos dois times, e defendeu o Próspera na Série A deste ano.

Volante Eduardo anunciado no Próspera. Foto: Reprodução/Internet

Vinicius Demmer, cria do Metrô.

Volante Vinicius Demmer no Carlos Renaux. Foto: Giullio Rotermel

Ebere e Daniel Bahia, que defenderam o Metropolitano na primeira divisão do ano passado.

O nigeriano acabou de acertar com o Vila Nova GO.

Ebere vai jogar no Vila de Goiás. Foto: Reprodução/Internet

E Bahia simplesmente jogou a Pré Libertadores pelo Plaza Colonia do Uruguai – foi eliminado pelo The Strongest da Bolívia.

Daniel Bahia na final da Copa do Uruguai contra o Peñarol. Foto: Reprodução/Internet

Existe uma série de fatores envolvidos.

O maior deles, nos dois casos, foi a persistência, a paciência, a resiliência, o suor…

Alemão com os pais visitando o Museu do Inter. Foto: Arquivo pessoal

Trabalho.

Muito trabalho.

Dentro e fora de campo.

E a convicção de que tudo é possível para aquele que crê.

Alemão comemora seu primeiro gol com a camisa do Inter. Foto: Reprodução/Internet

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