InícioEmerson LuisEsporte: Tempo ao tempo. Sem pressa, sem pressão, por Emerson Luis

Esporte: Tempo ao tempo. Sem pressa, sem pressão, por Emerson Luis

Meu moleque, de três anos e sete meses, fez esta semana uma aula experimental de jiu-jitsu.

Estava ansioso para colocá-lo em uma atividade de artes marciais.

Minha esposa e filha foram juntos para deixá-lo bem à vontade.

E ele ficou.

Se divertiu.

Brincou muito no tatame.

Afinal, tudo é muito lúdico neste primeiro instante.

Fiquei feliz demais e empolgado.

Muito feliz com esse momento. Foto: Arquivo pessoal

Por ora nossa ideia é baixar e controlar sua adrenalina.

Que crie disciplina individual e em grupo – senso coletivo.

Respeite o professor e os coleguinhas.

Tales em sua primeira aula. Foto: Arquivo pessoal

Mas nada acontece como a gente imagina.

Na segunda aula, o Tales travou.

Talvez a ausência da professora Helen Leonardo, que não pôde ir por conta de um compromisso familiar, teve peso.

Embora entenda que não tenha sido o principal fator.

Tales não quis participar da 2ª aula. Foto: Arquivo pessoal

O experiente Everson Oliveira (Preto), dono da academia e referência como treinador da modalidade, nos disse que isso é normal.

Ainda mais quando os pais estão perto.

Tanto é que a recomendação é deixar o filho e se despreocupar.

De preferência sair do local.

Isso cria independência e confiança.

O problema é nos convencer diante da autoproteção, apego e insegurança.

É o melhor a se fazer.

Pelo bem deles.

De todos nós.

Esperamos levá-lo para mais uma aula.

Se vai querer treinar ou muito menos seguir no jiu-jitsu, ninguém sabe.

Tales aplicando seu primeiro “golpe”. Foto: Arquivo pessoal

Como tenho ligação indireta com o futebol e sou um atleta “frustrado”, meu sonho é que ele seja jogador.

Ao mesmo tempo não tenho convicção alguma de que isso possa acontecer.

Até porque há mais de um ano ele tem aulas, duas vezes por semana, e não vi até o momento, nenhuma evolução.

No caso, um chute firme e com direção, na bola.

Conversei com um amigo que enfrentou o mesmo processo.

Disse que até os quatro anos de idade seu filho não mostrou vontade alguma e muito menos aptidão.

Hoje, com oito anos, além de ser viciado em futebol e apresentar recursos técnicos, faz karatê.

Tales em uma aula de futebol. Foto: Arquivo pessoal

Esse é o erro que cometemos.

A precipitação.

Atropelamos etapas.

Não temos paciência.

Queremos da noite para o dia que nossos filhos sejam craques.

Achamos que sabemos mais do que um técnico/professor que estudou e se especializou para exercer a função.

Ignoramos um princípio básico: a coordenação.

Nossos filhos não sabem correr.

Em escolinhas de basquete, handebol, vôlei…é a primeira coisa a ser ensinada.

Reflexo da falta de campinhos de barro (ainda encontrados nas periferias) e escolas com excesso de concreto.

Primeiro trabalho consiste na coordenação. Foto: Arquivo pessoal

No passado ficava impressionado com a reação (por vezes exagerada) de alguns pais na arquibancada.

Tive de me tornar um deles para entender como isso é normal.

Meu desejo é que um dia possa ter esse privilégio.

A emoção de ver seu filho em ação deve ser impagável.

Me recordo que quando saía do vestiário nos jogos de futebol no Vasto Verde ou de futebol de salão na AABB, a primeira coisa que fazia era procurar meus pais na arquibancada.

Aquilo me fortalecia.

Porém, cada um reage de um jeito diferente.

Há casos em que a criança, simplesmente não rende.

O excesso de expectativas (e cobranças) faz todo mundo em volta sofrer.

É preciso passar por alguns desencantos para entender e dar valor ao que realmente importa nessa fase.

Criança precisa se divertir. Foto: Arquivo pessoal

Criança precisa brincar.

Colocar os pés na terra.

Se divertir.

Se conhecer.

Amadurecer.

Sem pressa.

Sem pressão.

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