InícioEmerson LuisEsporte: Já está perdendo a graça, por Emerson Luis

Esporte: Já está perdendo a graça, por Emerson Luis

São José, o município-sede do 60º Jogos Abertos, investiu bastante para tentar derrubar a hegemonia de Blumenau.

Chegou a liderar a classificação nos primeiros dias, e de certa forma, preocupar.

Atletismo comemora o título de campeão. Foto: Giovanni Silva

Só que bastaram os primeiros títulos, começando com o atletismo masculino, para a cidade assumir a ponta, confirmar as projeções e ratificar o 43º troféu de campeão de 56 possíveis – quatro edições não foram realizadas por questões climáticas (1983, 2008 e 2016) e a pandemia (2020).

Basquete conquistou o 11º título consecutivo. Foto. Sávio James Pereira

Além do atletismo, Blumenau foi ouro no basquete feminino e no basquete masculino, bolão 16 feminino, futsal masculino, handebol feminino, jiu-jitsu feminino e jiu-jitsu masculino, vôlei masculino e xadrez feminino.

Vôlei masculino confirmou favoritismo. Foto: Sávio James Pereira

10 canecos de primeiro lugar.

A vantagem poderia ter sido maior.

O bolão 23 masculino não se classificou na fase regional e a bocha masculina (favorita e importada) foi eliminada logo de cara.

Futsal bicampeão dos JASC. Foto: Reprodução/Marcelo Mancha/NDTV

O regulamento deste ano (que determinava que das três equipes só uma avançava) dificultou a vida de muita gente.

O próprio handebol feminino não conseguiu a vaga para a etapa estadual.

Entrou como convidado e terminou campeão.

Handebol feminino foi campeão. Foto: Reprodução/Marcelo Mancha/NDTV

Blumenau somou 248 pontos.

Contra 171 de São José.

Florianópolis fez 152.

Mestra Regina Ribeiro e seu time campeão de xadrez. Foto: Fesporte

4º lugar: Itajaí 102 pontos.

5º lugar: Chapecó 98.

6º lugar: Joinville 73.

10º Jaraguá do Sul com 54.

Jiu-jitsu foi campeão no masculino e feminino. Foto: Eraldo Schneider

Chamo a atenção para a classificação desses municípios.

Joinville foi o primeiro a inverter esse processo.

Passou a não se preocupar em ganhar Jogos Abertos.

Tanto é que o último troféu de campeão foi em 1993 (as outras duas vezes foram em 1963 e 1966).

Tem apostado na formação desde então.

A decisão se reflete nas competições de base.

Joinville é o maior campeão da Olesc (atletas de 14 a 17 anos) com 10 vitórias -contra quatro de Blumenau (2007, 2012, 2013, 2018).

Basquete masculino celebra título dos JASC. Foto: Eraldo Schneider

Nos Joguinhos (atletas de 15 a 19 anos) que terminam neste fim de semana em Criciúma, a pegada entre Blumenau e Joinville é forte.

Cada um tem 13 troféus, embora a última taça de Blumenau seja de 2011.

Pelas projeções, o jejum não deve acabar este ano.

Bolão 16 vibra com o troféu de campeão. Foto: Giovanni Silva

Jaraguá do Sul é o atual campeão da Olesc.

Resultado da aposta na prata da casa.

Lá, o bolsa-atleta é investido desde a iniciação.

Aqui, 99,9% vai para quem participa dos Jogos Abertos.

Blumenau no lugar mais alto do pódio nos JASC. Foto: Eraldo Schneider

Já passou da hora de se inverter as prioridades.

O secretário do Esporte Ricardo Arty Echelmeier é o maior incentivador dessa virada de chave.

Que conta com o aval do prefeito.

Mário Hildebrandt ficou feliz em erguer o troféu de campeão, não há dúvidas, contudo entende que não há razão para focar apenas no alto rendimento.

Alto rendimento que não vai deixar de receber atenção de uma hora para outra.

De todo modo, o mandatário tem cobrado da SME mais políticas públicas voltadas para a comunidade.

O fato de não fazer propaganda e estardalhaço com o título geral, como desfile no caminhão do Corpo de Bombeiros ou receber a delegação na prefeitura, já foi um sinal.

Prefeito Mário Hildebrandt discursando após o título. Foto: Eraldo Schneider

Echelmeier compartilha do mesmo pensamento.

Sabe que lá na frente, se nada for feito, a conta vai chegar.

Os polos de iniciação precisam ser reativados.

Depois da pandemia muitos fecharam ou estão “largados”.

Alguns estão em pleno funcionamento como o do futebol no Esporte Clube Água Verde que atende 170 crianças de 7 a 15 anos.

Marchador olímpico Matheus Corrêa, campeão dos JASC, começou no polo da Escola João Durval Muller, na Velha Pequena. Foto: Giovanni Silva

Cobrei do secretário o número exato de polos em atividade.

Falou inicialmente que eram 45.

17 modalidades.

20 bairros.

1865 crianças atendidas.

Estranhei.

Questionei.

Na verdade, segundo afirmou, ainda por conta da dificuldade de liberação de espaços em algumas escolas, o número caiu para 25 espaços ativos.

A ideia era implantar 70 polos ano que vem.

Por conta do orçamento vão ficar em 50.

Para efeito de comparativo, Itajaí (também relegando os JASC a segundo plano) tem mais de 80 núcleos.

Regina Ribeiro chegou em Blumenau em 1983. Foto: Arquivo pessoal

Nem todos que estão começando no esporte têm condições ou pa(i)trocínios para seguir em frente.

Por isso a proposta de pagar bolsa para técnico formador (R$ 1.500 a R$ 2.000) e para atleta em formação (R$ 300).

Hoje o teto do bolsa-técnico é de R$ 3,5 mil.

Para o bolsa-atleta R$ 3 mil.

O salário dos professores não é reajustado há cinco anos.

A captação de profissionais comprometidos não é tão simples.

Todos têm de ser valorizados.

Camargo chegou em Blumenau em 1981 e se despediu dos JASC. Foto: Fesporte

Em 2022, o orçamento anual vai passar de R$ 6 milhões para R$ 9,2 milhões.

A SME pleiteou R$ 13 milhões.

Hoje começo a entender que o bolo é pequeno para tantas fatias (42 modalidades) e despesas.

Só com alimentação e transporte em quatro competições (JASC, OLESC, Joguinhos e PARAJASC), o custo é de aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Para se ter uma noção, o Programa Paradesporto, com 13 modalidades, recebe (via secretaria de Educação) R$ 2,3 milhões.

Paratletas receberam homenagem nesta sexta-feira no salão nobre da prefeitura. Foto: Reprodução/Internet

Sempre considerei o valor de R$ 12 mil, por exemplo, para uma determinada equipe, um absurdo.

Recurso que tem de ser aplicado em todas as categorias.

A turma faz mágica.

Por isso os pedágios, rifas, bingos, feijoadas, pasteladas, macarronadas, costelaços, venda de brigadeiro…

Se uma associação de pais cruzar os braços, já era.

Bolão 16 masculino mantém tradição de valorizar atletas da casa. Foto: SME/Blumenau

O objetivo da secretaria é planejar ações para os próximos 10 anos.

A partir do nascimento do Plano Municipal do Esporte.

Destaque para o Projeto Movimenta Blumenau (MOVEBLU).

Que tem como pilar transformar Blumenau na cidade mais ativa fisicamente do estado.

Por meio de caminhadas, corridas, ciclismo…

O plano inclui ainda a criação de um aplicativo, em parceria com uma universidade, com dicas de saúde com especialistas.

Além da realização dos Jogos Abertos de Blumenau (JABLU), estritamente amador.

Blumenau comemora o 43º caneco de campeão. Foto: Fesporte

Oxalá Ricardo (que é um cara extremamente técnico e estudioso) e sua equipe tenham condições de colocar tudo isso em prática.

E que Blumenau comece a reavaliar seus conceitos no esporte.

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