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Esporte: No futebol de Blumenau, o futuro é passado. E vice-versa, por Emerson Luis

O BEC pode ser campeão da Série C no domingo (28), em Criciúma.

Às 16h, no Estádio Heriberto Hulse, enfrenta o Caravaggio.

Joga pelo empate, pois na ida venceu por 1 x 0.

A repercussão é pequena.

Até porque as atenções dos blumenauenses estão voltadas para a final da Libertadores neste sábado (27), às 17h, no Uruguai.

Se Palmeiras e Flamengo não jogassem também não mudaria muita coisa.

BEC venceu o jogo de ida por 1 x 0. Foto: Fernado Ribeiro/FCF

Em 2022 vamos ter clássico municipal.

O acesso do BEC para a Série B vai proporcionar esse reencontro já que o Metropolitano foi rebaixado este ano.

O que isso significa?

Pouco.

Ou quase nada.

Blumenau e Metropolitano em jogo da Série B de 2018 no Sesi. Foto: Bruno Vicentainer

Não se trata de pessimismo.

E sim de realismo.

Realismo nada mais é do que foco no presente.

Uma realidade retratada de forma fidedigna.

Metropolitano e Blumenau no turno da Série B de 2018. Foto: Bruno Vicentainer

Se na mesma segundona de 2018, não conseguimos em dois jogos lotar um estádio com capacidade para 3 mil pessoas (1.213 pagantes na ida e 255 na volta) em um município de mais de 350 mil habitantes, imagine jogando em outras cidades.

Blumenau em Indaial.

Metropolitano em Ibirama.

Estádio do SESI precisa passar por adequações. Foto: Reprodução/Internet

A municipalização do Complexo Esportivo do Sesi deve ser confirmada em breve.

Mas antes de abril, quando começa a Série B, mesmo com o martelo batido, dificilmente o campo ficaria pronto.

As negociações continuam apesar do poder público já ter conhecimento que logo na largada terá de investir cerca de R$ 10 milhões.

Para serem aplicados no telhado do ginásio (no último evento nacional de paradesporto uma lixeira teve de ser colocada na quadra onde joga o handebol para conter o gotejamento da chuva), no gramado (que não possui as medidas oficiais 105 m x 68 m) e na pista de atletismo (que precisa ser toda trocada).

Pista de atletismo do SESI. Foto: Reprodução/Portal Alexandre José

E tem mais:

Portões de acesso para as torcidas local e visitante terão de ser construídos.

Hoje o estádio não passa em uma vistoria da Federação.

Mesmo em uma segunda divisão.

Por isso chego à conclusão que o futebol especificamente pode esperar para atuar lá.

Não adianta fazer as reformas a toque de caixa, meia-boca, para ter de refazer as obras lá na frente.

Quando o prefeito Mário Hildebrandt fala em responsabilidade, acredito que a execução passa por uma estrutura completamente nova (gramado e pista).

Para se transformar em herança.

Complexo Esportivo Bernardo Werner. Foto: Reprodução/Internet

O futebol profissional de Blumenau, para quem não sabe, conquistou dois títulos da primeira divisão com o Grêmio Esportivo Olímpico – 1949 e 1964.

O auge do Blumenau Esporte Clube foi em 1988 quando se tornou vice-campeão estadual.

Em 1989 ao participar da Copa do Brasil (caiu na segunda fase diante do Flamengo) e da Série B do Campeonato Brasileiro (o Guarani de Campinas foi um dos adversários).

Blumenau em 1989 no Maracanã. Foto: Reprodução/Memorial do BEC

Ainda em 1990, 1991 e 1992 quando fez grandes jogos com casa cheia no Estádio Aderbal Ramos da Silva.

O clube faliu e seu patrimônio foi demolido.

No momento, mesmo com outro CNPJ, tenta resgatar o crédito.

E isso leva tempo.

Estádio Aderbal Ramos da Silva em 1991. Foto: Reprodução/Memorial do BEC

Acompanhei grande parte da ascensão e queda do Blumenau por meio do rádio.

No caso do Clube Atlético Metropolitano, também presenciei, já na televisão, o ápice e o declínio.

E foi justamente por meio das imagens que consegui resgatar dois momentos ímpares na sua trajetória de 19 anos.

Loja do Metropolitano na Beira Rio. Foto: CA Metropolitano

Primeiro semestre de 2012.

Na minha concepção, o momento de maior mobilização da história do time.

Que poderia brigar pelo título.

A venda precipitada e furada de Maurinho para a Bielorrússia na hora errada (às vésperas do jogo decisivo contra o Figueirense), arrebentou taticamente com a equipe.

4 x 0 para o Figueirense em pleno SESI socado e que ficou pequeno.

O início do fim.

Torcida passou a sonhar com o título em 2012. Foto: Giovanni Silva

A reportagem abaixo, mostrada no Balanço Geral da RICTV Record, retrata o clímax de uma cidade que falava uma só lingua.

Bom lembrar que o apogeu de 2012 e em seguida o de 2013, quando o acesso para a Série C nacional (que bateu na trave em Caxias do Sul) só foi possível por causa de uma reunião que aconteceu em 2007.

Novamente recorro ao Grupo ND (na época Rede SC/SBT) para mostrar que para ser forte, o futebol depende da aliança entre políticos e empresários.

A maioria dos personagens envolvidos segue na ativa (dentro ou fora de campo/gabinetes).

O VT é longo (9 minutos e 30 segundos), mas vale a pena para tirar conclusões, pois são vários entrevistados.

Ele conta ainda com a participação do então apresentador do Jornal do Meio Dia, Alexandre Gonçalves, e do comentarista Peninha.

Tudo passa por organização, planejamento e espera.

Como por ora não temos um mecenas disposto a investir no futebol, só resta nos resignar ou se indignar com tamanha metamorfose e incapacidade.

Metropolitano chegou a ter mais de 200 produtos licenciados. Foto: CA Metropolitano

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