InícioEmerson LuisEsporte: Um futebol que não empolga, por Emerson Luis

Esporte: Um futebol que não empolga, por Emerson Luis

Meu sogro passou quase uma semana aqui em casa.

Aproveitou o feriadão para rever a filha e os netos.

É paulista.

Santista.

Não morre de amores por futebol.

Apenas gosta.

Do básico.

Um apreciador.

Assim como a maioria.

Não sabe por exemplo quem o time vai enfrentar na rodada.

Muito menos o nome de um jogador do elenco.

Tanto faz se o Peixe ganhou ou não.

Arte: veja.abril.com.br

Gosta mesmo é de fórmula 1.

Agora quando o assunto é seleção brasileira até perde tempo na frente da televisão.

O problema é que além de não se empolgar, costuma cornetear.

Principalmente Neymar.

Evidentemente que essa introdução foi produzida antes da nossa melhor exibição quando a seleção aplicou 4 x 1 no Uruguai pelas eliminatórias.

De qualquer maneira não anula o contexto.

Neymar em ação pela seleção. Foto: Reprodução/Internet

Tudo conspirou a favor em Manaus AM.

A positividade da torcida (que não cobra como nos grandes centros), equipe focada e com vontade, o encaixe do jogo coletivo, o talento individual dos atletas.

Foi uma exceção.

Mesmo com a primorosa campanha de 10 vitórias e um empate (0 x 0 com a Colômbia).

Pode virar regra depois de quinta-feira (14)?

Talvez.

Embora acredito ser difícil.

Nenhum conceito é enraizado de uma hora para outra.

Jogadores comemoram gol contra o Uruguai. Foto: Lucas Figueiredo/CBF

O desinteresse é (ou era) grande.

A foto abaixo da patota que participo retrata a motivação da turma no momento em que o Brasil jogava contra a Venezuela.

Um ou outro deu uma espiada na tela.

Ainda mais porque Neymar estava suspenso.

Fale mal ou fale bem quando o camisa 10 entra em campo, a vigília aumenta.

Independentemente da atuação diante do Uruguai seguimos sem um substituto à altura.

Churrasco da Patota Quinta Tentativa. Foto: Maicon Piske

Meu sogro, assim como tantos, é daqueles que apostam todas as fichas no jogador mais badalado.

Entendem que por ser o que ganha mais dinheiro tem obrigação de resolver as xaradas de uma partida.

Contribuem no julgamento, as atitudes do craque.

Contra a Colômbia Neymar discutiu com o zagueiro Mina.

Não permaneceu no gramado após o confronto para os cumprimentos protocolares.

Pronto.

Foi o que bastou para ser escorraçado.          

Neymar discute com Mina. Foto: Reprodução/Internet

Acertando ou errando Neymar será sempre “perseguido”.

É o ônus do protagonismo.

Solitário.

Que precisa ser dividido.

Nunca fomos campeões com o foco direcionado apenas a uma estrela.

Temos uma safra de coadjuvantes bonzinhos.

Neymar carrega nas costas o peso de ser nosso melhor jogador dos últimos tempos.

Com atuações ruins no PSG e na seleção, essa pressão aumenta.

Neymar comemora gol com a seleção. Foto: Reprodução/Internet

Li um artigo que comparou de certa forma a situação do brasileiro com Simone Biles.

A ginasta norte-americana desistiu de disputar as Olimpíadas de Tóquio para preservar sua saúde mental.

Recentemente o atacante disse que não sabia mais o que fazer para não ser tão cobrado.

E esta semana chegou a admitir que a Copa no Catar em 2022 pode ser a última da carreira.

O cara anda desgastado.

Rafinha foi um dos destaques da seleção. Foto: Lucas Figueiredo/CBF

A performance contra os uruguaios deixou muita gente da imprensa ouriçada.

O gaúcho Rafinha (que foi revelado no Avaí) é muito bom jogador.

Contudo, todavia, entretanto é muito cedo afirmar, como ficou explícito em alguns comentários, que o atacante do Leeds United da Inglaterra pode ser o substituto de Neymar.

Menos, gente.

O deslumbramento factual me irrita.

Tanto é que o título desta coluna poderia mudar para “A culpa é da imprensa”.

Neymar em campo pelas Eliminatórias. Foto: Reprodução/Internet

Eu não amo odiar Neymar.

Só que enquanto o jogador do PSG não ganhar uma Copa do Mundo ou a Liga dos Campeões, ou for o melhor do planeta, ou um “santo” dentro de campo, nada do que fizer será suficiente.

O hexa não vem desde 2002.

Se está difícil chegar lá com Neymar, mesmo imaturo aos 29 anos, sem foco, desmotivado, fora de forma, como vem sendo constantemente rotulado, imagina sem ele.

O fardo é pesado.

Notícias relacionadas

Deixe uma resposta

Últimas notícias

    error: Toda e qualquer cópia do Portal Alexandre José precisa ser creditada ao ser reproduzida. Entre em contato com a nossa equipe para mais informações pelo e-mail jornalismo@alexandrejose.com