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Trânsito: transporte coletivo e as cenas dos próximos capítulos que todos já conhecem, por Márcia Pontes

Sabe aquela novela repetida que você passa muito tempo sem assistir, até esquece de algumas cenas, mas já sabe o final? Pois é a novela do transporte coletivo em Blumenau com aquele roteiro que não surpreende mais. Daí para alguns serve de mais combustível, para reacender a indignação de sempre ou para fazer florescer a indiferença, principalmente se não for usuário do ônibus. Será que não tem como adiantar o capítulo em que todo mundo senta à mesa e chega a um acordo?

Meio que já se sabe como começa e como termina: os trabalhadores do transporte coletivo se reúnem em assembleia e decidem pelo estado de greve; a imprensa dá destaque e os patrões ficam sabendo, mas já adiantam que não podem pagar o que os trabalhadores pedem. Nos próximos capítulos os cobradores e motoristas vão cruzar os braços nas primeiras horas da manhã e os ônibus voltam a circular lá pelas 9 horas. A imprensa noticia, os trabalhadores avisam que podem parar outras vezes, os patrões convidam para negociar e todo mundo se entende.

Os trabalhadores alegam que paralisar os serviços é a única forma de reivindicação que têm e amparada por lei. Os patrões alegam que o que os trabalhadores pedem é muito e fica inviável. Sem entrar no mérito de quem poderia estar certo ou errado (até porque quem julga essa demanda é a Justiça) fica parecendo aquela estratégia de anunciar a venda de um produto pelo preço mais alto para que o comprador pechinche e o vendedor baixe o preço.

É assim que a roda gira? Ou será que na primeira vez em que os trabalhadores batem à porta dos patrões para chamar a negociar ou lembrar que a data está próxima, tudo poderia ser resolvido sem a necessidade de paralisação?

Há quem diga que a população usuária do transporte público já está acostumada e sempre consegue dar o seu jeitinho de não perder o dia de trabalho, mas não é bem assim com todos. Quando as paralisações são surpresa muita gente se ferra. Pode até parecer que não, mas muitos vão para o ponto de ônibus ou terminal com o dinheirinho contado e sem condições de pagar transporte por aplicativo. Existe sim quem perca o dia de trabalho, quem se indigne, quem fique contra ou a favor dos patrões e dos empregados do transporte público.

Mas que novelinha chata que não vale a pena ver de novo, viu!

Hora de se pensar no futuro, em outras alternativas de modais para o transporte público, abrir concorrência para a entrada de novas empresas prestadoras de serviços e em outras estratégias de valorização do transporte coletivo e de seus trabalhadores.

Assim como o público muda de canal e acaba migrando para o transporte individual, seja de carro ou moto. E aqueles que não podem são obrigados a assistir a mesma novela em que todos já sabem o final.

Será que dessa vez vai?

Texto escrito por MÁRCIA PONTES

Márcia Pontes é escritora, colunista e digital influencer no segmento de formação de condutores, com três livros publicados. Graduada em Segurança no Trânsito pela Unisul, especialista em Direito de Trânsito pela Escola Superior Verbo Jurídico, especialista em Planejamento e Gestão do Trânsito pela Unicesumar. Consultora em projetos de segurança no trânsito e professora de condutas preventivas no trânsito. Vencedora do Prêmio Denatran 2013 na categoria Cidadania e vencedora do Prêmio Fenabrave 2016 em duas categorias.

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