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Trânsito: se o tempo parasse segundos antes da colisão, como seria? Por Márcia Pontes

Vídeos de campanhas educativas em países onde o trânsito é levado a sério costumam abordar essas questões de forma diferente. Em um canal especializado em motos, um garotão recém-habilitado quase colide com uma moto e o acidente é evitado. Quando saem de seus veículos, em vez de se provocarem e brigar, o motociclista ensina ao jovem condutor algumas coisas que farão a diferença deste momento em diante.

Quando estamos dirigindo e avistamos uma moto vindo em nossa direção, temos que entender duas coisas: motos são muito menores do que um carro e nunca saberemos precisar a velocidade com que uma moto ou até um carro estão trafegando. Sempre que você vê aquele farol único ou dois faróis próximos uns dos outros você precisa ter um espaço extra. Se estiver acelerando demais vai chegar bem depressa em rota de colisão. A regra pode parecer simples, mas consiste em: olhe duas vezes.

Antes de você virar ou fazer qualquer coisa perto de uma moto, você precisa olhar duas vezes, três, quatro, cinco, mais vezes. Se um motorista está à frente do seu veículo, dê-lhe espaço para respirar. As lanternas traseiras das motos são bem pequenas, bem menores do que a dos veículos de quatro rodas e como elas estão sempre ligadas é mais difícil saber quando os freios da motocicleta são acionados, principalmente durante o dia.

Sabe quando uma moto está saindo de trás do seu veículo e vai mais para o lado para que o motociclista possa ser visto no espelho retrovisor do motorista? É nesse momento em que a moto pode cair no ponto cego do motorista da frente, a colisão ser provocada e vem a expressão: “não vi a moto”. Ou quem sabe a expressão: “esses motoqueiros aparecem do nada”, quando na verdade no trânsito não se vê o que não se procura para se antecipar aos riscos. Olhou no retrovisor de dentro não viu, então olhe no de fora que vai estar lá.

Se o ponto cego dos espelhos retrovisores esconde veículos de quatro rodas, quem dirá uma moto, que é bem menor. É por isso que você tem que ter certeza de que não tem ninguém ali antes de mudar de faixa de tráfego.

As motos são menores que os carros, porém mais rápidas e não raro muitos motociclistas não resistem colocar a moto no próximo buraco em que acreditam que ela passe. Outro detalhe: motos freiam mais rápido que os veículos de quatro rodas também, um motivo a mais para não dirigir muito perto. Um amassadinho quase insignificante na lataria de um carro pode significar muito mais em uma moto: basta um totozinho em um local estratégico e o motociclista tomba correndo o risco de se ferir com gravidade e até perder a vida. Independente de quem seja o culpado, quem está na moto é que sempre vai levar a pior.

No filme estrangeiro – criado por pessoas de mentalidade estrangeira ao comportamento dos nossos motoristas – o tempo para, o motociclista entra no carro e dá umas voltas com o jovem condutor lhe ensinando como deve dirigir daquele momento em diante para evitar acidentes. O carro para, o motociclista desce e quando vai subir na moto o garoto do carro pede que ele não suba na moto para que as próximas cenas não aconteçam. Mas, como mesmo em filme as consequências de uma colisão não mudam a realidade por mais que o tempo pare… ouve-se o barulho confirmando o que a cena não mostra. Veja:

Todos cometem erros no trânsito, mas quando se trata de motos mesmo um erro pequeno que resultaria em um amassadinho em outro carro pode custar a vida de um motociclista. Precisamos nos ajudar da próxima vez em que formos guiar nossos veículos para protegermos uns aos outros. Todos têm o direito de voltar para as suas casas e reencontrar as suas famílias, seguirem suas vidas e deixar que a partida seja no momento certo, de preferência, por causas naturais.

O tempo só pára nos vídeos

Outro vídeo de campanha educativa americana bastante famoso e que foi um dos mais compartilhados nas redes é aquele em que um veículo vem saindo de um cruzamento e está prestes a colidir com outro. Segundos antes da colisão, o tempo pára e os motoristas descem de seus carros. Um se desculpa dizendo que pensou que ia dar tempo enquanto o outro diz que o outro apareceu do nada. Um dos motoristas disse que não ia ter tempo para parar enquanto o que cortava a sua frente no cruzamento disse que era para parar com isso porque foi um erro simples.

Aquele motorista que disse que não ia dar tempo reconheceu que poderia vir um pouco mais devagar, sem correr tanto, enquanto o outro pede por favor porque o filho dele está no banco de trás. É quando o motorista que vinha muito rápido olha pela janela do outro carro e vê o garoto sentado, a ficha cai, ele admite que estava correndo demais e pede desculpas. Só que como a vida é real e o tempo só para nos filmes, só se ouve o barulho da colisão e a frase final: outras pessoas cometem erros. Veja o vídeo abaixo:

O fato de outras pessoas cometerem erros no trânsito que podem custar a vida de outras não significa que a culpa é sempre de quem comete a infração. É um alerta para que as pessoas compreendam que nem tudo no trânsito depende da habilidade que elas têm ou pensam que têm. É um alerta para conduzirmos os nossos veículos não confiando demais nos outros e nos antecipando aos riscos no entorno. Aquele conhecido “dirigir por mim e pelos outros”.

Nos vídeos das campanhas educativas mostrados nesse post pode parecer muito legal, as pessoas admitem os seus erros, pedem desculpas e poderiam até ser amigas se a colisão não tivesse acontecido. Mas, assim como na vida real o tempo não para, a cena fecha sem evitar as consequências de erros no trânsito.

Depois que entrou em rota de colisão é questão de segundos, não dá mais para aprender a tempo de evitar o pior. Mas, para quem está lendo essa postagem da coluna e assistindo os vídeos, dá. Que possamos aprender alguma coisa boa hoje de tal maneira que possamos fazer diferente e para melhor da próxima vez que formos dirigir.

Dirija por você e pelos outros. Antecipe-se aos riscos da via, os identifique, gerencie e mude o final do filme.

Texto escrito por MÁRCIA PONTES

Márcia Pontes é escritora, colunista e digital influencer no segmento de formação de condutores, com três livros publicados. Graduada em Segurança no Trânsito pela Unisul, especialista em Direito de Trânsito pela Escola Superior Verbo Jurídico, especialista em Planejamento e Gestão do Trânsito pela Unicesumar. Consultora em projetos de segurança no trânsito e professora de condutas preventivas no trânsito. Vencedora do Prêmio Denatran 2013 na categoria Cidadania e vencedora do Prêmio Fenabrave 2016 em duas categorias.

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