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Esporte: Do Machado de Assis para o mundo. Foi-se o tempo, por Emerson Luis

Campeão Pan-Americano.

Bicampeão da Liga Nacional.

Bicampeão Paulista.

Bicampeão Pan-Americano Júnior.

Campeão do Odesur (Organização Desportiva Sul-Americana).

Medalha de bronze no Pan de Lima.

Atleta olímpico.

Rudolph vibrando com a camisa da seleção. Foto: Internet

Assim como Matheus Gabriel de Liz Correa na marcha atlética, que foi destaque na última coluna aqui no Portal, Rudolph Hackbarth é mais um blumenauense nato, que começou a praticar esporte em uma escola pública, e que vai nos representar em uma Olimpíada.

Rudolph em pé com a camisa 7, na equipe do Machado de Assis. Foto: Arquivo pessoal
Rudolph com a camisa 10 nos Jogos da Primavera no Sesi. Foto: Arquivo pessoal

Rudolph começou a jogar handebol em 2003, com nove anos de idade, no ginásio do Machado de Assis, onde estudava.

Orientado pelos professores Robson de Souza e Arlindo Barbieri, passou a integrar a partir de 2008, a equipe da Fundação Municipal de Desportos.

Posteriormente foi treinado por Newton Cipriani.

Um trabalho de base com continuidade e objetivos.

Rudolph entre os técnicos Robson de Souza e Newton Cipriani. Foto: Arquivo Pessoal

Em 2011 foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira juvenil.

Em 2015 já defendia a seleção principal.

Em 2019 fez parte do grupo que terminou em 3º lugar os Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru.

Além da melhor posição da história do país em um Mundial (9º), sediado no mesmo ano, conjuntamente por Alemanha e Dinamarca.

Após cerca de 20 dias de treinamento em Portugal, embarcou na última quinta-feira (8) para Nuremberg para a realização de um torneio.

Nesta sexta-feira (9), o Brasil enfrentou a Alemanha (perdeu por 26 x 36) e no sábado (10), encarou o Egito (e também foi derrotado por 25 x 32).

No dia 12, a delegação viaja para o Japão.

Fica treinando em Ota (20 minutos de trem até Tóquio) até a entrada na Vila Olímpica, dia 20.

Dia 23 estreia contra a Noruega.

Rudolph foi bronze no Pan de 2019 em Lima. Foto: Internet

Uma ascensão na carreira impressionante.

Que deve-se muito ao trabalho de formação.

E de participações em todas as competições escolares de Blumenau e da Fesporte (Olesc, Joguinhos e JASC).

Contudo seu talento só despontou efetivamente, a partir do instante em que foi jogar no Londrina (2014/2015) e principalmente no Pinheiros SP (2016), onde teve sequência e ritmo de jogo.

Em ação pelo Pinheiros SP. Foto: Esporte Clube Pinheiros

Para atuar no handebol europeu é preciso arrebentar por aqui.

E foi o que fez no time paulista.

Ganhou títulos, foi artilheiro, foi chamado para a seleção com frequência.

Em 2019, assinou com o Club Balonmano Ciudad de Logroño.

Aos 27 anos de idade, já está acertado com um novo clube espanhol, o Club Balonmano Huesca – dois anos de contrato.

Rudolph com a camisa do CB Ciudad de Logroño. Foto: Internet

Rudolph Hackbarth.

Do Machado de Assis, na Itoupava Seca, para Tóquio (2020).

Fabiana Gripa.

Do Henrique Alfarth, no Rui Barbosa, para Atenas (2004).

Fabiana Gripa foi campeã no Pan de 2007 no Rio. Foto: uol.com.br

Vai demorar para surgir um novo Rudolph e uma nova Fabiana.

Outras modalidades também estão com dificuldades, porém o handebol é o que mais tem sofrido.

Até porque, pasmem, não existem mais professores dando aulas de handebol nas escolas do município.

Aulas com treinadores só nas particulares.

Se bem que nas privadas, esse trabalho já foi melhor.

Perguntei para minha filha de 8 anos se ela já praticou handebol alguma vez na mesma escola que revelou as irmãs Ana e Eduarda Amorim.

Não lembra de ter brincado.

Está no terceiro ano.

O que predomina nas duas aulas da semana são o “pega-pega energia”, “pega-pega dragão” e “queimada”.

De vez em quando usam uma bola bem leve para chutar no gol.

Isso explica muita coisa.

Ana Amorim participou da Olimpíada de Atenas em 2004. Foto: Internet
Eduarda Amorim participará da sua 4ª Olimpíada. Foto: Internet

Talvez eu esteja sendo muito exigente já que o Rudolph como coloquei, começou a jogar handebol com nove anos.

Lembro que nessa faixa etária na quadra de cimento descoberta do Lothar Krieck, no Água Verde, eu jogava futebol de salão, vôlei, basquete, handebol e até fazia atletismo (salto em distância) com o saudoso professor Ariberto Vieira.

Muita coisa mudou.

Quadra de cimento do Lothar Krieck existe até hoje. Foto: EBM Lothar Krieck

Ano passado seriam implantados polos de handebol em seis escolas municipais, mas a pandemia (a culpada por quase tudo que não é colocado em prática), impediu a concretização.

Hoje não existe nenhum polo ou escolinha da modalidade em Blumenau.

Só o trabalho desenvolvido no Sesi há anos.

As duas grandes promessas do time adulto (no momento com 17 anos) chegaram por aqui com 13, 14 anos vindos de Jaraguá do Sul e Lages.

Blumenauenses em peso em um jogo de handebol no Sesi. Foto: Internet

Pamela Meira, 21 anos, é reflexo do eficiente trabalho de transição, que existia até então.

Bem provável que sirva de exemplo por muito tempo diante do atual quadro de carências que está desenhado.

A goleira que foi descoberta no polo de iniciação da Escola Pedro II, no Canto do Rio/Progresso, vai jogar no Elche da Espanha.

Pamela é fruto do trabalho de iniciação. Foto: Abluhand

Polo que era coordenado no bairro Progresso por coincidência pela ex-goleira Josinha, que se aposentou recentemente, junto com a pivô Scheyla Gris.

Scheyla, Josinha, Dai, Téia, Fabiana Gripa, entre outras, fizeram parte daquele grupo que fez história e virou referência no país.

Que fez o blumenauense gostar de handebol e lotar o Sesi algumas vezes.

Ganhou estadual, Jogos Abertos, cinco vezes a Copa do Brasil.

Uma geração vitoriosa que só teve a infelicidade de cruzar o caminho da Metodista SP (com investimento financeiro sempre superior) quando perdeu seis finais consecutivas da Liga Nacional (2006 a 2011).

Geração virou referência nacional. Foto: Prefeitura de Blumenau

Da quantidade sai a qualidade.

Pamela e Rudolph não são exceções porque o handebol era fortemente desenvolvido.

Foi até explorado na última campanha política como “uma das modalidades mais praticadas nas escolas de Blumenau”.

Não é essa a realidade.

Para se ter uma ideia, Blumenau tem apenas 12 meninas para atuar na Olesc e 8 para os Joguinhos – no adulto são 18 integrantes.

O último título do time principal foi em 2017 no campeonato estadual.

Time e torcida comemorando no Sesi em 2019, a ida para o Final Four da Liga Nacional. Foto: Sávio James Pereira

Há quem defenda que depois que a educação física foi dividida em bacharel e licenciatura, a filosofia começou a mudar.

Foi definida a vocação, a tendência de cada professor.

A licenciatura atual busca a educação geral, a educação física como um elemento social e não de cultivo ao corpo.

Já no bacharelado (a maioria dos acadêmicos), o perfil é voltado e afinado para a iniciação esportiva.

Contudo ele não é habilitado para lecionar nas escolas, a menos que faça uma pós-graduação (mestrado ou doutorado), opte por seguir carreira acadêmica e ministrar aulas em universidades.

É mais cômodo ensinar tênis de mesa, por exemplo, um dos esportes mais jogados na rede municipal.

O que não deixa de ser um contrassenso, afinal não temos uma equipe competitiva em Blumenau faz muito tempo.

Tênis de Mesa nos Jogos da Primavera. Foto: Colégio Militar

No passado escolas como Adolpho Konder, Alberto Stein, Luiz Delfino, Machado de Assis…batiam de frente com as particulares nos Jogos da Primavera.

Há um bom tempo existe um abismo.

Futsal praticado nos Jogos da Primavera. Foto: PMB

A secretaria de Educação investe 800 horas remuneradas para os professores de educação física trabalharem com o esporte escolar.

Possíveis talentos estão perdidos.

Não conseguimos identificá-los.

Falta cobrança da secretaria?

Ou não existe infraestrutura adequada?

Alguma coisa não está certa.

Jogos da Primavera. Foto: Divulgação

A escola não tem a obrigação de implantar o esporte de alto rendimento.

Mas tem a responsabilidade de incentivar a criança a praticar alguma atividade esportiva.

Apontar o caminho.

Precisamos recuperar a essência.

Ou como disse um professor, “temos tudo para entrar em um buraco negro”.

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