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Esporte: Sem torcida, sem graça, por Emerson Luis

O Portal Alexandre José andou se incomodando essa semana ao publicar na última segunda-feira (21), reportagem sobre a presença de torcedores em um jogo de futebol amador, mais exatamente no Estádio Edmundo Hort.

Se enfrentaram pela 2ª rodada da Copa Interligas, Canto do Rio e Faixa Azul, de Luiz Alves.

Vitória do Canto do Rio por 3 x 1.

Jogadores e comissão técnica do Canto do Rio. Foto: Canto do Rio

Um decreto liberou os eventos esportivos.

Com uma condição bem explícita na portaria 441: desde que não tenha público.

Competições estaduais e nacionais como a Superliga de Vôlei, Liga Nacional de Futsal e Campeonato Brasileiro de Basquete que contam com representantes de Blumenau foram ou continuam sendo jogadas sem plateia.

Com todos diretamente envolvidos na partida, testados.

É uma exigência.

Canto do Rio e Faixa Azul se enfrentaram no Edmundo Hort. Foto: Canto do Rio

Os jogos deste fim de semana foram adiados para 4 de julho por conta da polêmica.

No último dia 10, todos os nove times e suas respectivas cinco Ligas, assinaram um Termo de Compromisso com a Fesporte.

Estavam cientes da proibição.

O presidente da Liga Blumenauense de Futebol que esteve no bairro Progresso, afirmou que sozinho não conseguiu impedir a presença das pessoas no estádio.

O clube, por sua vez, comunicou que em nenhum momento foi induzido a tomar alguma atitude.

No dia seguinte, Osni José Contesini foi chamado na prefeitura para dar explicações à Força Tarefa.

O Canto do Rio não se omitiu.

Confirmou que liberou a entrada de 60 “convidados”.

Que não pode impedir a entrada de sócios.

De fato, dependendo do alvará, clubes e bares podem ficar abertos seguindo os protocolos.

Admitiu que errou, mas ao mesmo tempo ratificou que não tem condições de participar da Copa Interligas sem o apoio presencial dos parceiros e da comunidade.

Investiu em um grupo competitivo e precisa pagar a conta que não é barata (são mais de R$ 5 mil por jogo).

Uma possível suspensão com dois anos de afastamento da LBF caso não entrasse em campo também motivou a posição de liberar a entrada – Guarani e Deportivo foram punidos porque desistiram da disputa.

A organização reconheceu que no intervalo de jogo não conseguiu evitar o contato mais próximo da turma.

De qualquer maneira, cumpriu todos os procedimentos de prevenção, montou uma estrutura interna e externa bem eficiente, como mostra esse vídeo:

Contudo, o clube cometeu a falha de “passar por cima de uma determinação” estadual e municipal.

Que também aconteceu no litoral onde a galera prestigiou os times de Itajaí e Penha.

Além de Pomerode, já na 1ª rodada, dia 13, quando o Floresta venceu o Faixa Azul por 3 x 1.

Por mais que tenha ido ao Hermann Weege um público pequeno (cerca de 40 pessoas) e comportado, a PM apareceu, e as consequências foram imediatas.

Sobrou para o Vera Cruz que não conseguiu estrear em casa na 2ª rodada.

Seu confronto com o PSG de Ibirama foi adiado porque as autoridades passaram a exigir testes de Covid de jogadores e comissão técnica, arbitragem, enfim de todos que trabalham nos jogos.

Público compareceu em Itajaí para acompanhar ACEPCN e Floresta. Foto: Internet
Torcida também assistiu Beira Mar e Cruzeiro em Penha. Foto: Internet

O certo é que se a gente ir a fundo vai chegar à conclusão de que existe uma cortina de fumaça.

Uma hipocrisia coletiva.

Motivadas por alguns critérios confusos.

Supermercados, ônibus, shoppings, tabacarias, baladas, restaurantes, bares…

Cheios, lotados, um ou outro interditado.

Este ano já foram realizados por aqui competições de futebol amador com a presença de torcida.

No próximo domingo (27) estão previstos amistoso e até a final de um torneio.

“Com portões fechados”.

Alguém acredita de fato que vão impedir a entrada de alguém conhecido e atuante nos bastidores?

Pode até soar um deboche ou desrespeito.

Não vejo dessa forma.

É a lei da sobrevivência.

Os boletos chegam.

Torneio disputado no primeiro semestre com a presença de “convidados”. Foto: Internet
Público tem comparecido nos torneios de futebol society. Foto: Internet

O certo é que todo mundo relaxou.

Depois que as atividades físicas se tornaram essenciais, frequentadores de academias e de patotas, como eu, afrouxaram algumas regras.

Quase não se vê mais ninguém com máscaras.

Desde a chegada nos locais.

Até o cumprimento tradicional com as mãos.

Um ou outro ainda se toca com os punhos fechados.

Os frascos de álcool em gel estão sendo ignorados.

Depois da pelada, então, na hora da resenha e da confraternização, a coisa está “largada”.

Estamos falando de um público onde a maioria ainda não se vacinou.

Tomei a primeira dose na última terça-feira (22).

Isso não tira a responsabilidade de seguir cuidando de mim e dos outros.

Jogo amador disputado no Salto do Norte antes da pandemia. Foto: Internet

Se tem uma coisa bacana nessa vida é acompanhar uma partida de futebol amador no boteco do clube ou colado no alambrado tomando uma gelada.

Mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no momento, esse agradável lazer está proibido.

Regras precisam ser cumpridas.

Gostemos ou não.

Futebol amador sem a presença da torcida não faz sentido.

Não tem graça.

Embora não exista prazo para a liberação do público, Liga e clubes poderiam ter esperado um pouco mais.

Informações que chegam dão conta que o quadro de infecções pelo coronavírus vai voltar a alcançar o pico em Blumenau nos próximos dias.

O bom e saudoso ritual só foi quebrado porque alguém denunciou o iminente aglomero e também porque o fato ganhou grande repercussão.

Negativa e positiva.

Dividiu opiniões.

Cobrou um preço.

Mascote e torcedor em jogo no Canto do Rio. Foto: Canto do Rio

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