InícioMárcia PontesTrânsito: a tradição de muitos acidentes no Maio Amarelo, por Márcia Pontes

Trânsito: a tradição de muitos acidentes no Maio Amarelo, por Márcia Pontes

“Respeito e Responsabilidade: pratique no trânsito”. Esse é o tema do Maio Amarelo deste ano, movimento que completa sete anos e tem por tradição muitos acidentes em Blumenau e região. Não que o mês de maio tivesse que ser um mês milagroso ou salvador ou até que sensibilizasse as pessoas ao ponto de se tornarem exemplos no trânsito. O que chama a atenção é justamente por ser em maio que o apelo se torna massivo como nunca foi ao longo dos 365 dias do ano: publicações de todo o tipo, peças e campanhas publicitárias, depoimentos de vítimas e de órfãos dos seus queridos que tiveram as vidas ceifadas em acidentes. E o que se vê? Acidentes com consequências brutais. Esses acidentes sempre são provocados ou ganham mais holofotes em maio?

O Maio Amarelo foi criado para ser um movimento internacional em que durante um mês inteiro a sociedade fosse bombardeada de apelos para a sensibilização e conscientização da necessidade de um trânsito seguro. Os apelos são generalizados e amplos: não só para os demais usuários do trânsito (independente de seus papéis), mas também para os gestores, iniciativa privada, terceiro setor e órgãos de trânsito. Enfim, não deixa escapar ninguém à responsabilidade.

De 2014 a 2018 tive a oportunidade de coordenar o movimento em todo o estado de Santa Catarina e de me aprofundar nas estratégias de diálogo com a sociedade. Creio que por ter sido novidade o Maio Amarelo envolveu as pessoas mais no seu surgimento enquanto movimento, ao ponto de se sentarem à mesma mesa representantes de toda a sociedade em torno de um objetivo maior: sensibilizar as pessoas.

Lembro da Cãominhada do Maio Amarelo, a épica Corrida Pela Vida, organizada pelo Marlon, irmão do colega e especialista em trânsito Fábio Campos. Mas, lembro também de uma parceria para doação de sangue em respeito às vítimas de acidentes para a qual foi feito esquema especial de coleta e praticamente ninguém apareceu além dos doadores habituais. Muita coisa boa foi feita e outras que precisavam ser aperfeiçoadas nas outras edições. O fato é que o Maio Amarelo parece ter perdido um pouco a força em Blumenau enquanto movimento. Mais parecia que estávamos pregando para convertidos em relação à necessidade de segurança no trânsito.

Violência dispara

Coincidência ou não, se pelo fato de haver mais visibilidade em relação à acidentalidade e violência viária justamente em maio, chega a assustar a quantidade de acidentes. No último final de semana as colisões violentas e as mortes se repetiram em meio a apelos de respeito, responsabilidade e atenção pela vida. Assim como fico me perguntando se o mote “Se beber não dirija” consegue mesmo influenciar para que menos pessoas bebam e dirijam também me pergunto até que ponto o Maio Amarelo enquanto movimento de preservação da vida consegue atingir os seus objetivos individuais e coletivos.

Independente de qualquer movimento social, haveria menos dor e sofrimento se as pessoas saíssem de casa e se perguntassem antes: “o que vou fazer hoje para evitar me machucar no trânsito e para não machucar outras pessoas?”

Uma das primeiras perguntas em entrevistas e reportagens é: como resolver isso ou aquilo no trânsito? Só que o monstro é grande, o problema é complexo e as soluções passam por todos na sociedade trabalhando de uma forma integrada, sistêmica e organizada. Principalmente sem interesses políticos e politiqueiros – e essa é outra tarefa delicada e demorada.

O maior desafio continua sendo praticar os apelos do Maio Amarelo todos os dias.

Texto escrito por MÁRCIA PONTES

Márcia Pontes é escritora, colunista e digital influencer no segmento de formação de condutores, com três livros publicados. Graduada em Segurança no Trânsito pela Unisul, especialista em Direito de Trânsito pela Escola Superior Verbo Jurídico, especialista em Planejamento e Gestão do Trânsito pela Unicesumar. Consultora em projetos de segurança no trânsito e professora de condutas preventivas no trânsito. Vencedora do Prêmio Denatran 2013 na categoria Cidadania e vencedora do Prêmio Fenabrave 2016 em duas categorias.

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