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História: Blumenau e o avião (parte 2), o primeiro pouso, por André Bonomini

Fascínio, aventura e progresso. Difícil separar estes três termos quando o assunto é a aviação. Em qualquer lugar onde ela esteja, seja uma metrópole ou uma pequena cidade interiorana, a conquista dos ares sempre desperta ideias e inspirações pelos seus amantes. Tem quem sonhe em voar, sendo piloto ou mero passageiro, e tem que veja nas asas um caminho para o desenvolvimento, movimentando o transporte humano ou de cargas.

Usar o ar ao seu favor nunca deixou de sair do pensamento dos entusiastas de Blumenau e nem mesmo da classe comercial mesmo depois que o velho e valente Aeroporto Quero-Quero deixou de receber voos comerciais de empresas nacionais, lá pelos anos 1990. Hoje, é o reduto dos aficionados com querosene nas veias, além de pequenos voos comerciais que, limitados pela falta de balizamento noturno, só podem usar o aeródromo durante o dia.

Mas, em tempos áureos e idealistas, o plano de ligar Blumenau à outras cidades pelo ar parecia muito mais palpável. O ano era 1932, quase 90 anos atrás, e a ideia de inserir o avião entre a ferrovia e as águas do Itajaí-Açu era um sonho possível, considerando no projeto a ideia de ligar Blumenau a São Paulo por via aérea. Progresso para empreendedores, fascinação para curiosos que queriam ver de perto aquela máquina voadora que só viam em filmes, livros e bem a distância.

E a ideia ganhou até uma pista de pouso, a primeira da região, “montada” na pastagem de Luiz Bottger na Rua Coronel Feddersen, na Itoupava Seca, bem nas margens do rio. A data para o grande acontecimento foi assinalada: 7 de maio (ou 5 de maio, como constam alguns outros registros). Restava apenas aguardar o dia, e provavelmente todas as reações possíveis vieram, de ansiedade à espanto, de deslumbramento a medo da tal máquina que voa como um pássaro.

Holland e Ribbeck, os responsáveis pelo primeiro voo a pousar em Blumenau. Planos de ligar a cidade à São Paulo estavam sendo desenhados. O avião, um britânico De Havilland Moth DH 60. Foto: Antigamente em Blumenau

Segundo telegramas vindos de São Paulo, o avião deveria pousar em Blumenau por volta das 16h no campo preparado para o pouso. Mesmo com a chuva daquele dia, mais de 100 pessoas estavam a postos para contemplar o momento. Houve um atraso por causa do mau tempo na altura de Jaraguá do Sul, que forçou uma mudança de rota, mas as 18h daquele dia a misteriosa máquina voadora despertadora de curiosidades surgia, acompanhada do som característico do motor que rompia o silencio ansioso dos presentes.

Eis o avião! Precisamente falando, um biplano britânico De Havilland, modelo Moth DH 60, equipado com um motor de 80 HP e que podia voar a chacoalhantes 170 Km/h. No comando, o capitão Holland, acompanhado do sr. Joachim Von Ribbeck, organizador do planejado “Aero Lloyd Iguassu Fluggesellschaft”, a companhia que seria responsável por operar a rota.

O cônsul alemão em Blumenau, Otto Rohkohl, foi pessoalmente a pista receber a dupla recém-chegada. O deslumbramento era unanime: algumas pessoas extasiadas com aquele aparelho mais pesado que o ar e que voava como um colibri, outras tantas espantadas com cara de susto e outras mais sem contar a empolgação ao ver, diante dos olhos, o que só viam a distância ou em fotos e filmes.

A dupla de piloto e passageiro pernoitou na cidade, seguindo viagem na manhã seguinte para sobrevoos em Brusque e Florianópolis. No entanto, mesmo com o sucesso do voo a linha aérea Blumenau-São Paulo não daria certo. Uma outra rota, entre a cidade e Curitiba, seria aberta pela mesma companhia em 1933, permanecendo em atividade por algum tempo.

O momento do pouso, em um pasto na hoje Rua Cel. Feddersen. Extasio, espanto e fascinação diante da “máquina voadora”. Foto: Antigamente em Blumenau

Já nos anos 1950, com a aviação comercial brasileira bem mais estruturada, Blumenau passou a ser servida com voos da antiga TAC (Transportes Aéreos Catarinenses), partindo do Aeroporto de Itajaí (então Aeroporto Salgado Filho), operando cinco Douglas DC-3. O prestígio era tamanho que a empresa chegou a homenagear a cidade com um cartão comemorativo ao centenário de Blumenau, em 1950.

A TAC foi incorporada pela Cruzeiro do Sul em 1966. Já o antigo Aeroporto Salgado Filho cresceu, mudou seu nome para homenagear Victor Konder e seu voo pioneiro (que cruzara Blumenau, em 1927), recebeu ampliações em 1970 e, hoje, nada mais é do que o Aeroporto Internacional de Navegantes, um dos mais importantes do estado atualmente.

Apesar dos descaminhos do passado, a ambição de usar o ar a favor de Blumenau nunca saiu da mente de empreendedores e entusiastas. Como diria Lito Sousa, o blumenauense deslumbrado com as maquinas voadoras já estava contaminado pelo “aerocócus”, e ainda pela década de 1940 ganharia um ninho para desenvolver sua paixão e ganhar os céus, realizando antigos sonhos.

Mas isto já é uma outra história…

Leia também: Blumenau e o avião (parte 1), o voo do Phoenix, por André Bonomini

Texto escrito por ANDRÉ BONOMINI

André Luiz Bonomini (o Boina), “filho do Progresso, Reino do Garcia”. Jornalista graduado pela Unisociesc, atua desde 2013 no mundo da notícia. Apaixonado por história e poeta “de fim de semana”, teve passagens no rádio pela 98FM (Massaranduba), Radio Clube de Blumenau, PG2 (Timbó) e atua como programador musical da União FM (96.5), de Blumenau. Boina também é “escritor de fim de semana”, blogueiro e colunista.

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