InícioEmerson LuisEsporte: Pior que está, o futebol de Blumenau não vai ficar

Esporte: Pior que está, o futebol de Blumenau não vai ficar

Eu não consigo imaginar que depois de tudo o que foi produzido até aqui nos últimos anos, o futebol profissional da cidade vá piorar.

É impossível.

Nem tudo foi um fracasso retumbante.

Tivemos coisas boas também.

Contudo, a coleção de fracassos supera as virtudes.

Não há necessidade de recorrer às incontáveis decepções.

Que no contexto geral criaram um selo de incapacidade e descrédito.

Somos enxergados dessa forma.

Só que existe muito trabalho nos bastidores para reverter essa fama.

Nos dois representantes.

Por isso dá para acreditar que devemos ter, em breve, uma virada de chave.

Reunião da diretoria Executiva do Metropolitano. Foto: CA Metropolitano

A começar pelo próprio Metropolitano que ainda se recupera de mais um tombo, já que um rebaixamento para a Série B quebra as pernas de qualquer um, imagine de um clube que arrecada pouco e tem despesa alta.

A empresa que geriu o Futebol até o momento não “prestou contas” sobre a parceria que termina agora em junho.

A tendência é que o contrato não seja renovado.

É o melhor caminho.

A experiência foi válida, mas não a esperada.

Errei ao apostar que a terceirização seria a salvação do projeto.

O Metrô precisa readquirir sua credibilidade.

O ônus e o bônus sempre tiveram a assinatura de gente daqui.

Contrato entre clube e AS termina em junho. Foto: CA Metropolitano

Duas decisões anunciadas logo após o rebaixamento serão fundamentais nesse recomeço.

A principal delas é a retomada das categorias de base que estavam sem atividade desde o início da pandemia, em março de 2020.

Luis Carlos Koch que faz parte da diretoria Executiva e que por muito tempo comandou a Liga Blumenauense de Futebol deve assumir a presidência do Instituto Metropolitano.

Ficará responsável pelo serviço de formação.

Luis Carlos Koch é autor de um livro sobre a LBF. Foto: Arquivo Pessoal

O trabalho precisa recomeçar do zero.

Com peneiras nas categorias sub 15 e sub 17 e até mesmo a montagem de um time sub 20 para a disputa de alguma competição amadora no segundo semestre.

Nessa transição podem surgir jogadores para o aproveitamento no grupo principal até porque a outra boa notícia é a pretensão de participar da Copa Santa Catarina, no final do ano.

Sempre busquei entender a questão financeira (alguns meses parado sem jogos oficiais pesam na folha), entretanto jamais compreendi uma ou outra ausência, afinal em caso de título, o clube garante a vaga na Copa do Brasil e recebe na largada R$ 540 mil.

Paga a “despesa” e ainda sobra um trocado.

Treino da base em 2018. Foto: CA Metropolitano

O Metropolitano não pode esmorecer porque, em tese, seu rival, está se mexendo nos bastidores.

Rivalidade, bom que se diga, que em 2018 foi mais forte nas redes sociais do que no campo (e que pode voltar na prática em 2022).

O Metrô tinha uma equipe bem superior, tanto que foi campeão, e o BEC em boa parte da disputa brigou para não ser rebaixado – caiu o Operário de Mafra.

No turno, vitória do Metropolitano sobre o Blumenau: 3 x 0 – público de 1.703 pessoas (1213 pagantes).

No returno, vitória do BEC sobre os reservas do Metrô: 2 x 1 – público de 315 pessoas (255 pagantes).

Não conseguimos encher o Sesi em dois “clássicos”.

Claro que tudo passa por resultados, mesmo assim não concordo quem defende a construção de um estádio ou a ampliação do Sesi (em caso de municipalização) para 20 mil lugares.

Primeiro precisamos ter times confiáveis e com identidade.

O Blumenau tenta em primeiro lugar arrumar a casa e se reorganizar financeira e administrativamente.

Com isso visa recuperar a reputação e a confiança do seu torcedor.

Tem buscado o parcelamento de dívidas com credores e negociado ações trabalhistas com ex-funcionários.

Acertou as pendências na Federação Catarinense de Futebol e no Tribunal de Justiça Desportiva após a venda ano passado de 200 camisas.

Havia um engate de R$ 17 mil entre taxas e multas.

Até então estava impedido de atuar oficialmente.

Inaugurou sua sede, na rua Duarte Schuttel, 30 (transversal da Frei Stanislau Schaette), no bairro Água Verde.

Sede do clube fica no bairro Água Verde. Foto: BEC

Fechou acordo com o XV de Outubro e arrendou o Estádio Ervin Blaese por três anos.

Teve de assumir uma bronca de R$ 25 mil deixada por quem usou a estrutura na Série B de 2019 – a primeira prestação de R$ 5 mil foi paga essa semana.

Vai ter de injetar cerca de R$ 30 mil para reformar e adequar o campo.

Para cobrir esse custo está em busca de um parceiro para dar nome ao estádio, nos moldes da “Neo Química Arena” e “Allianz Parque”.

Estádio Gigante do Vale em Indaial. Foto: Arquivo Portal Alexandre José

É lá em Indaial que vai jogar a Série C com a parceria de dois anos fechada com o Joinville e anunciada em uma Live.

O JEC vai usar sua equipe sub 20 e outros atletas mais rodados que não serão aproveitados.

A comissão técnica terá o comando de Douglas Bazolli.

Douglas Bazolli será o técnico do time na Série C. Foto: Reprodução JEC

O Blumenau ainda apresentou todos os membros da diretoria liderada por Eduardo Corsini.

Cercada de pessoas da cidade e da região, especialmente Pomerode.

Gente com experiência e trânsito no futebol amador e até profissional.

A nova camisa está sendo comercializada.

Das 200 peças que ainda estão em fase de produção a R$ 99,90 (sócios têm 20% de desconto), já garantiu a venda de 100.

Além do plano de sócios, outras novidades são o passaporte para três feijoadas a R$ 100 (junho, julho e agosto) – já foram adquiridos 140.

O surgimento do mascote, a Capivara.

E a criação do BEC/PIX para doações de qualquer valor – foram depositados até agora R$ 385.

A diretoria não está com vergonha de dizer que precisa de ajuda.

Ações que têm como objetivo formar caixa para viabilizar a presença na terceira divisão, a partir de setembro.

Só a inscrição de jogadores e comissão técnica deve ficar próximo de R$ 10 mil.

Fora o que terá de gastar com transporte e alimentação nos jogos.

Até aqui tudo muito redondinho, transparente, registrado e à disposição de qualquer um.

O problema nesse processo de transição é o histórico.

O filme queimado.

E para piorar, vira e mexe aparece uma treta.

A mais recente foi nesta semana no Facebook quando Rodrigo Cascca acusou o presidente de não honrar um compromisso financeiro assumido em 2014, quando o treinador se tornou fiador de uma casa para abrigar os atletas.

Como a dívida (que hoje passa de R$ 13 mil) não foi sanada, seu CPF e o da esposa foram bloqueados.

A pegada foi forte.

Sobrou até para XV de Indaial e Joinville.

Publicamente, Eduardo Corsini não quer entrar em dividida, todavia garantiu que em nenhum momento pediu ou teve influência para que Cascca fosse avalista.

Deixou o tiroteio nas mãos de um advogado.

O enrosco pelo visto é pessoal.

O técnico afirmou que não quer conversa com o dirigente.

Espera que no mínimo, o antigo aliado pague a imobiliária, e limpe seu nome na praça.

Rodrigo Cascca e Eduardo Corsini em encontro de 2014 na Federação. Foto: FCF

Apesar de entender que não vai interferir nesse trabalho de reconstrução moral, é um assunto chato e desgastante.

Mesmo assim, para encarar o futuro sem dor de cabeça, é necessário fazer as pazes com o passado.

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