Início Márcia Pontes Trânsito: um CTB diferente para motoristas indiferentes, por Márcia Pontes

Trânsito: um CTB diferente para motoristas indiferentes, por Márcia Pontes

São 57 mudanças que começam a valer a partir do dia 12 de abril e que vão modificar o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) na sua 39ª mexida para acrescentar ainda mais retalhos à colcha. Ao longo de cada semana a coluna vai trazer todas as mudanças, com o antes e o depois das alterações. Já falamos, inclusive, sobre a renovação da CNH a cada 10 – que não é para todo mundo. Mas a questão é: de que adianta um Código de Trânsito diferente para motoristas indiferentes?

Uma coisa é certa: tem muito motorista mais preocupado com o bolso do que com a segurança, assim como tem muito gestor mais preocupado com o populismo entre os motoristas infratores do que com a real tarefa de planejar e executar ações e programas efetivos de orientação e educação para aos usuários do trânsito. A multa, por exemplo, é a infração que deu errado – e quando a infração dá errado vira o acidente que vai destroçar ainda mais vidas.

Alguns pontos dessas mudanças no CTB beneficiam e “premiam” aqueles que produzem riscos potenciais para a vida no trânsito, como por exemplo o limite de pontos na CNH para abrir o processo de suspensão do direito de dirigir, que foi ampliado de 20 para 40. Quem não comete tanta infração gravíssima poderia ter o processo suspenso com 40 pontos na CNH, mas até uma infração leve, média ou grave que seja, dependendo da situação, pode machucar, ferir gravemente e até matar alguém. Impedir de dirigir por um tempo é ou deveria ser para que esse motorista passasse por um processo de reflexão e mudança de comportamentos para não repeti-los.

Muitos adultos tendem a ser indiferentes com a proibição de transportar crianças menores de 7 anos ou que não tenham condições de cuidar da própria segurança na garupa da moto. Isso já incomodava e era uma das infrações mais cometidas por pais que levam as crianças às creches de manhã, quase dormindo, com risco de cochilar, caírem e se machucarem. Inclusive, o diálogo das professoras com esses pais para alertar não mudava em nada a atitude deles, de modo que as crianças chegavam na creche todos os dias do mesmo jeito. O que dizer da ampliação da idade para transportar crianças na moto aos 10 anos? Mais uma nuance de um CTB diferente para motoristas indiferentes.

Furar sinal vermelho no semáforo, por exemplo, é um infração das mais cometidas, de alto potencial de risco, que já fez com que muitas vidas se deformassem ou se perdessem. Com a nova mudança no CTB, se não houver um trabalho forte de orientação à população, a tendência é que fique pior. Isso porque se houver permissão de conversão à direita será permitido passar no sinal vermelho desde que se respeite a travessia dos pedestres, que não se corte a frente de outro motorista e se respeite as regras de cruzamento.

Neste ponto, o trabalho dos gestores que cuidam da segurança no trânsito deve ser intenso, sério, informativo, orientativo e abrir canais de comunicação mais eficientes com todos os usuários do trânsito. É o momento em que a sociedade deve cobrar dos governantes e dos gestores do trânsito mais seriedade no trato com o assunto e colocar no tema Segurança no Trânsito a mesma energia e teimosia que se coloca no discurso de “indústria da multa”, inclusive pelo exemplo.

Se o dinheiro da multa fosse mais importante, o motorista provavelmente pararia de fazer bobagens no trânsito. Provavelmente não teríamos tantos motoristas dirigindo sob a influência de álcool e com o estado psicomotor alterado. Começa por aí. Afinal, nem tudo se refere a pontos na carteira e pagamento de multas, mas parece que muita gente ainda não entendeu.

Continue acompanhando a coluna para compreender os prós e os contras de cada alteração no CTB nas edições seguintes.

Texto escrito por MÁRCIA PONTES

Márcia Pontes é escritora, colunista e digital influencer no segmento de formação de condutores, com três livros publicados. Graduada em Segurança no Trânsito pela Unisul, especialista em Direito de Trânsito pela Escola Superior Verbo Jurídico, especialista em Planejamento e Gestão do Trânsito pela Unicesumar. Consultora em projetos de segurança no trânsito e professora de condutas preventivas no trânsito. Vencedora do Prêmio Denatran 2013 na categoria Cidadania e vencedora do Prêmio Fenabrave 2016 em duas categorias.

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