InícioEmerson LuisEsporte: O pior time da história, por Emerson Luis

Esporte: O pior time da história, por Emerson Luis

Chapecoense 5 x 0 Metropolitano.

Contra fatos não há argumentos.

Os números são implacáveis.

Onze jogos.

Uma vitória (Concórdia).

Três empates (Figueirense, Hercílio Luz, Juventus).

Sete derrotas (Brusque, Joinville, Próspera, Marcílio Dias, Avaí, Criciúma, Chapecoense).

Gols Pró 8 – segundo pior ataque – o Criciúma marcou 6 – e também foi rebaixado.

Gols Contra 19 – a defesa mais vazada.

Saldo -11

Seis pontos de 33 possíveis.

Pior campanha entre os 12 participantes, como aponta a classificação final.

Os demais resultados da última rodada e os confrontos das quartas de final podem ser conferidos aqui na tabela.

Estreia foi com empate diante do Figueirense. Foto: Patrick Floriani/FFC

Terceiro rebaixamento seguido (2017, 2019, 2021).

A culpa de mais essa façanha é de todo mundo.

Contudo, a parcela maior é de quem juntou a turma.

Nunca se viu tamanha falta de tato e comprometimento na seleção de um elenco para uma competição tão importante.

O que redunda, de fato, na preparação mais desleixada da sua trajetória, e, consequentemente, no pior time da história nos 19 anos do Clube Atlético Metropolitano.

Time de 2019 em ação no Sesi. Foto: Sidnei Batista

Vou me tornar repetitivo, mas estava na cara que o pouco de tempo de atividade (15 dias) antes da estreia cobraria um preço caro.

Além desse aspecto previsível, outro álibi que vinha sendo utilizado nas últimas rodadas é a falta de experiência.

Paulo Massaro disse após a derrota no sul do estado que “o time se abate muito fácil depois que toma um gol e não consegue reagir”.

Só que não dá para colocar a conta apenas na imaturidade.

A maioria é jovem, fato, mas alguns jogadores além de rodagem, inclusive no exterior, começaram ou até jogaram em equipes grandes.

Que ajudam em algumas tomadas de decisões dentro de campo.

Ao menos essa era a expectativa que foi ressaltada pelos dirigentes da AS, no dia da apresentação de Dyego Coelho, o primeiro treinador, que pediu o boné após quatro jogos. (um empate e três derrotas).

Esse lastro em clubes de camisa iria ajudar.

Prognóstico que não se confirmou.

Treinamento da equipe durante a semana. Foto: Giullio Rotermel.

Vou tomar como ponto a formação utilizada no Heriberto Hulse, as opções no banco, e o perfil básico de cada um.

Números que levantei logo após a derrota de 2 x 0 por entender que aquele era o jogo-chave para não cair.

Contra o Avaí, antes, era ainda mais crucial do ponto de vista emocional.

A delegação viajou ainda mais pressionada depois da derrota por 1 x 0, em Ibirama.

Titulares:

1- Dida. 35 anos. Dispensa apresentação.

2- Carlos Eduardo. 23 anos. Construiu a carreira no interior de São Paulo e atuou no time Sub 23 do Santa Cruz PE.

3- Michel. 22 anos. Cresceu em clubes do interior de Minas Gerais. 

4- Ruan. 21 anos. Jogou na base do Atlético Mineiro, Palmeiras e Corinthians.

6- Matheus. 23 anos. Santa Cruz (Sub 23), São Carlos e Atibaia (SP)

5- Roberto. 24 anos. Fez a formação no Joinville.

8- Jardel. 24 anos. Consolidou a carreira no ABC RN.

7- Gabriel Lima. 22 anos. Pertence ao Corinthians.  

11- Jonatha. 22 anos. Saiu em 2017 do Metropolitano. Foi para Avaí (Sub 20) e CRB (Sub 23). Ano passado disputou a Série C pelo Carlos Renaux.

9- Daniel Bahia. 22 anos. Também jogou a terceira divisão pelo time de Brusque. Defendeu o Fluminense de Joinville na Série B de 2020.

10- Gustavo França. 22 anos. O Corinthians foi o primeiro clube. Foi campeão brasileiro Sub 23 pelo Internacional.

Metropolitano e Criciúma no último dia 12 no Heriberto Hulse. Foto: Celso da Luz/CEC

Reservas:

12- Mártin Becker/goleiro. 23 anos. É de Indaial, mas começou no São Bernardo SP e jogou até em Portugal.

13- Brendo/zagueiro. 25 anos. Revelado pelo Figueirense.

14- Thiago Pantera/volante. 32 anos. Já esteve no Japão.

15- Ramon/lateral esquerdo. 21 anos. Avaí

16- Vinícius Demmer/volante. 21 anos. É do clube. No primeiro semestre do ano passado foi emprestado para o União Frederiquense RS.   

17- Breno/atacante. 24 anos. Despontou no Fénix do Uruguai.  

18- Ebere/atacante. 23 anos. Nigeriano. Veio do Fluminense de Joinville.

19- Vitinho/atacante. 21 anos. Emprestado pelo Red Bull Bragantino.

20- Douglas Baldini/goleiro. 26 anos. 11 clubes no currículo. O último foi o Iguaçu de União da Vitória PR – até agora não entendi porque ficou no banco como mostra a súmula do jogo já que a comissão técnica tinha outras peças que ficaram em Blumenau.

21- Yuri/atacante. 22 anos. Base do Coritiba.

22- Cleberson/zagueiro. 18 anos. Sub 17 do Atlético Tubarão.

Tigre e Metrô no Heriberto Hulse. Foto: Celso da Luz/CEC

Não relacionados por motivo de lesão:

Felipinho/lateral. 20 anos. Rio Preto SP, Figueirense e Tombense MG.

Arthur Minotta/zagueiro. 23 anos. Divisões inferiores de Atlético MG, Vasco e Flamengo.

Berg/volante e lateral esquerdo. 22 anos. Joinville.

Suspenso:

Lazio/zagueiro. 25 anos. Já atuou na Ucrânia.

Fora por opção da comissão técnica:

Neto/goleiro. 19 anos. Prata da casa.

Jean/zagueiro. 21 anos. Emprestado pela Chapecoense.

Kevin Emmel/lateral esquerdo. 20 anos. O Corinthians é o dono do passe. Despontou no Atlético Tubarão.

Renan Wagner/volante. 29 anos. Blumenauense.

Renan Gomes/volante e meia. 22 anos. Divisões de base de Atlético MG e América MG. Estava parado até então. Assim como seu xará, não disputou nenhum jogo- Renan ao menos ficou duas vezes no banco, mas não entrou em campo em nenhum momento.

Filipe Fraga/meia-atacante. 21 anos. Avaí.

Abner/atacante. 25 anos.

Atacante Abner. Foto: egol.com.br

Curioso é que ao fazer essa pesquisa descobri que Abner foi parar no Costa Rica do Mato Grosso do Sul.

Sua última aparição entre os relacionados foi dia 24 de março, na 5ª rodada.

No último sábado (17), a assessoria de Imprensa informou no grupo de WhatsApp que Abner (que entrou no decorrer de três partidas – Joinville, Próspera e Marcílio Dias), Ruan e Gabriel (titulares em Criciúma) não faziam mais parte do elenco.

O motivo das saídas não foi explicado.

Em suma, 33 jogadores.

Média de idade do grupo: 23,1.

Claro que é covardia comparar, serve apenas como informação.

A média de idade do Flamengo é de 25,8.

A falta de experiência, no geral, não foi primordial para a queda.

Contribuiu.

Jogadores e integrantes da comissão técnica são parte do processo.

Até prova em contrário demonstraram entrega e aparentavam nos treinos e jogos estar fechados em busca de um cenário melhor.

Fizeram o que estava dentro do alcance.

O problema foi a falta de matéria prima dentro de um grupo bastante heterogêneo.

Foram poucos os destaques individuais.

Algo difícil de acontecer quando o conjunto da obra não está falando a mesma língua.

O time da Série B que conseguiu o acesso era superior a esse.

Era mais enxuto – 25 atletas.

Era mais cascudo – média de 24,4 anos.

Embora tenha enfrentado adversários limitadíssimos.

Tinha a obrigação de subir.

De todo modo, o primeiro erro foi a permanência de apenas oito cabeças (Mártin Becker, Neto, Brendo, Arthur Minotta, Roberto, Vinícius Demmer, Gustavo França e Yuri).

A espinha dorsal titular foi desmontada.

A lógica foi invertida.

Nenhum desastre acontece por acaso.

Metropolitano foi rebaixado com essa formação em Chapecó. Arte: CA Metropolitano

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