Início Emerson Luis Esporte: O BEC não está morto, por Emerson Luis

Esporte: O BEC não está morto, por Emerson Luis

Em tempos de pandemia, pode-se afirmar que o clube segue com quadro clínico instável e inspira cuidados por conta do seu histórico de comorbidades.

Já deixou a UTI.

Não respira mais com o auxílio de aparelhos.

Se encontra em tratamento na enfermaria.

Recuperando-se de um grande trauma.

Consciente para retomar sua rotina.

Contudo, convicto de que não pode mais errar ou agir com emoção, sob pena de agonizar e literalmente se enterrar.

Arte: setorsaude.com.br

Até prova em contrário, a cidade tem dois clubes de futebol profissional.

O Metropolitano que vem jogando a Série A catarinense.

E o Blumenau que não está disputando nada desde 2018 quando foi rebaixado para a Série C.

Que tem um prazo, até o próximo dia 25, para indicar um estádio onde pretende mandar seus jogos caso queira voltar.

Local que posteriormente passará por uma vistoria.

Que atenda a exigências como arquibancada para no mínimo 500 lugares, vestiários para os times e arbitragem e um campo com dimensões oficiais 105m x 68m.

O básico que nossa cidade não tem.

Humilhação que fez o Metropolitano recorrer durante sua trajetória a Timbó, Brusque, Jaraguá do Sul e Ibirama.

E que obriga o BEC a fazer o mesmo: pedir favor.

Diretores visitaram na última quinta-feira (11), o estádio Erich Rode, em Massaranduba.

Distante 41 km de Blumenau.

Estádio Erich Rode de Massaranduba. Fotos: Divulgação

Ajeitadinho, não é mesmo?

Alternativa descartada.

Como o gramado não tem o tamanho exigido e obras precisariam ser executadas, ficou inviável.

O custo foi orçado entre R$ 60 e R$ 80 mil.

O plano A voltou a ser Pomerode.

Estádio Hermann Weege de Pomerode. Foto: Jornal de Pomerode

A Associação Desportiva Floresta tem 72 anos de história.

O presidente Ivo Brehmer não descarta a ideia, sabe que lá na frente o clube também vai ser beneficiado com as mudanças.

Só que a proposta precisa ser levada para avaliação da diretoria, que não abre mão de alguns princípios.

Existe uma chance.

De todo modo, logo de cara, já foi repassado que a brincadeira não sai por menos de R$ 100 mil.

Até porque o gramado do Estádio Hermann Weege precisa ter a largura ampliada em dois metros.

Com isso cria-se um agravante: as torres de iluminação ficariam muito próximas do jogo e por questão de segurança teriam de ser instaladas no lado externo.

Não é uma simples troca de lâmpada na sala de casa.

A fatura sobe, apesar desta parte não ter sido orçada.

Menos mal que a iluminação não é exigida na Série C.

Tanto é que na tabela de 2020 todos os times jogaram à tarde.

Sociedade Esportiva Floresta tem 72 anos de história. Foto: Divulgação

O campeão da terceirona foi o Atlético Catarinense de São José.

O vice, o Nações de Joinville, e o 3º colocado, o Carlos Renaux de Brusque.

Todos conseguiram o acesso.

O Atlético Catarinense jogou no Estádio Enio Amantino da Silva que até então recebia jogos do futebol amador.

Casa do Palmeiras, do bairro do Roçado.

Dirigentes da Federação e dos clubes no Estádio Enio Amantino da Silva, em São José. Fotos: Fernando Ribeiro/FCF
Final da Liga Josefense de Futebol Amador de 2018. Foto: LJF
Campo do Palmeiras do Roçado, em São José. Foto: Google Maps

Além dos R$ 100 mil, a diretoria vai ter de correr atrás de outros R$ 200 mil para garantir o pagamento de jogadores e comissão técnica.

A competição é de tiro curto.

A última edição, muito por conta do cenário, durou só 45 dias.

É onerosa, ainda mais se até lá seguir sem público.

Um montante alto, sobretudo para quem não tem quase nada em caixa.

Ou quando tem, precisa cobrir rombos deixados por antigas gestões.

São débitos na Federação Catarinense de Futebol, no Tribunal de Justiça Desportiva e na Confederação Brasileira de Futebol.

Que precisam ser quitados, senão o time fica impedido de atuar oficialmente.

A campanha de comercialização de camisas serviu para recuperar o crédito na FCF.

BEC foi campeão da Série C de 2017. Foto: FCF

O presidente Eduardo Corsini e seus pares fizeram mágica.

Venderam camisas e levantaram grana de mensalidades de um time que não joga.

O clube devia R$ 12 mil só com pendências com o TJD.

R$ 10 mil de multa por não jogar a Série C do ano passado (que será quitado em cinco prestações de R$ 2 mil) – uma já foi acertada.

R$ 3 mil por pedir licença.

Outros R$ 2,5 mil precisam ser depositados na conta da CBF quando o boleto da federação der baixa.

É um alvará que precisa ser pago todo ano.

Fora as dívidas trabalhistas (desse atual CNPJ).

Que estão sendo negociadas como mostra essa prestação de contas.

Uma delas é de um atacante que não disputou um jogo sequer, mas colocou o clube no “pau”.

Com a FCF está tudo bem encaminhado.

O problema é a falta de estádio e, claro, de apoio financeiro.

Tudo pode mudar se de fato o Complexo Esportivo do Sesi for municipalizado, conforme proposta apresentada pelo vereador Alexandre Matias nesta sexta-feira (12).

Um tema essencial que vai levar um tempo até que todo o processo seja absorvido, vetado ou concretizado.

Precisamos ficar atentos porque os benefícios não se limitam apenas ao futebol.

BEC e Metrô se encontraram pela última vez em 2018. Foto: Bruno Vicentainer

Se o torcedor avaliar friamente, vai chegar à conclusão que o melhor caminho é esse que está sendo trilhado.

Arrumar a casa, recuperar a credibilidade, resgatar a autoestima, retornar em um cenário favorável.

Quem esperou até agora não vai se importar de “sofrer” mais um tempo.

Ou talvez não se tenha outra oportunidade.

Pode dar certo.

Como também pode jogar por terra tudo o que foi planejado.

Ao mesmo tempo, com R$ 300 mil é possível comprar um terreno e fazer por exemplo, uma sede, que não existe.

Recomeçar do zero.

Fazer mutirões.

Tal qual foi feito justamente no velho Deba.

O BEC sobrevive.

Com perspectivas.

É necessário engajamento.

Resta saber se o amor e o comprometimento pelo tricolor (independentemente de CNPJ) ainda são mais fortes do que as picuinhas e as vaidades que colapsaram os bastidores do clube e dividiram a torcida nos últimos anos.

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