Início Nutrição Nutrição: as relações da alimentação com a Covid-19, por Manoela Kraemer Fenilli

Nutrição: as relações da alimentação com a Covid-19, por Manoela Kraemer Fenilli

A pandemia está gerando cada dia mais dúvidas, incertezas, isolamentos e pessoas adoecendo. Mas não desistimos de enfrentar esse vírus instável e assustador. E o que a nutrição tem a ver com tudo isso? Há muitas relações da Nutrição com a Covid-19. E quero mostrar a vocês aqui o que se sabe de mais atual.

O cenário ideal é sempre a prevenção e esse tema só se tem uma certeza: reforço da imunidade para que se tiver contato com o vírus o próprio sistema de defesa combata na tentativa de passar assintomático ou com sinais leves na primeira fase viral e evitar que a evolução mais crítica seja ativada.

Os nutrientes com maior ação no sistema imune são as vitaminas do complexo B, presentes em peixes, arroz integral e feijão, castanhas, abacate, levedura nutricional, gema de ovo, banana, fígado, brócolis e vegetais verdes escuros. Outro componente que deve estar presente na alimentação em forma de raiz ou pó é o açafrão da terra (cúrcuma), potente antioxidante e anti-inflamatório natural, bem como gengibre e própolis verde. Dica aqui é utilizar rodelas ou generosas pitadas da cúrcuma e do gengibre em pó em preparações salgadas, sucos, vitaminas, por cima de frutas, sanduíches.

Os antioxidantes por si só já reforçam a imunidade independente da Covid-19 e alimentos fonte sempre são interessantes de incluir no dia a dia, como as frutas vermelhas e de cor arroxeadas (açaí, morango, mirtilo, uva), aveia, azeite de oliva, frutas cítricas ricas em vitamina C, melão, mamão, abacaxi, chás de cavalinha e dente de leão. Alimentos fonte de zinco como amêndoas, camarão, carne vermelha, castanhas, chocolate amargo, feijão, grão de bico e os ricos em vitamina A: fígado, gema de ovo, leite, manteiga e queijos, contribuem muito para fortalecer o sistema imune.

Além disso, a vitamina D tem sido muito enfatizada na literatura científica como uma vitamina hormônio reguladora de várias vias imunitárias no nosso organismo e temos somente o sol como principal fonte, então é extremamente importante o controle e a reposição via suplementação. Ainda em fase de prevenção ou inicial da Covid-19 é muito indicado o uso de óleo de peixe ômega 3 via alimentar (sardinha, atum, salmão, linhaça, chia) ou suplementação de 2 a 4 gramas por dia.

Destaque para dois alimentos em especial: própolis, que mostrou eficácia em pacientes com Covid-19, reduzindo tempo de internação, e laranja, a fruta mesmo com bagaço de sobremesa após almoço e jantar, rica em hesperidina, beta caroteno, fibras e vitamina C, é uma das melhores para reforçar a imunidade e combater inflamação.

Outro estudo mostrou a redução na eficácia da vacina, se o sono não estiver em dia em termos de qualidade e quantidade. E é claro que sabemos que só ele influencia na nossa saúde. Então vamos caprichar muito com planejamento, organização e higiene do sono para dormir melhor!

Falando em sintomas na fase inicial da Covid-19, como cansaço extremo, falta de energia e indisposição, um nutriente que atua diretamente na mitocôndria das nossas células gerando energia pro nosso corpo é a Coenzima Q10, que pode ser encontrada em carnes, aves, peixes, nozes, espinafre e brócolis, ela é produzida pelo nosso corpo mas após os 30 anos ocorre uma redução natural, e então em casos de pessoas com mais de 40, 50 anos e com complicações de saúde associadas a suplementação de 100 a 300mg por dia ajudaria muito no combate da fadiga.

E por último gostaria de trazer a vocês que muitos estudos têm demonstrado que pessoas acometidas pela Covid-19 tem uma redução na capacidade de metabolizar glicose no cérebro e então a dieta cetogênica, que consiste na ingestão alta de gorduras boas (castanhas, azeites, abacate, coco, queijos de boa qualidade), equilibrada em proteínas e baixa em carboidratos, especialmente carboidratos simples (bolachas, refrigerantes, salgadinhos, balas, guloseimas em geral) seria uma opção muito adequada nesses casos. A conclusão seria que o cérebro utiliza como fonte de energia mais rápida e eficiente os corpos cetônicos provenientes das gorduras. E essa dieta também age diretamente na inflamação gerada pela Covid-19.

Uma avaliação individualizada sempre é a opção mais adequada, mas deixo aqui algumas dicas com intuito de ajudar nos esclarecimentos sobre o assunto e estimular as escolhas alimentares e de hábitos saudáveis para que possamos estar cada vez mais em equilíbrio e prevenirmos não só a Covid-19 bem como outras doenças. Ótima semana a todos!

Texto escrito por MANOELA KRAEMER FENILLI

Manoela Kraemer Fenilli é nutricionista formada pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali-SC) em 2007. Pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional e Nutrição Esportiva Funcional pela VP/Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul-SP). Atendimentos personalizados com foco em modulação intestinal, emagrecimento, câncer, desequilíbrios nutricionais e nutrição para atletas e praticantes de atividade física. CRN 7668.

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