Início Emerson Luis Esporte: Uma relação de tolerância. Por Emerson Luis

Esporte: Uma relação de tolerância. Por Emerson Luis

Minha mulher esteve de aniversário na última quarta-feira (3).

Ela costuma dizer:

“De novo vais escrever sobre o Metropolitano? Tu pedes para se incomodar”.

O dever profissional não me deixa ficar indiferente.

Temos uma relação conturbada.

Que remete à 2004 (o clube nasceu em 2002) quando passei efetivamente a dar uma cobertura mais abrangente e presencial nos treinos e nos jogos.

Acompanhei direta e indiretamente todas as conquistas do time e naturalmente seus fracassos.

E é justamente nos momentos difíceis que a paixão emerge e cega.

Meia-dúzia de torcedores sentiam um prazer enorme em me xingar quando o seu representante produzia uma vitória épica ou se livrava de um rebaixamento.

Como se eu fosse responsável pela incompetência do treinador, dos jogadores e dos diretores em momentos críticos.

Fui obrigado a excluir algumas figuras coléricas que achavam que eu teria de ficar quieto e abaixar a cabeça para seus devaneios e vômitos verbais.

Um (que liderava o coro na arquibancada) quis me processar porque rebati um de seus impropérios nas redes sociais.

Se sentiu ofendido.

Queria um pedido de desculpas (público) porque afirmei que ele não teria massa encefálica suficiente para discutir futebol comigo.

Sei que peguei pesado, mas não dá para ficar inerte quando colocam em cheque a tua honra e ainda ofendem tua mãe.

Também já tive atritos com alguns treinadores.

Que não gostavam de perguntas que fugiam do óbvio.

Individualmente eram educados e prestativos.

“Te atendo a hora que você quiser”.

Coletivamente, cercado de microfones, especialmente quando as emissoras eram da capital, se transformavam – em uma explícita intenção de jogar para a torcida e “cavar” um futuro emprego.

Uma postura muita chula.

Um prato cheio nessa trajetória.

Treino do Metropolitano na Associação Altona em 2017. Foto: CA Metropolitano

Na época cheguei a sugerir que alguns fanáticos deveriam passar uma semana acompanhando as atividades da equipe para conhecer o ambiente interno do clube.

Como um setorista de rádio, por exemplo.

A ideia era fazê-los enxergar que viver o dia-a-dia do Metropolitano não é para amadores.

Pois o tempo vai passando e você vai entendendo a paixão e a motivação das pessoas.

Pior foi a ação (em vão) de cartolas que pediram minha cabeça.

Uma atitude rasteira.

De todo modo por mais que eu seja o cara chato como julgam, ajudo mais do que prejudico.

Passar pano não faz parte da minha postura jornalística.

O histórico de material produzido aqui no Portal ou em qualquer outro meio de comunicação que trabalho ou trabalhei ratifica esse apoio.

CT Romeu Georg na última quarta-feira (3). Foto: Reprodução

Agora, nesse caso especifico, o clube não tem culpa alguma de eu ter dispensado minha mulher durante boa parte desta quarta-feira para apurar informações e ainda ter de dar satisfações para quem se sentiu ofendido com determinada publicação.

Combinei com um diretor que faríamos uma matéria especial para apresentar a estrutura que estaria à disposição dos jogadores e comissão técnica no CT Romeu Georg.

Restaurante, dormitórios, sala de jogos, lavanderia, os campos para os treinamentos na Associação Altona – que foram roçados no dia seguinte…

Evidente que o VT caiu.

Contudo está tudo lá. Pronto.

Como mostram as fotos abaixo enviadas pelo mesmo dirigente.

Em suma, mostrar que o Metropolitano estava preparado (e fazendo a sua parte) para receber o novo grupo de atletas.

Tudo acertado quando de repente recebo a informação que simplesmente não havia chegado nenhum jogador no CT – a promessa era no fim de semana que passou.

E até agora, sexta-feira (5), ninguém apareceu no bairro Fidélis, exceção do massagista Marcão que está de volta depois de atuar no Brusque.

A conversa informal mais recente aponta que os trabalhos vão começar na segunda-feira (8).

André Santos. Foto: Reprodução

Não consigo ignorar o contexto envolvido.

O time voltou para a Série A.

E terá menos de 20 dias de preparação para o estadual.

A responsabilidade é da AS, mas é o nome do Clube Atlético Metropolitano que está em jogo.

Justamente na semana que foi lançada a nova campanha de sócios.

Efeitos colaterais que desgastam ainda mais a imagem do clube, por mais que se tenha pessoas comprometidas e sérias no projeto.

A estreia será contra o Figueirense, dia 25.

O jogo está marcado para Ibirama, mas as reformas no campo da Baixada não devem ficar prontas até lá, tanto é que a partida tem tudo para ser disputada na Ressacada, em Florianópolis.

A diretoria não gostou do atraso.

Muito menos das cobranças.

Indiretamente pediu para a Imprensa cobrar o responsável.  

Enviei mensagem para André Santos.

Evidentemente que o ex-lateral não respondeu.

Nenhuma surpresa.

Deve achar que aqui no interior todo mundo é tolo e que não deve satisfações.

Paulo Massaro. Foto: Reprodução

Paulo Massaro caiu antes mesmo de assinar contrato.

É o que se especula, já que nada é oficial.

Nesse achismo produzido pela falta de notícias, “chutei” que Waguinho Dias poderia acertar, logo depois de receber mensagem de um colega de Itajaí.

O burburinho por lá era grande por Waguinho não ter renovado com o Marcílio Dias.

Pelo visto, errei.

Dyego Rocha Coelho, 37 anos, ex-lateral e técnico do Corinthians (até a semana passada estava no time Sub 20), pode ser o treinador.

Como os responsáveis pela Comunicação e Marketing do clube também são os últimos a saber de alguma novidade (o que não deixa de ser um absurdo), o nome não foi anunciado oficialmente.

Apesar de não ter trabalhado no futebol catarinense, Coelho tem pedigree.

Dyego Coelho comandando o Corinthians. Foto: Divulgação

O problema é que vai precisar de muita sagacidade e sorte para formar sua comissão técnica, afinar o discurso com os integrantes do departamento de Futebol, conhecer os jogadores, acompanhar os procedimentos de praxe (exames, treinos físicos, táticos e técnicos), implantar sua filosofia e dar o mínimo de entrosamento nesse curtíssimo espaço de tempo.  

Jogo-treino?

Sem chance.

Alguém me contou hoje que essa demora era prevista, pois virão atletas das Séries B e C do Campeonato Brasileiro.

“Será um time competitivo para ficar entre os oito melhores”.

Como os jogos terminaram recentemente, a moçada pediu uma folga para descansar e planejar a mudança.

Tem lógica se de fato isso se confirmar.

Embora o silêncio e o distanciamento não se justifiquem.

Alguns concorrentes também estão com as mesmas dificuldades.

Mesmo assim, nos 19 anos de história do CAM não lembro de um planejamento tão inábil na montagem de um grupo.

 

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