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Esporte: Tudo passa pela base, por Emerson Luis

“Clube que não vende pelo menos um jogador por ano, não sobrevive”.

A máxima foi proferida por um dirigente do São Paulo na década de 90.

Justamente o time que repassou semana passada o atacante Brenner para o FC Cincinnati dos Estados Unidos por 13 milhões de dólares (R$ 70 milhões de reais).

Se uma instituição gigante como essa precisa negociar um atleta faltando quatro rodadas para terminar o Campeonato Brasileiro, ainda com chances de brigar pelo título, para não se afundar em dívidas, imagine uma equipe de menor expressão.

Que só tem calendário para um semestre, que não tem divisão nacional, sem uma cota generosa da TV (agora na Série A deve voltar a receber perto de R$ 200 mil), com parcos sócios e patrocinadores, com dívidas trabalhistas, com a base parada…

Zagueiro Gabriel Magalhães foi formado no Avaí. Foto: Avaí Futebol Clube

Dois exemplos que vêm do Avaí mostram o tamanho do impacto nas finanças.

Em 2017, Gabriel Magalhães foi vendido para o Lille da França por 3 milhões de euros (R$ 16,2 milhões na época), 

Por fim, o zagueiro de 22 anos assinou com o Arsenal da Inglaterra, por 30 milhões de euros (R$ 195,3 milhões de reais na cotação atual).

Como formador, o Leão da Ilha tem direito a uma quantia de 3% desse valor (R$ 9 milhões).

Raphinha foi formado no Avaí. Foto: André Palma Ribeiro/Avaí F.C.

Em fevereiro de 2016, Raphinha foi vendido ao Vitória de Guimarães de Portugal por 600 mil euros (R$ 2,7 milhões).

Foi para o Sporting por 6,5 milhões de euros (R$ 27,7 milhões).

Para o Rennes da França por 21 milhões de euros (R$ 91 milhões).

O Leeds United da Inglaterra anunciou a contratação do atacante de 24 anos por 17 milhões de libras (R$ 126,3 milhões).

Como o clube ganha a percentagem em toda uma futura transação no mecanismo de solidariedade da FIFA, entraram na conta mais R$ 3,8 milhões.

Dyego Coelho em jogo do time Sub 20 do Corinthians em 2019. Foto: Rodrigo Gazzanel /Agência Corinthians

Dyego Coelho, apresentado oficialmente no Metropolitano, na última quinta-feira (11), gosta de treinar a molecada.

Fez uma grande trabalho de transição no Corinthians.

Tanto é que foi promovido ao time principal onde foi o técnico por 15 partidas.

Comandou o Sub 20 em 125 jogos (71 vitórias, 31 empates e 23 derrotas) com aproveitamento de 65%.

Atualmente o elenco profissional de Vagner Mancini conta com oito garotos que passaram por suas mãos.

Coelho foi responsável pela ida de Carlos Augusto para o Monza, da Segunda Divisão da Itália, negociado por 4 milhões de euros (R$ 25,7 milhões) à vista pelo repasse de 40% dos direitos econômicos do lateral.

Carlos Augusto passou pelas mãos de Dyego Coelho. Foto: Marcelo Braga

No último dia 27 de janeiro, o técnico rescindiu seu contrato, em comum acordo.

Foram 10 anos de Corinthians.

Onde deixou um legado.

Que dificilmente vai conseguir construir por aqui.

Ao menos nesse sentido porque particularmente espero que ele tenha êxito como treinador no estadual.

Gostei muito de sua humildade, serenidade, comprometimento (deixou as três filhas e a esposa em SP), eloquência e inteligência na leitura do futebol atual.

Que passa, na sua concepção, necessariamente por atletas jovens, “com fome” como ele mesmo colocou.

Comissão técnica do Metropolitano está formada. Foto: Sidnei Batista

O problema é que o aproveitamento de pratas da casa será muito pequeno.

Não há treinamento algum.

A base está parada desde o dia 14 de março de 2020, quando a equipe fez a sua última partida pelo estadual Sub 17 – foram apenas dois jogos disputados por causa da pandemia.

A diretoria alega que não existe nenhum tipo de atividade porque espera uma determinação da FCF sobre o início das competições (Sub 15, 17 e 20 – opcional).

Geralmente elas começam em abril.

O clube não sabe se essas categorias também vão precisar se enquadrar no protocolo dos testes obrigatórios de Covid como acontece no profissional (o que geraria um custo muito alto).

Tem lógica, em parte.

Mesmo assim, não justifica.

No mínimo, mesmo sem saber quando a bola vai rolar, um núcleo tinha de estar funcionando.

Essa matéria mostra o que o Mirassol SP fez com a venda (percentual) do atacante Luiz Araújo.

Construiu um CT.

Tsumita e Léo Campos foram para o Criciúma. Foto: Reprodução Twitter

Em relação à Série B, saíram 10 jogadores.

Oito receberam propostas ou não se acertaram:

Lateral direito Digão (Bangu).

Lateral esquerdo Fábio Sá (Desportivo Brasil SP).

Volantes Róger (Próspera), Léo Campos.

Meias Tsumita (Criciúma). Beto (Rio Preto SP) e Mateus Olavo (Bangu).

E o atacante Gustavo França (América RJ).

Que eu saiba, o Metropolitano não ganhou um centavo com essas transações.

Reza o contrato que em caso de negociação, o clube fica com 30% e a parceira 70%.

O goleiro Silva (29), o mais crucificado da campanha do acesso, não tinha clima para ficar.

O volante Kauê (24) também saiu.

Fechou com o Concórdia.

Se perdeu, em tese, quase um time titular.

Dida jogará pela quarta vez pelo clube. Foto: CA Metropolitano

O elenco, por enquanto, é jovem.

O perfil que Coelho gosta de trabalhar.

E que os empresários sabem que podem faturar.

O goleiro Dida (35 anos) que está de volta depois de defender o Brusque é um ponto fora da curva, embora sua experiência seja fundamental nesse processo.

Chegaram:

Lateral direito Filipinho (20 anos) do Rio Preto SP.

Lateral esquerdo Ramon (23) do Avaí.

Meia-atacante Jonatha (22) que estava no Carlos Renaux de Brusque – começou no Metrô.

E o atacante Vitinho (21) do Bragantino.

Renovaram:

Goleiros Neto (20) e Martin Becker (23).

Zagueiros Arthue Minotta (23) e Brendo (25).

Volantes Vinícius Demmer (20) e Roberto (25).

E o atacante Yuri Martins (22).

Ou seja: cinco reforços e sete remanescentes.

Pouco, não é?

Reflexo do atraso no início da preparação que começou na segunda-feira (8).

Tem mais gente trabalhando.

Só que em muitos casos a papelada não ficou pronta para assinar.

Outros estão em avaliação.

Nomes conhecidos do torcedor como o zagueiro Júnior Fell (28) e o volante Renan Wagner (29) estão trabalhando.

Se vão ficar é outra história.

No geral, a logística é preocupante.

Afinal, a estreia é no dia 25 contra o Figueirense.

A juventude (fisicamente falando) pode amenizar o estrago.

Dyego precisará de mais tempo para colocar sua digital no time.

Renan Wagner pode voltar ao Metropolitano. Foto: Divulgação
Júnior Fell pode retornar ao clube. Foto: Reprodução

Dessa relação (oficial) apenas dois jogadores são da casa: Neto e Vinícius Demmer.

Um pai me procurou, preocupado.

O filho que jogou na base está desmotivado, pronto para desistir.

Fosse ele não desanimava.

Temos em Blumenau e na região escolinhas de futebol fortes e extremamente organizadas, tocadas por gente séria.

É um caminho até mais promissor.

Uma das referências é o Núcleo de Futebol Cristais, com sede no Caça e Tiro Velha Central.

Neste sábado (13), a NFC vai promover uma seleção de atletas.

Nesse link tem um resumo do projeto em uma matéria que produzi para o Balanço Geral da NDTV em 2019.

A meta é se tornar um centro formador.

O propósito é um só: dar oportunidade para as crianças.

Mas claro com o foco na lapidação, revelação e venda de jogadores.

O clube tem até acionistas.

Uma visão profissional.

Básica.

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