Início História História: Blumenau e o avião, eternos sonhos de Ícaro, por André Bonomini

História: Blumenau e o avião, eternos sonhos de Ícaro, por André Bonomini

Desde muito tempo, o blumenauense tem um sonho de Ícaro. Nem sempre se olha o céu por aqui com cara de assustado, amedrontado com a chuva que irá cair. Para alguns, o céu é o limite do velho desejo de poder domar a arte de se fazer pássaro e voar. Seja aprendendo a pilotar os possantes aviões ou buscando um dia recebê-los de todas as partes do Brasil e do mundo, Blumenau também tem seu cantinho reservado nas histórias da aviação em nosso estado.

E, se navegarmos por estes sonhos, quantas histórias foram escritas por aqui. Do planador pioneiro que queria sair do chão e não foi domado no ar numa manhã de vento em Gaspar, passando por um pouso visionário num pasto na Itoupava Seca e o deslumbre que fascina e convida pessoas hoje e sempre para desbravar os céus da cidade-jardim e do Vale. 

A aviação em Blumenau pode parecer assunto meramente comercial e político, mas escreve uma página de teimosia, determinação e poesia, contada por quem sonha em ser mais um Ícaro a voar por aí. E mesmo que a pista do Quero-Quero pareça um eterno vazio sem seu verdadeiro uso, há história para se contar entre as rasantes, pousos e decolagens dos que apresentaram a máquina voadora aos blumenauenses num passado distante.

Sendo assim, hoje vamos começar uma pequena série em três (até quatro ou mais, dependendo do desenrolar da coisa) partes sobre esta ligação entre o blumenauense e o desejo de explorar o ar nunca dantes voado. Uma história de pioneirismos, tristeza, façanhas e persistências que, até hoje, chama a atenção e inspira os futuros pilotos da capital da cerveja.

O Phoenix – Princípios da aventura

Já fazia algum tempo que alguns blumenauenses sonhavam em voar. Seis anos antes do pouso histórico, a cidade assistiu o primeiro cruzar de uma aeronave pelo céu. Tratava-se de um hidroavião alemão Dornier Wal que conduzia o ex-chanceler Hans Luther. 

Foto: Divulgação

Foi em novembro de 1926, despertando curiosidade em todos, especialmente num grupo que, naquele mesmo ano numa reunião no Bar e Restaurante de Oscar Gross, criaria o primeiro grupo destinado a entender a arte de voar: O Fligerbund Blumenau, ou Sociedade Blumenauense de Aviação.

Tamanha era a ambição de desbravar os ares que os entusiastas da associação ousaram ir além na história e tentarem ser os primeiros a sair do chão num equipamento de voo, provavelmente os primeiros em Santa Catarina. A ideia era construir um planador, veículo sem motor que aproveita as correntes de ar para manter-se voando. 

Um plano ousado para aqueles loucos tempos, mas muito possível para a associação, que contava com a ajuda de colaboradores e empresários da cidade muito interessados em participar da construção do que era conhecido como o primeiro planador do Brasil. Batizado de Phoenix (ave mitológica que durava séculos e, se queimada, renascia das cinzas) pelo Pastor Enders, um dos grandes entusiastas da associação, o planador era uma aeronave leve de 11 metros de envergadura e 8,7 quilos de peso por metro quadrado. Não possuía cabine fechada e não seria rebocado, mas sim atirado em um penhasco para buscar as correntes do ar. 

Mas, como todo primeiro sonho, a aventura de voar durou pouco. No lançamento inaugural, em abril de 1927, o sr. Muetze, um ex-aviador de guerra alemão que atuou nos frontes da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ignorou os fortes ventos que faziam naquele dia no local do voo, um campo localizado na atual cidade de Gaspar. O planador decolou bem, mas começou a perder altura rapidamente até se espatifar no chão. O piloto não se feriu, mas a aeronave ficou muito danificada. Chegou a ser recuperada posteriormente, mas sumiu de cena com o passar dos anos.

Vale lembrar que, em janeiro daquele mesmo 1927, os blumenauenses puderam contemplar o voo pioneiro do então ministro de viação e obras públicas Victor Konder. Assim como Hans Luther no início daquela década, a aeronave usada também era um hidroavião Dornier Wal, que voou em um trajeto feito a pedido do próprio Dr. Konder intencionalmente para sobrevoar a cidade. 

Era o voo que marcava o início da aviação comercial no Brasil passando por nossas cabeças. No entanto, outra simples passagem, mas nenhum pouso por aqui. A próxima grande aventura, alguns anos depois da passagem de Konder, seria bem mais emocionante, mas isto fica para a próxima parte.

Texto escrito por ANDRÉ BONOMINI

André Luiz Bonomini (o Boina), “filho do Progresso, Reino do Garcia”. Jornalista graduado pela Unisociesc, atua desde 2013 no mundo da notícia. Amante confesso do rádio, da música (de verdade), do automobilismo e da boa roda de amigos num dia qualquer. Apaixonado também por história, eterno louco em busca de mais um sorriso no dia a dia e poeta “de fim de semana”, teve passagens no rádio pela 98FM (Massaranduba), Radio Clube de Blumenau, PG2 (Timbó) e atua como programador musical da União FM (96.5), de Blumenau. Boina também é “escritor de fim de semana”, blogueiro e colunista. Atua no jornal A Cidade (Timbó) com coluna própria e como entrevistador. Quase todos os dias, traz A BOINA uma visão diferente do cotidiano em vários assuntos, com opinião, história e reflexões para todos os lados e gostos, além de apresentar gente muito boa na escrita em crônicas e opiniões dos colegas de jornalismo e afins.

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