Início Emerson Luis Esporte: Ou vai, ou racha! Por Emerson Luis

Esporte: Ou vai, ou racha! Por Emerson Luis

Não tenho intenção de polemizar com manchete tão radical.

Até porque não possuo tal perfil – e nem pretendo tê-lo.

Mas se depender de mim, não vou deixar que o assunto em prol da construção do estádio municipal ou de uma arena multiuso esfrie.

Se cair no esquecimento, já era.

Vou divulgar, cobrar, ajudar no que for possível.

Se a gente não conseguir colocar finalmente em prática os discursos, melhor desistir e seguir coniventes.

Integrantes do Movimento com o deputado Ricardo Alba. Foto: Divulgação

O movimento “Joga em Casa Blumenau” está ganhando força, corpo e adesão.

Agora do Blumenau Esporte Clube.

Torcedores do Clube Atlético Metropolitano (os criadores da ideia) e do BEC estiveram na Câmara.

Foram recebidos por alguns vereadores que estavam na casa naquele momento.

Na página oficial do Movimento no Facebook é possível encontrar essa e outras notícias sobre o trabalho que vem sendo feito nos bastidores.

Criadores do Movimento com o vereador Adriano Pereira. Foto: Divulgação

Apesar das incertezas, muita coisa pode conspirar a favor.

O esporte sempre fez parte da vida do atual presidente do Legislativo.

Egídio Beckhauser se elegeu muito por conta do apoio de atletas e técnicos, afinal, comandou a secretaria de Esporte e é bastante conhecido no mundo do futsal e do futebol amador.

Trio que lidera o Movimento Popular junto com Egídio Beckhauser. Foto: Divulgação

Carlos Wagner, o Alemão, comanda há anos um projeto social e esportivo por onde já passaram mais de 15 mil jovens.

O envolvimento de centenas de famílias também teve peso na sua vitória.

Carlos Wagner, o Alemão, com os organizadores do Movimento Popular. Foto: Divulgação

Os dois podem liderar esse processo.

São amigos, estão afinados politicamente e sabem o que isso pode representar lá na frente.

A dupla tem muito contato, respeito e apoio dos empresários.

E moral e trânsito suficientes para abrir portas e reivindicar demandas maiores e mais complexas, longe do alcance dos integrantes do movimento.

Como um projeto de engenharia e arquitetura, por exemplo.

Torcedores reunidos com o vereador Alexandre Matias. Foto: Divulgação

Em 2017, a Volkmann Arquitetura e Engenharia desenvolveu o projeto básico do estádio do Metrô, ao lado do CT Romeu Georg.

Foi parceira.

Não cobrou nada – a própria Prefeitura pode comandar esse processo.

Conversei com o arquiteto Mairo Volkmann.

Quis saber o valor.

“Se considerarmos todos os projetos envolvidos, de todas as disciplinas, fica cerca de 5% do investimento”.

Logo, se um estádio custa R$ 10 milhões (como o de Santana de Parnaíba SP), o valor do projeto é de R$ 500 mil.

Projeto de 2017 do Estádio do Metropolitano. Foto: Divulgação

Esse é o pontapé inicial.

Não adianta fazer mobilização e pressionar a Prefeitura sem o básico.

O grupo está tentando uma reunião com alguém do Metropolitano, mas ainda não conseguiu.

Vereador Gilson de Souza também recebeu o grupo. Foto: Divulgação

Nosso prefeito não tem o perfil para animar o processo.

Tem outras prioridades.

Mas não tenho dúvidas de que Mário Hildebrandt não se furtaria de fazer parte novamente de uma comitiva para ir até Brasília brigar por verba.

Nesta coluna de março de 2020 escrevi os detalhes sobre os valores pleiteados, os trâmites, a novela, e o próprio projeto de ampliação do Sesi, na época.

Piscina do Complexo Esportivo do Sesi. Foto: Reprodução

A propósito, Blumenau perdeu a chance de municipalizar o Complexo Esportivo Bernardo Werner.

Além da gigante estrutura oferecida ao esporte, imaginem a quantidade de autarquias que poderiam funcionar lá dentro, o quanto o poder público economizaria em aluguel.

O bonde passou.

Isso foi ratificado, inclusive, essa semana, por um empresário na própria Câmara de Vereadores.

“Sem chance de voltar o futebol”.

E não só o profissional.

Uma escolinha tentou usar o gramado.

Queria transferir seu principal núcleo para a Rua Itajaí.

Não conseguiu.

A pandemia só adiou a implantação da escola técnica do sistema S.

Complexo Esportivo Bernardo Werrner (Sesi). Foto: Fiesc

O apoio, claro, não é unânime.

Integrantes do movimento dizem que existe rejeição, sobretudo nas redes sociais.

Muito mais por desinformação.

Por supor que a Prefeitura vai tirar dinheiro da saúde e da educação para colocar no esporte.

Não é assim que funciona.

Se o a administração pública conseguir um local e animar o processo já está de bom tamanho.

O problema é que tudo é muito caro.

Área fica no bairro Fidélis. Foto: Reprodução Google

Aquele terreno de 280 mil metros quadrados, abandonado no bairro Fidélis, que pertence à Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil (onde deveria ser construído o Colégio Bom Jesus), custa R$ 25 milhões.

Caso o espaço fosse limitado ao campo, o valor cairia consideravelmente.

Indo de encontro a esse raciocínio, o vereador Bruno Cunha protocolou o seguinte documento:

Dificilmente alguém vai colocar dinheiro na frente.

Em Brasília existe verba federal destinada exclusivamente ao esporte.

E se Blumenau não se mexer, outras cidades vão tomar novamente essa grana.

Terreno que pertence à Igreja Católica tem 280 mil m2. Foto: Reprodução Google

Chapecó subiu de patamar quando o time alcançou a Série A do Campeonato Brasileiro.

A cidade se transformou.

Políticos, empresários e torcedores falaram a mesma língua.

Todos ganharam.

Arena Condá em Chapecó. Foto: chapecoense.com

Brusque é uma referência mais recente, embora também não tenha estádio para disputar a Série B este ano.

O Augusto Bauer pertence ao Carlos Renaux e não tem a capacidade mínima de 10 mil lugares exigida pela CBF.

O projeto da Arena Havan está parado por conta da pandemia – a Prefeitura doou um terreno de 84 mil metros quadrados.

Capacidade para 15 mil pessoas.

Custo inicial de R$ 15 milhões.

Saiu do papel em Brusque e em Chapecó porque as equipes conquistaram resultados, títulos.

Obras da Arena Havan devem ser retomadas este ano. Foto: Reprodução

É um processo natural e motivacional.

Que não temos.

O Metropolitano subiu, mas não empolgou.

E o BEC segue no ostracismo.

Assim como o rival, está cheio de problemas fora de campo.

Mesmo assim, precisa voltar o quanto antes.

Blumenau não vai levantar um estádio da noite para o dia.

Estancar uma sangria de egos, mobilizar uma população resignada, captar recursos…

Tudo isso demora anos.

Tempo talvez suficiente para que os times recuperem a autoestima e o crédito.

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