Início Emerson Luis Esporte: A cidade do plano B. Por Emerson Luis

Esporte: A cidade do plano B. Por Emerson Luis

Após o acesso sofrido para a Série A (se o Barra marcasse mais um gol, estaria fora), acompanhei a repercussão da classificação do Metropolitano nas redes sociais.

A maioria da torcida parabenizou a diretoria.

Mas também não faltaram críticas ao time (especialmente ao goleiro Silva e ao técnico Eduardo Costa) e por extensão à parceira que arrendou o Futebol.

Integrantes da AS 27 na apresentação de parte do elenco. Foto: CA Metropolitano.

Importante destacar que nessa sociedade quem mais se beneficiou foi a empresa.

Os salários eram de sua responsabilidade, é verdade, só que muitos jogadores foram pagos por clubes e empresários que precisavam que seus produtos estivessem na vitrine. 

Só um patrocinador com sede em Blumenau fechou por R$ 75 mil/mês – pelo contrato, 15% desse valor é do Metropolitano.     

Já paga a folha, imagino.

Embora a venda de um atleta (já tem gente fazendo lobby para negociar o lateral esquerdo e meia Léo Campos), possa salvar o ano.

Léo Campos comemora gol do Metropolitano. Foto: Divulgação

As despesas com logística ficaram com o clube. 

A conta é salgada. 

Alimentação e alojamento no CT Romeu Georg.

Se o atleta fosse casado ou tivesse filho, o aluguel do apartamento também entraria no pacote. Menos mal que ninguém veio acompanhado.  

Academia, fisioterapia, exames, consultas, vitaminas, suplementos, isotônicos…

E ainda o transporte para os cinco confrontos em Ibirama e os deslocamentos para Camboriú, Joinville, Palhoça e Tubarão. 

A a última viagem para o sul do Estado custou R$ 10 mil.

R$ 3.300 só de ônibus.

R$ 3.300 de alimentação. 

R$ 1.800 de hotel. 

E por aí vai. 

Muita coisa ainda precisa ser paga.

Tanto é que existe uma rifa na praça para ajudar nas despesas. 

A que ponto chegamos. 

Voltando ao eco da classificação.   

Muitos pedidos para o fortalecimento do elenco.

Todos sabem que precisa mudar bastante.

Senão cai de novo.

Vários protestos por jogar em outra cidade.

E o apelo para a volta das partidas em Blumenau.

Último jogo do Metropolitano em Blumenau foi em 2019.

Esqueçam o SESI. 

O Complexo Esportivo Bernardo Werner não quer mais conversa.

O próprio presidente Valdair Matias confirmou oficialmente. 

Disse que foi feito de tudo para demover a posição da FIESC.

Não deu.

Outra coisa: o campeonato começa no final de fevereiro. 

O Conselho Técnico está marcado para a próxima segunda-feira (21). 

Complexo Esportivo Bernardo Werner. Foto: Reprodução

Além da nossa vocacional letargia, alguém acredita na aparição de um salvador da pátria que vai tirar dinheiro do bolso para bancar todas as reformas?

Pouco mais de 60 dias para trocar a grama (que precisa ser padrão FIFA, assim como as medidas oficiais 105m x 68m), aumentar o campo nas laterais e automaticamente destruir duas raias da pista de atletismo, implantar sistema automatizado de irrigação…também é preciso trocar uma galeria.  

Já era.

Estádio da Baixada em Ibirama. Foto: CAHA

O investimento no Estádio Hermann Aichinger seria de R$ 600 mil. 

R$ 300 mil só para implantar o novo gramado. 

E outros R$ 300 mil para melhorar a iluminação que precisa além de novas torres ter lâmpadas de 800 lux (em Ibirama são 200 lux). 

Sem contar que precisaria ser ampliada ou construída uma arquibancada para mais 500 lugares. 

E o regulamento da Série A catarinense exige, no mínimo, 2.500 pessoas sentadas – na Baixada são 2.000 lugares.   

Querem mesmo acabar com o futebol.

E estão conseguindo. 

Estádio Augusto Bauer em Brusque, a nova casa do Metrô. Foto: Reprodução

Por isso que o acordo com o Carlos Renaux (dono do Augusto Bauer) foi fechado na última quinta-feira (17).     

Existia um contrato entre Atlético e Metropolitano que foi costurado no fio do bigode e que poderia ser ampliado, ou rompido, sem amarras. 

Tudo já foi resolvido com um telefonema e uma nota de agradecimento.

Ayres Marchetti morreu no último dia 12, com 82 anos. Foto: Fiesc

Cabe lembrar que Ayres Marchetti fez questão de não cobrar o aluguel de R$ 40 mil (quatro pagamentos de R$ 10 mil) quando soube que o público não poderia comparecer. 

O custo blumenauense foi apenas com água e energia.

Toda a troca do gramado e ampliação do campo exigidas na Série B quem bancou foi o ex-presidente.

Por isso que o futebol profissional dificilmente voltará a existir no Alto Vale, pois Marchetti tirava praticamente tudo do bolso.

O filho que assume seu lugar na empresa já disse que não vai seguir esse caminho – Ayres têm outras quatro filhas.

Não gosta de futebol, não tem interesse. 

Contudo, sabe que o legado do pai não pode acabar da noite para o dia. 

A tendência é que o estádio seja municipalizado. 

Com o nome de Ayres Marchetti. 

Nada mais justo.  

O Atlético vai seguir com a escolinha que tem mais de 100 meninos e o time de futebol feminino que é o atual campeão regional.      

O Metrô (e o BEC se um dia voltar a campo) está se tornando um clube mambembe (já jogou inclusive em Brusque, Timbó, Jaraguá do Sul e Ibirama).

Que não tem casa própria, que vive de favores, que aos poucos está perdendo sua identidade, seu DNA e sua torcida. 



 

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