Início Emerson Luis Esporte: Quem tem palavra? No futebol. Na vida. Por Emerson Luis

Esporte: Quem tem palavra? No futebol. Na vida. Por Emerson Luis

É uma boa pergunta nesses tempos onde o errado é o certo e o certo é o errado. 

Sou antiquado, caretão, das antigas. 

Da época da canção de Tião Carreiro e Pardinho que dizia:

“Quando a palavra de um homem mais que dinheiro valia.
Para se firmar um negócio, documentos não havia.
Arrancava um fio da barba e dava por garantia”.

Tião Carreiro e Pardinho. Foto: Divulgação

A agitada semana nos bastidores do futebol inspirou essa introdução. 

Especialmente a ida de Rogério Ceni para o Flamengo. 

Tudo porque o treinador tinha afirmado publicamente, há um mês, que cumpriria seu contrato no Fortaleza até o fim de 2020. 

Não cumpriu. 

O Flamengo aliciou o treinador.

Não conversou com nenhum diretor.

Alguma novidade?

Todos praticam esse expediente.

Em todas as áreas.

Talvez tenhamos exceções.

Apesar de ser “vítima” do assédio, Ceni se tornou mais um dos tantos treinadores que cobram profissionalismo dos dirigentes e tempo para trabalhar. 

Fiquei desapontado.

Mas não surpreso.

Rogério Ceni no seu primeiro dia de trabalho no Flamengo

Ceni tomou um tombo ao largar a zona de conforto e assumir o Cruzeiro.

Foi demitido após oito jogos.

Se meteu em um ninho de cobras.

O Fortaleza o acolheu novamente.

Foi uma troca.

O clube subiu de patamar com ele no comando técnico.

E o treinador se valorizou com as taças que conquistou.

Fortaleza agradeceu Rogério Ceni nas redes sociais. Foto: Fortaleza Esporte Club

Rogério Ceni é obcecado por trabalho e títulos.

É ambicioso.

Tem metas.

Era rei na capital cearense.

Poderia seguir gozando desse prestígio por um bom tempo.

Sem cobrança.

Sem pressão.

Só que também poderia se acomodar.

Estava pavimentando novamente esse caminho.

Naturalmente.

Sem pressa.

Mas não conseguiu dizer não ao Flamengo.

Rogério Ceni nos tempos do Fortaleza. Foto: Reprodução

Invariavelmente o dinheiro pesa nas decisões.

Não nesse caso.

Se quiser, Rogério Ceni não precisa mais trabalhar.

Seu salário era de R$ 350 mil no Fortaleza.

Foi para o Rio de Janeiro para ganhar, no mínimo, o dobro – o Flamengo pagou a multa rescisória de R$ 950 mil.

Independente do tamanho do desafio, não agiu de acordo com o que pregava.

Como pode ser definida a atitude de Eduardo Coudet?

O argentino trocou o Internacional, líder do brasileiro, pelo 17º colocado do espanhol, o Celta de Vigo.

O clima não estava legal no Beira Rio.

O gringo queria reforços.

O departamento de Futebol rechaçava suas declarações.

De qualquer maneira Coudet ou qualquer outro profissional pode ser taxado de traidor?

Ou antiético?

Atenção para a declaração de Vagner Mancini.

Ele foi um dos responsáveis por encabeçar um projeto de lei no Congresso para amparar os treinadores diante da nossa cultura trituradora de cabeças:

Vagner Mancini no Corinthians. Foto: Reprodução

Em junho, Mancini se apresentou no Atlético Goianiense.  

Chegou afirmando que seu objetivo era “deixar um legado” conforme pode ser conferido nessa reportagem.

O legado durou cerca de quatro meses.

Até aceitar a proposta do Corinthians.  

E então?

Você põe a mão no fogo por alguém?

Considerado Renato Portaluppi um treinador de ponta.

Um mala, é verdade.

Um ogro, muitas vezes, sobretudo em coletivas com a Imprensa.

Se acha acima do bem e do mal.

No fim das contas, aceitamos ou não, é um vencedor, tem muita estrela.

Renato Portaluppi. Foto: Reprodução

Essa semana, Renato Gaúcho fez um resumo perfeito de tudo o que vem acontecendo, não só nas entranhas do futebol.

O ex-atacante aproveitou o momento efervescente da saída e chegada de treinadores, para defender, óbvio, a classe.

Destacou ainda a insanidade coletiva em busca de um único culpado (no caso, o técnico).

Vale a pena conferir e tirar suas conclusões.

Em suma.

Em um mundo cada vez mais instantâneo e paranoico, ninguém tem moral para julgar ninguém.

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