Início Emerson Luis Esporte: Uma abraço supera um milhão de likes. Por Emerson Luis

Esporte: Uma abraço supera um milhão de likes. Por Emerson Luis

Tem um ditado que diz mais ou menos assim:

“Se fosse bom, não estaria aqui”. 

Usa-se muito essa velha máxima para profissionais da Imprensa.

Atletas e treinadores no esporte.

No fim, serve para todo mundo.

Completo agora em 2020 três décadas na mídia blumenauense.

Recebi uma vez convite para trabalhar em outro estado.

Lá no começo da carreira.

Tinha meus vinte e poucos anos. 

Estava livre, leve e solto. 

Mesmo assim, nem cogitei sair.

Nunca tive esse objetivo.

Como também jamais plantei ou cavei um espaço em outro lugar.

Lá fora seria mais um na multidão.

Não que isso me incomode.

Pelo contrário.

Gosto de discrição.

Minha família, meus amigos e o público que me acompanha estão aqui.

E é isso que importa.

Givanilton com o filho Thales em encontro no shopping.

Não há satisfação maior do que ser conhecido e principalmente ser reconhecido pelo seu trabalho nas ruas, no mercado, no shopping, nos bares, na fila do pão… 

Esse contato humanizado (e não virtual) é bom demais, alegra, fortalece, aumenta a responsabilidade, faz bem para a autoestima. 

É o melhor dos retornos. 

Nada substitui o abraço de uma criança, o aperto de mão de um pai, o olho no olho da mãe, o pedido de um alô. 

Valem por um milhão de likes. 

No último dia 8 de outubro me despedi do programa Microfone Aberto apresentado pelo colega Alexandre José na Massa FM. 

Foram cinco anos produzindo e apresentando notícias do esporte. 

Por meio de gravação por telefone celular. 

Sempre preferi fazer as participações ao vivo. 

Aumenta a concentração, melhora o improviso, configura fidelidade.

Até tentamos no início fazer as entradas em tempo real, mas a nossa gloriosa e eficiente telefonia móvel não permitiu. 

Poucos sabem o preço desta obsessão pela informação completa.

Em respeito aos ouvintes, telespectadores, leitores, não consigo entregar o produto pela metade.

Se existe a possibilidade de fazer bem feito por que, no mínimo, não tentar?

Foram muitos dias gravando boletins dentro do carro, na garagem do meu prédio. 

Às vezes, onze da noite, meia-noite, uma da madrugada…

Paralelamente minha filha de sete anos cobrava mais atenção e meu filho, de dois anos, assistia minha aflição. 

Quantas vezes a Taysa me disse:

“Pai, vem brincar com a gente”.

“Pai, larga esse celular um pouco”. 

“Pai, para de assistir tanto futebol”. 

Nunca sobrava tempo (a velha desculpa). 

Isso me arrebentava emocionalmente. 

Tentava compensar minha ausência nos domingos à tarde com algum passeio.

Ajudava, mas não bastava.

Eles mereciam mais.

O tempo voa.

Informalmente, a decisão já estava tomada. 

Formalmente, precisava cumprir meu contrato com o Osni Cipriani, da Oma Construtora, o patrocinador do quadro. 

Parceiraço que continua comigo neste espaço.      

Alexandre José, Osni Cipriani e eu em visita à sede da Oma Construtora.

Para ratificar minha decisão, um fato inusitado aconteceu duas semanas antes. 

Recebemos duas reclamações formais da síndica. 

Por causa do frio eu estava gravando no quarto do apartamento. 

Foi assim durante quase todo o inverno. 

Não costumo falar baixo. 

No entanto, também não grito. 

Quem trabalha com esporte precisa passar emoção.    

Para nossa surpresa, minha voz estava atrapalhando o sono (deduzo) de dois casais simpáticos, o de baixo e o de cima. 

Gente que nos cumprimentava no elevador com uma alegria contagiante. 

Só faltava convidar para tomar um chá. 

Minha esposa foi quem mais se decepcionou. 

Eu só fiquei indignado. 

Primeiro porque bastava um telefonema (se soubesse que estava incomodando, teria parado). 

Segundo porque só conhecemos as pessoas de fato depois da convivência. 

Amanhã posso ser obrigado a voltar.

A profissão é cíclica.  

Só que neste momento por mais que ame o rádio não existe qualquer possibilidade. 

Dei um passo para trás financeiramente falando. 

Só que o salto para frente já está sendo e será imensurável do ponto de vista emocional. 

Pena que vivemos um tempo em que um gesto que prioriza o amor, o bem estar, o desapego, não tem o mesmo reconhecimento que uma conquista material, por exemplo. 

As reações são diferentes. 

Os valores estão invertidos. 

Não há preço que pague a convivência com os filhos.  

Como também não há remédio que cure um arrependimento.  

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