Início História História: de volta ao Kieckbusch no centro de Blumenau, por André Bonomini

História: de volta ao Kieckbusch no centro de Blumenau, por André Bonomini

Ahhh, o “secos & molhados”. As simpáticas “delicatessen” que convidam qualquer um só pra dar uma olhada nas iguarias que existem por lá. Parada fascinante dos gourmets de “fim de semana” e nostalgia daqueles que ainda chamavam comércios como estes de “secos e molhados” no tempo da Tubaína e do Mandiopã. 

Você deve ter lembrança, na sua mente, aquele comércio bem tradicional de bairro. Precursor das hoje chamadas “conveniências” e até mesmo da moda dos “fifos”. Pra muita gente, no tempo de criança, acompanhar a mãe ou o pai numa ida a uma vendinha dessas podia ser sinônimo de uma guloseima surpresa ou de algumas sacolas para levar pra casa. Tudo pedido no balcão, pesado a vista do consumidor, e o tio ou tia da venda sendo alguém quase da família de tão conhecido.

Em Blumenau, algumas esquinas bem escondidas ainda guardam este tipo de casa de gêneros a salvo do avassalador crescimento dos supermercados e atacadões em cada canto. Mas só uma mexe tanto a memória de tanta gente que, mesmo passados 14 anos de seu desaparecimento, causa frisson nos mais experientes da cidade.

Fundada em julho de 1932 por Ernst Erich Heinz Kieckbusch, a tradicional Casa Kieckbusch era, talvez, a mais importante parada de secos e molhados da região central blumenauense. Localizada no antigo prédio da Confeitaria S. Katz, na esquina da Alameda Rio Branco com a Rua XV, a loja era bem mais do que um “armazém”, mas uma delicatessen de respeito, onde do básico ao único, como produtos típicos e coloniais, eram encontrados com facilidade por lá.

Em 1980, quando o antigo casarão foi demolido para dar lugar ao Edifício Flamingo. Foto: Antigamente em Blumenau

Recordações empilham-se em relatos pelas redes sociais, de quem trabalhou por lá e de quem tinha “ficha na casa” e não deixava de parar no Kieckbusch para um breve momento de compras para o lar. Iguarias produzidas na região, ingredientes para receitas típicas alemãs – como o Pumpernickel (pão preto) e até algumas utilidades domésticas. Tudo no balcão, no papo direto que acabava em conversa informal e até alguns itens a mais na lista de compras.

A primeira construção, ainda a primeira casa da antiga padaria de S. Katz, desapareceu em dezembro de 1980 para dar lugar ao que é, hoje, o Edifício Flamingo. Naqueles idos, os supermercados já eram uma realidade latente, com nomes como Pfutzenreiter, Comper, Casa 25 e outros já eram paradas para grandes ranchos do mês. Pequenos armazéns de bairro começaram a sumir do roteiro, sendo poucos sobrevivendo a modernidade.

Casa Kieckbusch já no Edifício Flamingo. Foto: Antigamente em Blumenau

E entre eles, o Kieckbusch, que resistiu bravamente nos anos seguintes, tendo já os cuidados do simpático casal Klaus e Wilhelmina Kieckbusch, que tocaram a casa até 2006, quando a correria da vida pediu um retiro merecido ao casal. Até onde vai minha memória, o casal está muito bem, sendo que dona Wilhelmina é, atualmente, presidente nacional da OASE (Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas), entidade ligada a IECLB.

Wilhelmina e Klaus Kieckbusch. Foto: Antigamente em Blumenau)

Foi-se o Kieckbusch, ficaram as lembranças e poesias de tempos provincianos de Blumenau. Onde delícia mesmo era ir a um armazém, e no papo simpático do balcão, entre compras e mariolas, sair sorrindo com uma guloseima ou com a certeza de uma boa prosa no dia… Outros tempos.

Texto escrito por ANDRÉ BONOMINI

André Luiz Bonomini (o Boina), “filho do Progresso, Reino do Garcia”. Jornalista graduado pela Unisociesc, atua desde 2013 no mundo da notícia. Amante confesso do rádio, da música (de verdade), do automobilismo e da boa roda de amigos num dia qualquer. Apaixonado também por história, eterno louco em busca de mais um sorriso no dia a dia e poeta “de fim de semana”, teve passagens no rádio pela 98FM (Massaranduba), Radio Clube de Blumenau, PG2 (Timbó) e atua como programador musical da União FM (96.5), de Blumenau. Boina também é “escritor de fim de semana”, blogueiro e colunista. Atua no jornal A Cidade (Timbó) com coluna própria e como entrevistador. Quase todos os dias, traz A BOINA uma visão diferente do cotidiano em vários assuntos, com opinião, história e reflexões para todos os lados e gostos, além de apresentar gente muito boa na escrita em crônicas e opiniões dos colegas de jornalismo e afins.

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