InícioSaúdeBlumenau não vai adotar ivermectina como medicamento padrão para tratamento de Covid-19

Blumenau não vai adotar ivermectina como medicamento padrão para tratamento de Covid-19

O secretário municipal de Saúde Winnetou Krambeck declarou nesta terça-feira (7) que a Prefeitura de Blumenau não adotará protocolos específicos para prevenção de contágio do novo coronavírus, nem para o tratamento dos pacientes já diagnosticados com a Covid-19. Segundo ele, cabe ao profissional médico avaliar qual o medicamento mais indicado para o paciente.

O tema passou a ser debatido depois que a Prefeitura de Itajaí anunciou que está implantando em toda sua rede de saúde uma proposta de tratamento preventivo ao coronavírus. O medicamento usado será a ivermectina, um antiparasitário que teria atividade antiviral contra o SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19. A intenção é oferecer o remédio como tratamento precoce a todos os moradores, para prevenir e atenuar as infecções causadas pelo coronavírus.

“Blumenau dá autonomia total aos profissionais médicos de prescreverem ou não [ivermectina], principalmente em relação às drogas que não têm indicação em estudo cientifico”, frisou Krambeck. “O risco e o beneficio é do próprio profissional. Não vamos fazer a indicação de um protocolo a nível municipal. É uma droga que está disponível. É o médico que tem que avaliar junto com o seu paciente. Não vamos assumir um protocolo quanto a essa questão porque não temos estudo científico que comprove sua eficácia”.

De acordo com o secretário, este será posicionamento do município de Blumenau até que haja a indicação de um tratamento eficaz contra o coronavírus. “Não existe um tratamento comprovado, uma indicação de que o tratamento é benéfico ou não”, disse. “Volto a dizer: medicina não é brincadeira, é coisa séria. Quando o médico prescreve um medicamento, ele tem que estar ciente dos riscos que o remédio pode fazer ao paciente. Existe todo um processo quando se faz uma prescrição médica. Não podemos prescrever por prescrever, porque lá na frente podemos colocar nosso paciente em risco”, disse.

O prefeito Mário Hildebrandt mostrou-se alinhado à fala do secretário de Saúde. Segundo ele, não há problemas caso os profissionais da rede municipal receitem este medicamento aos pacientes. “Cabe ao profissional que está lá na ponta tomar essa decisão”, comentou. “Tanto na hidroxicloroquina, quanto na ivermectina, entre outras opções. São medicações que estão disponíveis e que podem ser receitadas caso o médico ache viável”, completou Hildebrandt.

Acabou o estoque

A jornalista Bruna Merini, moradora do bairro Vila Nova, teve os sintomas compatíveis com a Covid-19 e procurou pelo atendimento no Ambulatório montado no setor 3 do Parque Vila Germânica. No local, ela foi atendida e orientada a tomar uma série de medicamentos, entre eles, a ivermectina. Com a receita em mãos, ela foi até as farmácias, mas o remédio não está mais disponível nas prateleiras.

“Não tem mais. Eu pesquisei em várias farmácias e fui informada que algumas pessoas compraram várias caixas após receber uma corrente de WhatsApp com a informação duvidosa. Com isso, o que tinha ainda foi recolhido. Eu, que sou um caso suspeito, não estou sendo medicada devidamente, como orientou o médico, enquanto algumas pessoas compraram tudo no desespero” conta.

Efeitos colaterais

De acordo com a bula da ivermectina (muito usada no tratamento e combate aos piolhos), há uma tabela quanto a relação entre o peso de uma pessoa e a dose que deve tomar. Porém, como diz o documento, o uso do medicamento é contra indicado sem o conhecimento de um médico especializado. “Pode ser perigoso para a sua saúde”, destaca um dos trechos em negrito.

Ainda de acordo com a bula, alguns efeitos colaterais podem surgir, como diarreia, náusea, falta de disposição, dor abdominal, falta de apetite, constipação e vômitos. “Também podem ocorrer: tontura, sonolência, vertigem, tremor, coceira, lesão de pele até urticária, inchaço na face e periférico, diminuição da pressão arterial ao levantar-se, e aumento da frequência cardíaca”, complementa a bula.

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