Início Emerson Luis Esporte: O futebol de Blumenau vive (ainda) do passado. Por Emerson Luis

Esporte: O futebol de Blumenau vive (ainda) do passado. Por Emerson Luis

Esse artigo é para os saudosistas.

Para quem viveu o apogeu do futebol blumenauense.

Com craques.

Com títulos.

Quando ainda existia amor à camisa.

Teixeirinha é considerado o maior craque do futebol catarinense. Foto: Reprodução

Sou de 1971.

Logo, não vi Nildo Teixeira de Melo jogar.

Apontado até hoje como o melhor jogador de futebol do estado.

Reconhecido oficialmente pela Federação Catarinense de Futebol.

Recebeu, em 2008, da FCF, justa homenagem.

Teixeirinha no Palmeiras campeão do Centenário de Blumenau. Foto: historiadofutebol.com

Teixerinha jogou no Palmeiras.

Onde foi pentacampeão da Liga Blumenauense de Futebol (1944/45/46/47/48).

E ainda do Torneio Centenário de Blumenau (1950).

Defendeu também o Olímpico (1962/63).

Evidente que eram outros tempos.

O jogador não vivia só da bola.

Precisava ralar em outro emprego.

Ratifica a força do futebol de Blumenau naqueles tempos.

Teixeirinha no Botafogo. Foto: Reprodução

Teixeirinha jogou no Botafogo de Heleno de Freitas (1947).

De lá voltou para Blumenau para atuar novamente no Palmeiras.

Retornou para o Rio de Janeiro onde defendeu o Bangu ao lado de Zizinho (1950).

Teixeirinha sendo assediado em Ibirama em 1957. Foto: Reprodução

Apesar de ter sido pré-convocado, não foi para a Copa do Mundo por questões políticas envolvendo dirigentes cariocas e paulistas que davam preferência a jogadores de seus estados.

Foi o que comentaram naquela época.

Foi indicado por João Saldanha.

Teixeirinha foi um dos grandes nomes do futebol de Blumenau.

Contudo, bom que se diga, nasceu em Tubarão.

Tem ainda uma ligação muito forte com Brusque.

Foram 11 anos no Carlos Renaux.

Morreu em junho de 2018.

Tinha 95 anos.

Morava em Balneário Camboriú.

Teixeirnha ao lado de Walmor Belz em encontro realizado em Blumenau em 2009. Foto: Valter e Carlos Hiebert

Na foto acima, ao lado de Teixeirinha, um blumenauense nato.

Dizem que Walmor Erwin Belz jogava muita bola.

Meia esquerda, camisa 10 habilidoso, foi apelidado de “Garoto de Ouro da Alameda Rio Branco”.

Foi bicampeão estadual com o Grêmio Esportivo Olímpico.

Em 1949 como jogador.

E em 1964 como médico.

Foi para o Rio de Janeiro estudar.

Tentou associar a carreira de jogador com os estudos.

Ficou no Vasco por dois meses, treinou ao lado do goleiro Barbosa, execrado após a derrota por 2 x 1 para o Uruguai, no Maracanã, na final do Mundial de 1950.

Jogou no Fluminense, o clube do coração.

Defendeu o Olaria.

No fim, optou pela medicina.

Foi um conceituado e premiado cirurgião vascular.

Dedicou 61 anos da vida ao Hospital Santa Isabel.

Dr. Walmor Belz sendo homenageado em sua despedida do Hospital Santa Isabel. Foto: Reprodução

Mesmo morando e estudando no Rio, foi campeão em 1953 e 1954 da Liga Blumenauense de Futebol, defendendo o Tupi, de Gaspar.

“Eles pagavam a passagem de avião e eu vinha jogar, pois o futebol era minha vida”, disse em entrevista concedida a RICTV Record (NDTV) em 2013 no quadro “Memórias do Esporte”.

Chorou ao lembrar da sua história.

Me emocionou.

Faleceu seis anos depois.

Aos 87 anos.

Que legado!

Walmor Belz com a faixa de campeão de 1949. Foto: GEOlímpico

Mauro Longo.

Campeão Catarinense pelo mesmo Olímpico em 1964.

Reza a lenda que era diferenciado.

Craque.

Um maestro na meiuca.

Para muitos, tecnicamente, o principal destaque nascido aqui.

Mauro Longo defendendo o Olímpico. O terceiro em pé da esquerda para a direita. Foto: Reprodução

Mauro ainda jogou no rival Palmeiras após a desativação do departamento de Futebol em 1970, mas sempre deixou claro que o Olímpico era o time do coração.

Tanto é que antes de morrer, em 2013, a seu pedido, parte de suas cinzas foram espalhadas pelo gramado do clube grená.

Amor incondicional a uma causa.

Mauro Longo também presidiu o Olímpico de 1993 a 1994. Foto: GE Olímpico.

Aurélio Sada.

Na década de 40 foi companheiro de ataque de Teixeirinha no Palmeiras.

Sadinha sempre deixava o seu no fundo da rede.

As vezes, dois, três…

Era a média de um timaço que atropelava os adversários.

Que teve a infelicidade de não ganhar o estadual.

Jogava e redigia textos para o jornal A Nação.

Tive a satisfação de conhecê-lo na Rádio Nereu Ramos em 1991.

Edemar Annuseck era o chefe da equipe.

O narrador já tinha trabalhado com o comentarista na Rádio Alvorada em 1972.

Trazia ao vivo as informações das principais equipes do país, a partir das 17h.

Ouvia em uma sala cinco a seis rádios ao mesmo tempo.

Sintonizava emissoras AM das grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte e até rádios de ondas curtas (altas frequências que permitem difundir suas emissões para longas distâncias) com improvisadas e eficientes antenas.

Tudo anotado em papel.

Faço meus textos até hoje dessa forma.

Sou antiquado como Sadinha.

Que se virava ainda muito bem diante de tantas informações que chegavam ao mesmo tempo.

Hoje tudo aquilo que fazia é possível realizar com um simples acesso a um site.

Em uma página.

Ficou fácil demais.

Sadinha nos tempos do Palmeiras. O penúltimo agachado do lado direito. Foto: Blog Adalberto Day

Aurélio Sada partiu em 2011.

Era o mestre dos trocadilhos como escreveu Gervásio Tessaleno Luz, em 29 de janeiro de 2013 no blog de Adalberto Day, nosso Google raiz, de corpo, alma e mente sã.

O historiador é um torcedor ilustre pelo Amazonas.

Foi uma honra entrevistar Adalberto Day para meu TCC de jornalismo com o tema “Por que o futebol ainda não deu certo em Blumenau?”.

Adalberto Day. Foto: Revista Caros Ouvintes

E muita gente boa jogou no emblemático clube do bairro Garcia, que deixei de fora desta relação, não de maneira proposital, mas sim porque merece um capítulo à parte.

A família Siegel, por exemplo.

Os irmãos Wilson (Nenê), Nilson (Bigo) e Adilson (Ticanca) fizeram história no Amazonas.

Amazonas bicampeão da Liga Blumenauense de Futebol em 1972/73. Foto: Blog Adalberto Day

Assim como tantas outras figuras ímpares que jogaram no Vasto Verde da Velha.

Como Alfredo Cornetet.

Ou simplesmente Quatorze.

Era um tigre!

Foi o que resumiu certa vez Seu Malinho, meu saudoso pai, ao se referir ao centroavante gaúcho que aqui constituiu família e brilhou nos gramados, sobretudo no clube do coração.

Do Vasto Verde foi emprestado ao Olímpico onde se sagrou campeão em 1964.

Quando moleque, joguei com um dos filhos dele no Vasto Verde.

Nos cruzamos também em algumas disputadíssimas peladas no campinho de barro da Antônio Hafner no Água Verde.

A fruta não caiu longe do pé.

Ricardo jogava muito!

Quatorze com a camisa do Vasto Verde. Foto: Blog Adalberto Day

Temos o xerifão Milão no Guarani (time que também jogou o estadual de 64).

E as lendas que participaram do inédito bicampeonato catarinense de futebol de salão da primeira divisão em 1976 e 1978.

Histórias fantásticas!

Equipe de futebol do Guarani na década de 60. Foto: Reprodução

Vivemos de lembranças.

De reverências ao passado.

Dos bons e velhos tempos.

Estádio Aderbal Ramos da Silva em 1962. Foto: Arquivo Histórico

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