InícioEmerson LuisEsporte: Quando a relação perde o encanto. Por Emerson Luis

Esporte: Quando a relação perde o encanto. Por Emerson Luis

Sempre fui um moleque maluco por futebol.

Daqueles de construir campinhos.  

Com foice, enxada, rastel, martelo, madeira e prego.

Pés no barro, no capim, na lama, na poeira…

Debaixo de sol, de chuva, de dia, de noite, no sereno…

Só voltava para casa quando não enxergava mais a bola.  

A nossa velha infância.

Como as coisas mudaram.

Era a década de 80. 

Nascia a paixão pelo Fluminense herdada do pai.

E o sonho de ser um jogador de futebol crescia dentro de mim.

Só que nem todos os sonhos de uma criança se materializam.  

Não dependem só dela. 

E o caminho é longo.

Meus irmãos Denilson e Jeferson, meu primo Júlio e eu, na infância no bairro Água Verde. Foto: Arquivo pessoal

Passado o trauma tentei voltar.

Nunca mais fui o mesmo. 

Desaprendi.

Travei.

Desisti.

Mesmo assim não perdi o interesse pelo futebol e tão pouco pelo futsal, com quem tinha mais afinidade.

Acompanhei as modalidades por muito tempo.

Até demais. 

Entrei no rádio, por acaso, em 1990.

Na antiga Unisul AM, hoje CBN.

Como setorista, profissional que acompanha o dia-a-dia de um clube, in loco, no estádio.

Sem internet, sem celular, sem TV a cabo…

Só o radinho de pilha como fonte de informação e inspiração.

Um valioso aprendizado.

Cometi um erro nessa trajetória. 

Fiquei bitolado. 

Demorei demais para enxergar as virtudes e a dar o devido valor a outros esportes. 

Como o basquete, por exemplo. 

Jogos que acompanhei dos times de Blumenau no Vasto Verde, no Ipiranga e até no Galegão já tinham me dado a certeza de que eu havia parado no tempo.

A intensidade de um jogo de basquete, sua imprevisibilidade, dinamismo, competitividade, integridade, a velocidade de raciocínio do atleta, as regras…tudo é planejado, respeitado e executado com extremo profissionalismo.

E ainda mais agora vendo todos os 10 episódios do documentários da ESPN “The Last Dance”, que conta a dinastia do icônico time do Chicago Bulls nos anos 90, e principalmente a trajetória do “monstro” Michael Jordan, chego ao veredicto que as emoções são incomparáveis.  

Ponto o tempo todo.

Lá e cá.

Partida que pode ser decidida no último lance.

Com o cronometro zerado.

Michael Jordan em ação pelo Bulls. Foto: Internet

O futebol está no sangue, faz parte da minha vida.

Passou de geração para geração.

E não deve parar.

Meu moleque de dois anos já foi vacinado.

Virou tricolor.

Aliás, toda a família, por livre e espontânea pressão.

Só que cansei do “zero a zero tá de bom tamanho”.

Do “empate fora de casa é bom resultado”.

E ainda do “vamos jogar com o regulamento debaixo do braço”.

O futebol não produz mais o mesmo prazer.

A relação esfriou, perdeu o encanto.

Madison Square Garden, templo do basquete em Nova York. Foto: Internet

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