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Política: na hora da crise que os bons e os maus líderes aparecem, por Luiz Carlos Nemetz

Dentre incontáveis lições que podemos tirar dessa gravíssima crise epidêmica pela qual passa a humanidade, uma me chama a atenção, pois está intimamente ligada ao tema sobre o qual me comprometi a refletir aqui no Portal Alexandre José: política!  

Refiro-me à crise de lideranças. Decidir em tempos de mar de brigadeiro é mamão com açúcar. Todo mundo sabe. Mas, quando a coisa aperta e o mar fica revolto, aí é a hora de o craque aparecer para liderar. E o que estamos vendo? Em princípio, dilemas muito, mas muito difíceis de serem resolvidos, mesmo para os melhores e mais experientes líderes.

Numa brevíssima explicação, desde os tempos de Moisés que liderou a libertação do povo judeu da escravidão no Egito, as nações encontram um choque de natureza ética e filosófica entre duas grandes escolas: utilitaristas e universalistas.

Em um resumo extremo os utilitaristas são aqueles que dizem:

“-temos que mandar 100 mil jovens para morrer na guerra para salvar milhões!”

Já os universalistas  pregam o axioma que diz:

“-a vida humana não tem preço!”

Um utilitarista famoso foi o britânico Winston Churchill, considerado por muitos o principal estrategista, que libertou a humanidade do nazismo no século passado. Um universalista famoso foi o indiano Mahatma Gandhi, um pacifista memorável, que também teve grande influência em todo o mundo no curso do século XX.

Vale a pena assistir excelentes biografias de ambos ao dispor do público em livros, documentários e filmes na internet (eis aí um bom programa para uma longa quarentena). Agora, neste exato momento, o choque entre as duas escolas é visível.

Existem lideranças universalistas pregando rigorosa quarentena horizontal, ou seja, o isolamento social absoluto, compulsório e inflexível para salvar o maior número de vidas, independentemente do desastre econômico que isso causará.

E também existem lideranças utilitaristas pregando o isolamento vertical, ou seja, o isolamento rigoroso somente das pessoas que integram grupos de risco, com a flexibilização das atividades de todos os demais (adotando-se cuidados sanitários) para o fim de não quebrar a estrutura econômica do país.

Quem está certo? Difícil de dizer, não é mesmo? Aparentemente ambas as correntes têm consistentes argumentos favoráveis e contrários. Então se estabelece um dilema e um confronto ético e filosófico de grandes proporções.

Por isso, não adianta dizer que a filosofia, a ética e a política não estão presentes diretamente no nosso dia a dia, pois estão. Daí que a primeira percepção que temos é com relação aos nossos votos. Se for nos momentos difíceis, que o bom timoneiro aparece, também é nessas horas, que os péssimos representantes se expõem.

Enquanto estamos vendo alguns líderes tomarem decisões duras, mas firmes e difíceis para ambos os lados, estamos vendo uma chuva de pernas de pau oportunistas, malandros (no sentido de andar pelo caminho do mal), que, aliás, é a grande maioria. É nessa hora que podemos avaliar e refletir sobre o nosso voto. E perceber, como votamos mal elegendo péssimos líderes.

E como só pode ocorrer nas encruzilhadas da vida, não há nada de errado em termos um grande dilema sobre qual caminho devemos percorrer ou quais escolhas devemos fazer, quando a questão é muito complicada. Tudo de errado está nas lideranças políticas que somem garbosamente nas horas difíceis.

Primeiro de tudo, procure aí, e veja se ao menos encontra o seu eleito para saber o que ele pensa, como está agindo ou se não está escondidinho da Silva fazendo como Pilatos, só lavando as mãos. Observe toda a hierarquia: vereadores, prefeitos, deputados estaduais, deputados federais, senadores e presidente da República.

Veja se nessa hora eles estão sendo coerentes, firmes, honestos com suas histórias e se estão efetiva e realmente pensando na população e honrando as suas escolhas feitas através do seu voto. Pergunte a você mesmo: eles poderiam fazer mais ou melhor?

Não importa que estejam em dúvidas ou decidindo mal. Isso faz parte. O que está errado é se eles estão somente pensando neles e nos seus. A hora é de fazer política e pensar em eleições? Se os nossos representantes estão fazendo só isso, então estamos ferrados.

É hora de fazer sacrifícios? Se os nossos eleitos estão fazendo isso pensando no bem comum, então está tudo certo que eles proponham que o Estado banque a conta dos milhões que estão com sua saúde e suas finanças em risco. Mas, se eles não abrem a boca para falar em cortar os próprios privilégios, que são muitos, então está tudo muito errado.

E, particularmente, com muitas excessões, o que tenho visto é políticos e ocupantes das estruturas dos Municípios, Estados e União, do Legislativo e do Judiciário falar em tudo, menos em renunciar às verbas de gabinete; às mordomias dos vinhos e dos banquetes que não se justificam mais nem numa corte imperial; dos carros com motoristas; das dezenas de auxílios disso e auxílio daquilo anexados às gordas e estratosféricas folhas de pagamento que em muitos casos ultrapassam os R$ 100 mil por mês.

Dos exageros dos cargos comissionados; dos cargos de gabinetes; das farras das diárias, das passagens aéreas, dos milhões gastos em pó de café; dos planos de saúde que só os reis têm; dos palácios suntuosos (só no Poder Judiciário temos mais de 100 Tribunais instalados em estruturas físicas milionárias espalhadas pelo país corroendo o nosso dinheiro); das estruturas perdulárias e quase inúteis dos Tribunais de Contas (função que o Ministério Público pode exercer); e de todos os outros penduricalhos que consomem bilhões e bilhões dos cofres públicos e que agora faltam para a estrutura de saúde.

Só para ficar com um simples exemplo: olhe na sua cidade, o tamanho da estrutura da Prefeitura e do Fórum. Some os funcionários, secretários, cargos comissionados e as mordomias. Depois de observar, pergunte: temos um hospital com as mesmas condições? Se a resposta for não, então está tudo errado! E a hora é de mudar!

É chegado o tempo da população pôr o pé na porta! Um não! Os dois pés nas portas! Para acabar para sempre com as mordomias de toda (eu disse toda) a estrutura do Estado brasileiro que está entranhada nos três poderes, sem exceção. Utilitarismo para mantermos o Estado presente, forte e saudável onde ele precisa estar com a coragem de cortar os inúteis e as inutilidades que os beneficiam. Universalismo para exigirmos que todos sejam realmente iguais, sem privilégios ou concessões, pois só isso que salva vidas e faz uma nação grande.

A hora é de tomar decisões! Se nossos políticos são bons, vamos enaltecê-los e prestigiá-los! Se forem maus e fazem o mal, vamos jogá-los nas latas do lixo. Sim, a hora é de tomarmos decisões!

Se não fizermos isso agora, de uma forma consciente, atenta e participativa; em breve teremos que fazer na força, pois será a nossa única opção. Pode anotar aí…

Texto escrito por LUIZ CARLOS NEMETZ

Luiz Carlos Nemetz é sócio fundador da Nemetz, Kuhnen, Dalmarco & Pamplona Novaes Advocacia. Atua na Gestão Estratégica e nas áreas do Direito Médico e da Saúde, Direito de Família e Direito Empresarial.

Especialista em Economia e da Empresa (pós-graduação) pela Fundação Getúlio Vargas, habilitação para Docência, bacharel em Direito pela Universidade Regional de Blumenau na turma de 1983.

Professor concursado de Direito Processual Civil e Direito Econômico da Universidade Regional de Blumenau (FURB), onde atuou por 17 anos. Professor das cadeiras de Direito das Coisas e Direito Processual Civil, Execuções, pela Faculdade Bom Jesus de Blumenau (FAE), no ano de 2009.

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