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Política: a tragédia da Covid-19 é potencializada por Carlos Moisés, por Luiz Carlos Nemetz

A pandemia do novo coronavírus está fazendo vítimas mundão afora. Em Santa Catarina, ela se faz mais intensa, ampla e frequente. Nos coloca frente a frente com um grave erro, que cometemos de boa fé. Refiro-me à eleição de um governador supreendentemente despreparado para o cargo, omisso, confuso, titubeante e o que é pior: sem o devido zelo e cuidado com o escasso dinheiro público.

É de se estranhar muito o que está acontecendo no nosso Estado. Já tínhamos nítidos sinais da incapacidade política e gerencial de Carlos Moisés, que – sem personalidade ou carisma – se voltou contra seus próprios eleitores e contra a ideologia que o elegeu. Nesse um ano e pouco de governo, já se mostrava um líder distante, vaidoso, encastelado, preguiçoso. O típico modelo do funcionário público acomodado (que não representa e nem deve servir de referência para a grande maioria dos servidores do Estado, gente de luta e com compromissos com o bem comum).

O governador mais ausente da nossa história só era visto com frequência nos saraus musicais onde se apresenta como cantor de botequim, acompanhado de um vilão fora do tom, que parecem ser a sua grande alegria. De se estranhar muito. Primeiro por Santa Catarina ser referência mundial em gerenciamento de crises. Temos vários exemplos que forjaram a índole guerreira do nosso povo e a nossa história. Os mais recentes foram: a epidemia de poliomielite, quando em atitude extremamente corajosa e visionária, o ex-governador Jorge Bornhausen trouxe a Santa Catarina o cientista mundialmente famoso Albert Sabin para aplicar vacinação em massa e interromper a evolução da doença.

Depois, enfrentamos as catástrofes inimagináveis. Em 1974, a enchente que devastou Tubarão, no Sul de Santa Catarina. Em 1983 e 1984, as destruidoras cheias nos Vales do Rio Itajaí e Tijucas. Em 2008, novas catástrofes em praticamente todo o Estado. Foram dias terríveis. Perdemos muitas vidas, mas vencemos as guerras. Temos experiência com o luto, com as perdas, com a dor. Bem por isso, somos Estado referência em estrutura de Defesa Civil. E temos um bem traçado plano estratégico para enfrentar problemas de saúde em massa, como é o que estamos vivendo. E, esse plano, que foi elaborado de forma cuidadosa e minuciosa por especialistas de vários governos anteriores, vem sendo solenemente ignorado por Moisés e sua equipe.

Nesse documento, está claramente previsto que a última fase do enfrentamento de uma crise coletiva de saúde é a construção de hospitais de campanha. Antes disso, temos várias outras medidas muito mais rápidas, eficazes e baratas para serem tomadas, como por exemplo: a adaptação de leitos de UTI, a ocupação de estruturas hospitalares desativadas, etc. Mas, de forma estranha e muito, mais muito suspeita, o governador, valendo-se de um Decreto de Emergência, faz uma licitação obscura e nebulosa, a toque de caixa, para contratar por R$ 76.944.253,58 um Hospital de Campanha para ser instalado em Itajaí, no litoral Norte.

Esse valor é contestado por vários especialistas e está claramente com sobre faturamento. Ou seja: há indícios de que há gente no governo do Estado se valendo de uma situação de extrema dificuldade para ganhar dinheiro no momento em que o dinheiro deveria ser usado exclusivamente para salvar vidas. Isso, depois do governador ter contratado, no auge da crise, uma agência para fazer publicidade para o Governo, pelo valor de R$ 2,5 milhões de reais. Sob qualquer ângulo que se observe, isso é inadmissível, inaceitável e não pode ser suportado nem tolerado pelas autoridades, nem pela população de Santa Catarina.

No tempo da informação na velocidade do pensamento, as reações foram imediatas e é urgente que se avolumem para se transformar num clamor incontido. Moisés é um bombeiro militar experiente. Chegou ao topo da carreira. Deveria se postar e se portar como um líder sensível, firme e eficiente nesse momento crítico. Mas se revela um fraco e péssimo governador. Sairá como a maior vergonha da nossa história!

A única boa lição que tiramos desta página nebulosa desse lamentável período é que não podemos nunca mais votar num número como fizemos em 2018, quando na paixão da onda Bolsonaro (que, aliás, foi um grande acerto) acabamos cometendo o gravíssimo engano de colocar à frente do nosso Estado um aventureiro despreparado. Felizmente 2022 está logo ali.

Texto escrito por LUIZ CARLOS NEMETZ

Luiz Carlos Nemetz é sócio fundador da Nemetz, Kuhnen, Dalmarco & Pamplona Novaes Advocacia. Atua na Gestão Estratégica e nas áreas do Direito Médico e da Saúde, Direito de Família e Direito Empresarial.

Especialista em Economia e da Empresa (pós-graduação) pela Fundação Getúlio Vargas, habilitação para Docência, bacharel em Direito pela Universidade Regional de Blumenau na turma de 1983.

Professor concursado de Direito Processual Civil e Direito Econômico da Universidade Regional de Blumenau (FURB), onde atuou por 17 anos. Professor das cadeiras de Direito das Coisas e Direito Processual Civil, Execuções, pela Faculdade Bom Jesus de Blumenau (FAE), no ano de 2009.

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