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Esporte: A prestação de contas no futebol blumenauense é uma raridade, por Emerson Luis

Não lembro nos meus 30 anos de Imprensa de ter sido convidado para acompanhar um demonstrativo de contabilidade dos clubes de futebol profissional da cidade. 

Tanto Blumenau Esporte Clube como Clube Atlético Metropolitano.

Se eu estiver enganado, por favor, me corrijam. 

Não é regra. 

Guardada as devidas proporções, há exceções.

Como o Flamengo.

No site é possível ver a prestação de contas de vários departamentos do clube.

Ronaldo Alfredo (último agachado à direita) no Bragantino. Foto: Internet

A Massa Falida do BEC recebeu no fim do ano passado R$ 2,1 milhões do Clube Atlético Bragantino SP referente à promissória de um empréstimo nunca pago de um jogador na década de 80.  

Repercutimos o assunto e as possíveis consequências aqui no Portal.

Algum torcedor bequiano lembra da transação?

Nem eu.

Acredito que foi a ida de Ronaldo Alfredo para o time paulista. 

O atacante nasceu em Itajaí, mas começou a carreira no BEC, em 1985.

Em 1987 foi para o Fluminense. 

Permaneceu no Rio até 1990, quando se transferiu para o Bragantino SP. 

Ruan Oliveira se destacou no Metrô no Catarinense de 2019. Foto: CA Metropolitano

O Metropolitano vendeu alguns jogadores nos seus 18 anos de existência.

Principalmente quando o time estava bem, brigando por alguma coisa.

Quando se criava uma expectativa positiva, o(s) cara(s) ia(m) embora.

Até hoje, exceção da saída de Maurinho, em 2012, não lembro do clube ter divulgado detalhes de qualquer tipo de transação.

A mais recente foi a do meia-atacante Ruan Oliveira para o Corinthians. 

Só soube das tratativas ano passado porque uma fonte me confidenciou.

Apertei o presidente Valdair Matias.

Que respondeu prontamente que se tratava de um empréstimo de R$ 100 mil até 31 de março deste ano.

E que a menor fatia do bolo ficou com o Metropolitano.

Só 10%.

O passe do menino de 19 anos já estava todo fatiado entre agentes, empresários e investidores.

Caso seja comprado em definitivo, o valor fixado é de R$ 1 milhão de reais.

Ou seja: se Ruan ficar no Timão, o Metrô recebe apenas R$ 100 mil.

Difícil absorver.

Só que esse expediente sempre existiu dentro do clube.

Sem dinheiro em caixa, se recorre aos “suprimentos” de diretores e parceiros.

Como geralmente não há condições de devolver o dinheiro, em troca, são oferecidos porcentuais de atletas com potencial de negócio.

Ruan disputou oito jogos na Copa São Paulo e marcou dois gols. 

Ruan Oliveira em ação no Corinthians. Foto: Internet

O caso do lateral esquerdo Diego é emblemático.

Despontou no Metropolitano.

Foi para o Joinville em 2015.

No acordo firmado, dividiriam os direitos econômicos do atleta em caso de negociação.

Em 2108, Diego se transferiu para o futebol japonês.

Foi para o Tokushima Vortis da segunda divisão. 

60% do passe vendido.

Cada clube faturou 100 mil dólares. 

Óbvio que o valor integral não entrou na conta, porém nunca houve um comunicado oficial sobre a negociação.

Certa vez cobrei de um presidente informações sobre os negócios envolvendo jogadores.

O cartola teve a cara de pau de afirmar que “são assuntos internos, discutidos apenas entre diretores e conselheiros”.

Nada acontece por acaso.  

Lateral Diego surgiu no Metropolitano. Foto: Internet

Clube que não negocia pelo menos um atleta por ano não sobrevive.

Defendo a venda de jogador.

É necessária.

Condeno a falta de transparência.

O Clube Atlético Metropolitano sempre foi uma caixa preta. 

Alguns acionistas da Metropolitano Investimentos e Participações S/A (fundada em 2007) ainda esperam notícias.  

Para quem nunca ouviu falar na MIP, essa matéria de 2009 traz informações interessantes sobre a sua finalidade e o estágio avançado que o clube se encontrava até então.

Maurinho em ação pelo Metropolitano em 2012. Foto: CA Metropolitano

Em 2012, se sentindo pressionada, a diretoria foi obrigada a dar uma satisfação sobre a venda de Maurinho para a Bielorrússia por US$ 500 mil, cerca de R$ 900 mil.

Atualmente no CRB AL, o atacante estava voando no Campeonato Catarinense.

A cidade estava mobilizada.  

Jamais vi algo parecido.

Naquele mesmo fim de semana de março, com o Sesi lotado e grande parte da torcida indignada com o desfalque de última hora, o Figueirense tocou 4 x 0 no Metrô naturalmente.

O time não foi mais o mesmo. 

O drama de Maurinho foi relatado em uma reportagem que fiz com o jogador em 13 de junho de 2012 direto do Leste Europeu.

No fim, sabemos que o Metrô tomou um cano do Dinamo Minsk.

E ingressou com uma ação na FIFA.

Quatro anos depois recebeu R$ 300 mil dólares (R$ 960 mil na oportunidade).

R$ 500 mil foram pagos de empréstimos para investidores/diretores.

E os outros R$ 460 mil usados para quitar as dívidas do estadual de 2016 e da Série D de 2015. 

Presidente do Brusque Danilo Rezini em conversa com a Imprensa. Foto: Brusque Futebol Clube

Fazia um tempo que o Brusque Futebol Clube não se manifestava sobre finanças.

Surgiu um impasse por conta do número exagerado de cortesias (1.200) por jogo para sócios, patrocinadores e familiares.

O presidente Danilo Rezini aproveitou o bom momento do time e convocou uma coletiva.

Perguntei a um colega de trabalho se o encontro foi positivo.

Me disse que não houve pergunta sem resposta.

Jogadores comemoram vitória com a torcida. Foto: Brusque Futebol Clube

A folha de pagamento do grupo é de R$ 250 mil, fora a comissão técnica.

Já foram pagos R$ 1,1 milhão aos jogadores com o título da Copa SC e a classificação para a 3ª fase da Copa do Brasil.

Descontada a premiação, entrou R$ 1,3 milhão no caixa.

Serão repassados mais R$ 600 mil, caso a equipe passe pelo Brasil RS – a cota pela vaga é de R$ 2 milhões.

E por aí vai.

É a que me refiro.

Preto no Branco.

No site da Federação Catarinense de Futebol é possível ter acesso aos balanços financeiros dos clubes. 

Os últimos são de 2018.

O do Metropolitano está aqui. 

E até o do BEC.

Que não sei até hoje como sobrevive.

Um jogo de números.

Difícil de decifrar.

É por isso que a iniciativa do Brusque soa simpática.

E ainda aumenta a sua credibilidade.



 


 

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