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Esporte: “Amor à camisa”. Uma balela nos dias de hoje, por Emerson Luis

“Alegria imensa ser campeão pelo meu time de coração”.

A recente declaração de “amor” do atacante Pedro me leva a um tema recorrente e polêmico.

Embora tudo dependa da forma como são interpretadas certas atitudes de boleiros. 

Gestos e testemunhos que podem soar como verdadeiros ou falsos. 

Sinceridade ou teatro. 

A maioria faz média.

Joga pra torcida.

Pedro está pouco mais de um mês no Flamengo. 

Um vínculo afetivo não nasce da noite para o dia. 

Em qualquer ambiente de trabalho.

Um contrato de experiência dura 90 dias.

O centroavante se declarou rubro-negro.

Desde criancinha. 

A foto abaixo ratifica a sua ligação com o Flamengo.  

Que seus assessores fizeram questão que fosse repercutida.

Atacante Pedro demonstrando sua ligação com o Flamengo. Foto: Arquivo pessoal

Até aí, nada de errado. 

O problema foi Pedro ter negado o Fluminense.

Ou jurado amor ao tricolor.

Disse, certa vez, no calor de um fim de jogo vitorioso, que jamais jogaria em outro clube no Brasil.

Em 17 de janeiro, o site Goal publicou matéria a respeito.

O Flu lhe deu uma chance depois de ser dispensado da base do rival.

O projetou profissionalmente.

Mas quebrado, bom que se diga, queria mesmo era negociá-lo.

E faturou com sua ida para a Fiorentina.

Exatamente 8 milhões de dólares (R$ 36,5 milhões).

Esse tipo de picuinha não afeta dirigente/empresário.

Presidente do Fluminense Mário Bittencourt e Pedro. Foto: Divulgação

Ingratidão?

Traição?

Como disse um parceiro em uma mesa de bar:

“Por R$ 1 milhão por mês eu beijo, abraço e faço amor com qualquer camisa”.

Bastaram alguns minutos em campo para Rodrygo declarar seu amor ao Real Madrid. Foto: Internet

A propósito alguns minutos em campo foram suficientes para Rodrygo beijar o escudo do Real Madrid.

“Para mim é a realização de um sonho. Como sempre, é um sonho de todas as crianças. Quero agradecer a Deus por tudo que tem feito por mim, pela minha família, e ao presidente pela confiança depositada em meu trabalho. Espero dar muitas alegrias a todos e Hala Madrid!”, disse o atacante em suas primeiras palavras.

Só esqueceu de agradecer ao clube onde disputou 82 partidas e ajudou na sua formação e projeção.

Não vamos ser hipócritas.

É lógico que o Santos queria vendê-lo.

E foi um caminhão de dinheiro.

45 milhões de euros (R$ 193 milhões).

Para ser mais exato, o Peixe ficou com 40 milhões de euros (R$ 172 milhões), o equivalente a 80% da multa rescisória.

Fred tem forte ligação com o Fluminense apesar de se declarar torcedor do Cruzeiro. Foto: globoesporte.com

Pelé/Santos.

Garrincha/Botafogo.

Castilho/Fluminense.

Zico/Flamengo.

Roberto Dinamite/Vasco.

Tostão/Cruzeiro.

Reinaldo/Atlético MG.

Marcos/Palmeiras.

Rogério Ceni/São Paulo.

Sócrates/Corinthians.

Renato Gaúcho/Grêmio.

Falcão/Internacional.

Messi/Barcelona.

Ícones.

História.

Títulos.

Amor pelo clube.

Identificação.

Um beijo na camisa soa natural, sincero.

Messi está no Barcelona desde os 13 anos (atualmente tem 32). Foto: Internet

Os mais novos podem estranhar, mas na época desses jogadores citados, as transferências eram fato raríssimo.

O atleta era promovido das categorias de base, fazia a sua estreia no time principal, já com seus 21 anos, e ali ficava até se aposentar.

Talvez, no fim da carreira já consagrado ia para o Japão (Zico), Itália (Falcão), Espanha (Roberto Dinamite), ou Cosmos EUA (Pelé, Carlos Alberto, Marinho Chagas) em busca da sua independência financeira.

A saga do Pelé, aliás, é muito interessante, como relatado nessa reportagem da ESPN.

O Rei tava quebrado.

Pelé no Cosmos dos Estados Unidos. Foto: hollywoodreporter.com

Hoje o futebol é uma indústria.

A pressão começa cedo.

Emerson Sheik demonstrando seu amor ao Flamengo. Foto: Internet

Certo estava o meu xará.

Emerson Sheik beijou a camisa do Flamengo.

E também a do Corinthians.

Jurou amor eterno aos dois clubes de maior torcida no país.

Emerson Sheik em seu retorno ao Corinthians. Foto: Gazeta Esportiva.

Sheik construiu fortuna.

Empilhou taças.

E polêmicas.

Até “gato” foi no início da carreira.

Diante do seu sucesso, sabe o que isso significa?

O que mudou na vida do cara?

Isso mesmo: nada.

“Tem jogador que beijou mais escudos do que namoradas” – Washington Rodrigues (Apolinho), radialista

Torcida do Sport PE no aeroporto esperando delegação desembarcar. Foto: R7.com

Atualmente quem se importa com o clube mesmo, de verdade, são os torcedores.

Que compram camisa, ingresso, viram sócios, assinam pacotes de TV paga, frequentam estádios sem conforto e sem segurança, que viajam, tomam sol, chuva, pedradas…

Tudo isso por amor.

O jogador de futebol é um ser humano como qualquer outro trabalhador.

Só é superestimado e ganha absurdamente muito mais do que a gente.

Também buscamos a valorização no mercado.

Se aparecer uma proposta tentadora, que pague três vezes mais, por exemplo, que seja bom para a família em todos os sentidos, colocamos na balança, vamos embora.

Há exceções, é verdade.

Mas geralmente é assim que funciona.

Só não podemos esquecer de agradecer, de retribuir pessoas e instituições que nos ajudaram, que abriram as portas.

Muito menos chegar beijando o crachá da nova firma.

Ainda mais se for de um concorrente.



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