Dois meses depois, crime contra Bianca chama a atenção para o sentimento de posse

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Hoje, 25 de setembro, faz exatamente dois meses do assassinato da Bianca Wachholz, em Blumenau. A jovem de 29 anos foi morta pelo ex-namorado. Everton Balbinot de Souza, de 31 anos, está preso preventivamente no Presídio Regional de Blumenau e confessou que cometeu o crime. Segundo testemunhas, ele não aceitava a separação.

“Eu jamais poderia imaginar que a pessoa que eu abri a nossa casa, que compartilhou a nossa mesa, poderia assassinar a nossa filha”, diz emocionado Celso Wachholz, pai de Bianca.

O desabafo de Celso chama atenção para a violência que acontece dentro de casa e muitas vezes é invisível. E, principalmente, para o sentimento de posse e a cultura do machismo.

“Se você não for minha, não será de mais ninguém”, teria dito Everton antes de assassinar a ex-companheira.

O SENTIMENTO DE POSSE

O assassinato de Bianca e o depoimento de Everton, reacendem o debate quanto ao sentimento de posse de uma pessoa pela outra. De acordo com a psicóloga e sexóloga, Caroline Busarello Bruning, existem explicações que ajudam a entender esta situação emocional.

“Muitas relacionadas ao período da infância onde se formam os primeiros vínculos da pessoa. Os primeiros laços afetivos fortes. Um vínculo formado em torno de muita insegurança e incerteza pode tornar a criança um adulto ansioso, desconfiado e extremamente inseguro,” afirma.

Outro fator importante a ser considerado, segundo Bruning, é a cultura do local onde aquela pessoa, ou casal, estão inseridos.

“Países muito machistas são os com índices mais altos de feminicídios, por exemplo. Ainda é muito forte em nossa cultura a ideia de que amar é pertencer à alguém e que as mulheres ficam à disposição dos seus parceiros. É importante ressaltar aqui que o machismo não se trata de algo exclusivamente masculino, é geral. Muitas mulheres aconselham suas amigas e ou filhas, por exemplo, a relevarem comportamentos dos parceiros porque afinal ‘são homens’ e eles ‘a amam tanto’ e, ‘melhor com ele do que sem ele’,” salienta Caroline.

Para se ter uma ideia, no ano passado, quatro mulheres foram vítimas de feminicídio em Blumenau. O crime, que se caracteriza quando uma mulher é morta pela condição de gênero e com contexto de violência doméstica. Em Santa Catarina, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a cada dez minutos, uma mulher sofre algum tipo de violência, seja estupro, lesão corporal, feminicídio, ou ameaças.

“É muito forte na nossa cultura que a mulher seja tolerante, paciente e que sempre dê uma chance ao parceiro, após comportamentos abusivos e que o homem seja compreendido por ‘ser homem’, conclui a psicóloga.

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