Problemas pós-título, por Emerson Luis

PUBLICIDADE

Foto: Luiz Carlos Koch - Colaborador FCF

Após a derrota para o Hercílio Luz por 3 x 2, na entrevista coletiva, perguntei a Marcelo Mabilia se o torcedor já poderia se acostumar com a ideia de que esse atual Metropolitano não é o mesmo, não tem a qualidade daquele grupo campeão da Série B, pelo fato, evidente, de ter perdido cinco peças fundamentais, como Douglas Silva, Palhinha, Jean Dias, Bruninho e agora William Paulista, machucado.

O treinador foi sincero como geralmente é no trato com a Imprensa. Desta vez, contudo, foi cauteloso, pois sabe que depois de dois tropeços em casa, a insegurança e falta de confiança de um grupo jovem como esse podem aumentar.

Com a lesão de William, Elton é hoje o atleta mais rodado. E é justamente essa experiência, ou melhor, a falta dela, que tem comprometido o desempenho do time. Mabilia lembrou da importância desses jogadores, sobretudo na hora de mudar a característica de uma partida.

Os boleiros mais cascudos do Hercílio fizeram isso, não se assustaram com aquele momento de pressão no começo do jogo, tiveram paciência para vencer um Metrô afoito muitas vezes, que buscou o resultado muito mais na transpiração do que na inspiração.

Sobre a reação da torcida: “o torcedor não quer saber se saiu esse ou aquele jogador, ele age com o coração, com a emoção, está no direito de cobrar, quer sempre que o seu time vença”, resumiu o treinador.

Meu ponto de vista: só vi o jogo de quarta-feira (19). Pouco tempo, mas o suficiente para enxergar que essa equipe é inferior.

No sistema defensivo só houve uma mudança, embora Maurício tenha jogado a final contra o Marcilio Dias no lugar de Douglas Silva. Esqueça o que supostamente ele aprontou fora de campo. Não tem mais o mesmo vigor e motivação, só que é mais zagueiro, é mais seguro, é mais cancheiro.

Do meio para frente reside o principal problema. Sem Palhinha, que chamava o jogo, a ligação ficou direta. Gostei do volante Paulo Vinicius que trabalhou com Mabilia no Tubarão. Combate e tem bom passe. Talvez preocupado com a marcação e as subidas de Rodolfo, fez poucas aproximações. Boa contratação.

O menino Ruan que voltou de um empréstimo supersônico da segunda divisão da Turquia tem visão, potencial de crescimento, só que pelas circunstâncias, ainda não está pronto. Pode se dizer que tentou exercer a função de Jean Dias.

Foto: Marciano Régis – Rádio Nereu Ramos

Luiz Ricardo teoricamente deveria ser o substituto de Bruninho. Difícil esse comparativo. Não tem as mesmas características, não joga pelas beiradas, veio como um homem de referência na área. Nunca jogou exatamente na dele, é verdade. Mesmo assim, está devendo desde que chegou.

Contra o Hercílio, Fabrício foi escolhido para fazer, no primeiro momento, o papel do centroavante. Até o considero um atacante rápido e habilidoso. O problema é que não consegue ficar parado lá na frente, trombando com os zagueiros. Rende mais vindo de trás, indo em direção ao gol. É outro que não consegue se firmar.

Cainan, Alemão, Jonatha e Devid chegaram para agregar. São jogadores jovens, de empresários, com custo baixo ou quase zero, que precisam de vitrine. Cedo também para cravar se vão corresponder. Do pouco que vi de todos eles, Cainan, que veio do Operário de Mafra, tem potencial para estar entre os onze.

Tem muito campeonato pela frente. São mais oito jogos para confirmar presença nas semifinais. É possível chegar, só não dá mais para vacilar. O time terá de buscar pontos fora de casa. A comissão técnica sabe das dificuldades que vem enfrentando e por isso espera a chegada de reforços.

Nesta sexta-feira (21), Mabilia se reuniu com dois integrantes do departamento de Futebol. Tudo de alguma forma passa pelo afastamento de 90 dias do presidente. Saulo Reitz precisa fazer um tratamento de saúde e um substituto precisa ser escolhido.

O Metropolitano tem três vice-presidentes. No papel. Erivaldo Caetano Junior, José Antônio Roncaglio e Valdair Mathias. Só que oficialmente só tem um, Valdair Mathias. E é justamente o ex-presidente do Samae que deve assumir até dezembro. O martelo deve ser batido na segunda-feira (24).

Logo após a conquista da Série B, escrevi que o grande mérito de Saulo Reitz foi unir ex-presidentes e seus parceiros, e principalmente interferir o menos possível nas negociações.

Além de ter a caneta e a última palavra para aprovar ou reprovar determinadas propostas, o presidente de um clube de futebol (onde os egos afloram) precisa ser democrático, equilibrado, flexível, bom ouvinte e ainda consultar seus pares em questões polêmicas, que possam dividir opiniões. Decisões unilaterais geralmente criam desgastes que se transformam em crises.

PUBLICIDADE

 

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: