Os bons tempos dos JASC, por Emerson Luis

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Foto: CDL de Caçador

Em 1990, logo de cara, quando comecei a trabalhar com comunicação, tive o primeiro contato com os Jogos Abertos. Como não tinha nenhuma experiência no ramo e a equipe da Unisul (hoje CBN) já estava formada, participei de uma ou outra pequena transmissão.

No ano seguinte até viajei para Chapecó em um fim de semana, só que outra vez, ainda verde, fui apenas expectador de algumas modalidades.

Por sua vez nos JASC de Joinville, em 1992, fiz minha estreia oficial no tão badalado evento onde todo profissional queria estar.

Na rádio Clube trabalhei simplesmente ao lado de Rodolfo Sestrem, Jorge Aragão, Enei Mendes, Irivaldo Borba, Carlos Eduardo Bolinha Mendonça, Ricardo Santos, Alexandre José, Alexandre Castelli, Paulo Cesar (PC), Marcelo Rocha e Luis Carioca, como o grande coordenador. Tínhamos ainda Edemilson Flores responsável pela parte técnica. Que timaço!

Fizemos uma cobertura sensacional! Evidente que o talento e a bagagem dessa equipe ajudaram, só que tínhamos concorrência de peso, não podíamos vacilar.

Estavam do outro lado Edemar Anuseck, Danilo Gomes, Amilton Antonio, Isaias de Souza, Mirandinha, Sidnei Almeida, Jorge Theiss, Luciano Silva e Amauri Pereira.

Quatro emissoras de rádio brigavam pela audiência. Concorrentes e parceiros. Dormíamos em salas separadas, mas na mesma escola, com colchões no chão. Café, almoço e janta no mesmo lugar, como é praxe até hoje na logística da Comissão Central Organizadora.

Não esquecendo que toda essa turma também media forças no futebol. Nomes como Nilson Fabeni, Pedro Lopes, Vilmar Minosso e Gilmar Canselier, ficavam por aqui dando atenção ao BEC.

Aquela participação em Joinville jamais vou esquecer. Foi marcante em todos os sentidos, profissional e pessoal. Quem já esteve em um JASC sabe o quão importante é aproveitar os parcos momentos de folga.

Estive ainda em Tubarão (93), Florianópolis (94), Rio do Sul (95), São Bento do Sul (96), Lages (2002), Blumenau (2003), Indaial, Pomerode e Timbó (2004), Joaçaba, Herval d,Oeste e Luzerna (2006), Jaraguá do Sul (2007), Indaial, Timbó, Pomerode e Rio Dos Cedros (em 2008 só teve abertura e algumas competições no dia seguinte por causa da tragédia), Brusque (2010), Criciúma (2011) e Blumenau (2013).

Ao todo, de uma forma ou de outra, participei de 16 das 55 edições já realizadas. Grandes momentos que passaram, que mudaram bastante de uns tempos para cá.

Foto: Prefeitura de Blumenau

Alguém lembra que os Jogos Abertos começam essa semana? Sabe onde serão realizados? Quem é o atual campeão? Há quanto tempo Blumenau não vence a competição?

Alguém que não esteja ligado direta ou indiretamente com o evento poderá ter dificuldades para lembrar que a abertura dos JASC é na próxima quinta-feira (6), em Caçador, que Blumenau desde 2013 não consegue superar Itajaí na conquista do título geral.

Atletas, técnicos e dirigentes (em menor escala) reconhecem que a competição perdeu o glamour, contudo para praticantes de algumas modalidades, ela ainda tem seu charme e peso, sobretudo para quem vai competir pela primeira vez. Depois de Olesc e Joguinhos, os JASC ainda são a cereja do bolo, apesar de pouco prestigiado.

Se no passado tivemos uma cobertura maciça de emissoras de rádio, que sempre foi o carro-chefe, temos hoje pouquíssimos veículos cadastrados. Claro que tudo passa por parcerias com o Governo do Estado e Municípios, além da iniciativa privada, como fator motivacional e primordial para bancar as despesas. O problema é que essas instituições há muito tempo têm outras prioridades na distribuição dos recursos midiáticos. O esporte, como sempre, fica em segundo plano.

Sem apoio, sem motivação, vamos ter em Caçador, no primeiro momento, a participação de apenas dois profissionais da mídia blumenauense.

Juliano Russi fará o acompanhamento pela rádio Web Esportiva. De tão dedicado e metódico foi convidado pela Fesporte para fazer a divulgação de resultados. E na rádio Nereu Ramos, o responsável pelos boletins será o inquieto Daniel Charles Schmitt.

Hoje qualquer um pode mostrar em tempo real uma prova de natação, por exemplo, via celular. O pai pode fazer o registro da filha no pódio, ganhando uma medalha. As novas tecnologias geraram a aproximação virtual, mas quebraram o encanto da expectativa pelos resultados que o rádio produzia. A chama de Arthur Schlõsser ainda arde no coração desses jovens abnegados.

Foto: Arquivo

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