Início Esporte Metrô campeão! Quase. Respeitem a história do Marcílio

Metrô campeão! Quase. Respeitem a história do Marcílio

Se ainda trabalha para corrigir a saída do gol pelo alto, principal fundamento a ser aprimorado, que já melhorou muito, Igor tem jogado demais debaixo das traves. O gasparense de 21 anos foi o cara quando a partida estava tensa e o Marcílio era melhor.

No futebol geralmente vence o time mais equilibrado, focado, e principalmente quem é mais objetivo na hora H. Pode se afirmar que apesar da oscilação dos 10 aos 30 minutos, a vitória do Metropolitano foi incontestável, justa.

Não só Igor. Todos foram bem na partida e pegaram junto. O coletivo sobrepôs a individualidade. Nesse aspecto, menção honrosa para Dudu que estreou na vaga de Paulo Henrique suspenso.

Foto: Marciano Régis

A opção imediata era Zé Victor. O volante ainda sente dores no joelho, até jogaria com uma infiltração, contudo o treinador entendeu que seria melhor preservá-lo. Deu nova chance para Eduardo e abriu caminho para o lateral que começou na escolinha da Joclamar com o Egidio Bekchauser, como zagueiro.

O moleque de 18 anos estava nervoso no começo, normal, errou alguns passes básicos – que não comprometeram – mas foi se soltando aos poucos. A partir do momento em que foi a linha de fundo, com uma linda jogada individual, com direito a meia lua no marcador, que quase redundou em gol, ganhou confiança, foi seguro.

Fico muito contente quando um moleque da base se destaca. E esse tipo de batismo é essencial. Sempre tem alguém de olho, monitorando, gravando. Se todo clube grande precisa negociar pelo menos um jogador por ano, imagina o Metropolitano.

Só colocando uma promessa em um confronto oficial, decisivo como esse, na “fogueira”, é que o departamento de Futebol vai ter uma noção se ele tem personalidade para crescer ou não passa de um leão de treino. Por isso, sou dos poucos que defendem esse regulamento, onde apenas cinco atletas acima dos 23 anos podem ser utilizados.

Voltando ao jogo. Naquele momento de pressão, me chamou a atenção, a atitude de um expectador agoniado, exaltado, que estava na parte central da arquibancada. “Faz alguma coisa, tira a mão da cintura, Mabilia. Seu burro! ”. No fim, 3 x 0.

É por conta de rompantes como esse que não concordo quando dizem que “torcedor tem sempre razão”. Se o cara conhece um pouco de bola, se tem argumento, tudo bem, passa. Só que especificamente naquele momento difícil, em que muita gente prendeu a respiração, o que o treinador poderia fazer? Mabilia sabia que com o controle retomado, seu time teria condições de vencer.

Foto: Sidnei Batista

Dentro dessa linha tênue entre razão emoção, relembro o que ouvi, no mesmo setor de arquibancada, não só um xingamento, mas vários, em coro, no primeiro jogo de William Paulista no Sesi.

O atacante estreou em Joinville na quarta rodada. Entrou no intervalo, na derrota para o Fluminense, que redundou na queda de Rodrigo Cascca, responsável pela sua contratação.

Depois, foi banco contra Guarani e Barra. Só diante do Marcílio, na estreia de Mabilia, após a saída de Wayni, começou como titular. Fez dois gols, no empate de 3 x 3.

Na primeira vez diante da torcida, no clássico com o BEC, mal tentou dominar uma bola que escapuliu de seu controle, foi criticado por aquela média dúzia. Entre tantos impropérios, ironias por conta de sua semelhança com Somália, que defendeu Fluminense, Grêmio, São Caetano, entre outros.

William Paulista não só é o artilheiro do time como do campeonato com 9 gols e só um jogador, seu parceiro Ari Moura, que tem 8, pode lhe ultrapassar. O mais próximo concorrente é Abner que já foi na rede seis vezes.

Foto: Sidnei Batista

O rápido e perigoso atacante do Marcílio será uma das principais armas do Marinheiro para tentar reverter a respeitada vantagem conquistada pelo time blumenauense de poder perder por dois gols de diferença. A pressão agora está toda do outro lado, mas teremos ainda mais 90 minutos pela frente.

Pés no chão, humildade, foco. Isso vale para todo mundo que já se acha campeão. Respeitem a história do Marcílio Dias, seus títulos, sua torcida, a tradição, o peso de sua camisa.

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