Início História Ernesto Paglia e a enchente de julho 1983, por André Bonomini

Ernesto Paglia e a enchente de julho 1983, por André Bonomini

Entre os colegas de jornalismo do Vale, costumo dizer por vezes que “é na enchente que o jornalista da região mostra seu valor”. Não é exagero, nas cheias do Itajaí-Açu é onde o profissional é posto a prova diante da enxurrada de informações necessárias para a instrução de um público na calamidade.

No entanto, muito além daquela notícia “da hora”, a enchente permite outros olhares, alguns verdadeiras histórias entre as águas. E entre as várias histórias vindas de 1983 uma delas vai de encontro a esta ideia. Em meio a série de seis cheias que a cidade vivia, uma equipe de reportagem do Fantástico, tendo a frente o já conhecido Ernesto Paglia, esteve na cidade para retratar o momento de um pós-enchente, buscando entender a persistência do blumenauense diante do caos imperava entre um subir de água e outro.

Foto: Reprodução Youtube

A matéria, publicada no YouTube pelo canal BNU HDTV, usa cases específicos para explicar a tal “agilidade” que Paglia refere-se quanto ao reerguimento da cidade. Exemplos como a Teka e o antigo Restaurante Cavalinho Branco são destaques, além do posto do “seu” Abelardo, na esquina da Rua 7 de Setembro com Rua Floriano Peixoto (atual Posto Juninho), cujas imagens chocantes mostravam as águas próximas do teto.

Mas o que Paglia talvez não esperasse nos dias que estava em Blumenau é que acordaria em meio a outra enchente. Não se sabe se foi coincidência ou se o repórter escondeu o jogo durante os trabalhos como também fica difícil precisar. Segundo o que conta Paglia, a enchente era a nona do ano, mas analisando os dados grosseiramente fica difícil precisar qual é a data exata daquela cheia. Estima-se que que a reportagem data do período entre agosto e setembro de 1983 e ainda viriam mais 14 registros de enchente no mesmo ano.

Fotos: Antigamente em Blumenau

Seja como foi, o material de Paglia é uma das tantas preciosidades “novas” com relação aos olhares sobre a temível enchente, cujo pico de 15,34m seria atingido as 16h do dia 9 de julho. 70 mortos, milhares de desabrigados e histórias de tristeza e superação das mais variadas, como a de Paglia, que você assiste abaixo.

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